Entre os dias 30 de janeiro e 1º de fevereiro, nove candidatos ao Diaconato Permanente da Diocese de Santo André participaram de um retiro espiritual realizado no Instituto João XXIII. Conduzido pelo bispo diocesano, Dom Pedro Carlos Cipollini, o retiro foi vivido como um tempo de silêncio, escuta e aprofundamento do chamado ao ministério ordenado.
Ao longo das partilhas, Dom Pedro conduziu os candidatos a um olhar mais interior sobre a própria vocação. Logo no início, recordou que o ministério nasce da capacidade de escutar Deus no silêncio, destacando que o verdadeiro encontro com o Senhor acontece quando o coração se dispõe a ir além das distrações e das inquietações do cotidiano. O silêncio, segundo ele, não é ausência, mas lugar fecundo onde Deus fala e forma o coração do ministro.
A reflexão caminhou a partir do Evangelho e dos cânticos do Servo de Isaías, apresentando o diaconato como expressão concreta do Cristo que serve. Dom Pedro insistiu que não existe seguimento autêntico de Jesus sem a cruz, lembrando que a glória passa necessariamente pelo caminho da entrega. O diácono, assim como todo ministro ordenado, é chamado a configurar a própria vida a Cristo Servo, assumindo uma postura de doação, humildade e fidelidade, inclusive nos momentos de sofrimento e renúncia.
Outro ponto forte das meditações foi a caridade pastoral como eixo do ministério diaconal. Dom Pedro recordou que o diaconato nasce, na Igreja primitiva, do cuidado com os mais frágeis e da atenção concreta às necessidades do povo. Por isso, o ministério não pode ser vivido como projeto pessoal, busca de reconhecimento ou espaço de poder, mas como serviço que brota do amor a Deus e se traduz em cuidado com as pessoas, especialmente aquelas que mais sofrem.
Durante o retiro, também foram abordadas as tentações que acompanham a caminhada cristã e ministerial, como o apego aos bens, o desejo de prestígio e a sedução do poder. À luz da Palavra, Dom Pedro recordou que, quando algo ocupa o lugar de Deus, o centro da fé se perde. O chamado do ministro ordenado é manter Deus sempre em primeiro lugar, permitindo que todo o restante encontre seu sentido a partir desse amor primeiro.
Encerrando as reflexões, o bispo conduziu os candidatos ao coração da vida cristã, a partir do hino da caridade, na Primeira Carta aos Coríntios. O amor foi apresentado como critério de verdade do ministério: sem ele, nada permanece. É o amor que sustenta a fé, dá sentido ao serviço e torna o diácono sinal vivo de uma Igreja que se coloca a caminho, próxima, atenta e comprometida com a vida do povo de Deus.
O retiro marcou um passo importante na preparação imediata para a ordenação diaconal, que acontece neste sábado, 7 de fevereiro, às 9h, na Paróquia São Camilo de Lellis. A celebração será um momento de graça para toda a Diocese, que acolhe este ministério ordenado como dom e sinal de uma Igreja que serve, anuncia a Palavra e vive a caridade no cotidiano.




