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Diocese de Santo André

Com o que você tem gastado seu tempo?

Só o tempo dedicado a Deus, ao cumprimento de sua vontade, não passa; fixa-se em Deus

O tempo passa e não volta mais. Assinalou Deus a cada homem um tempo determinado para realizar seu plano sobre ele: o tempo da vida terrena. É este, para cada um, “o momento propício… o dia da salvação” (2Cor 6,2), no qual cumpre trabalhar com entusiasmo, para cooperar com a graça, na própria santificação. Passado este tempo, não haverá outro, e o mal empregado estará perdido para sempre. A condição da vida humana é um contínuo fluir, um contínuo correr do tempo que não volta! Na eternidade, ao contrário, já não haverá vicissitudes: tudo será estável.

Todo homem ficará estabelecido no grau de amor que tiver alcançado no tempo: se for grande, em um grande grau de amor e de glória, será estabelecido eternamente; se for pequeno, não terá mais este por toda a eternidade. Terminado o fluir do tempo, já não é possível progresso algum. “Não nos cansemos de fazer o bem – exorta São Paulo – e se não desistirmos, a seu tempo colheremos. Enquanto temos tempo, façamos o bem a todos” (Gl 6,9-10). Cada ano que passa é admoestação a valorizarmos o tempo presente, santificando-o por meio da caridade. “Trata-se de dar a cada instante o máximo de amor, de eternizar o instante que foge, dando-lhe o valor da caridade” (Ir. Carmela do Esp. Santo).

“Não sabíeis que devo cuidar das coisas de meu Pai?” (Lc 2,49). Para Jesus, tem a vida uma só finalidade, um só empenho: a vontade, os interesses, a glória do Pai. Seguir Jesus significa procurar viver em profundidade esta sua atitude, na convicção de que uma única ocupação tem valor: “cuidar das coisas do Pai”.

Quantas vezes, ao contrário, a existência do cristão se dispersa em mil direções, em mil futilidades, coisas caducas, que passam com o passar do tempo, puras vaidades da vida terrena! Só o tempo dedicado a Deus, ao cumprimento de sua vontade, não passa; fixa-se em Deus, tornando o homem participante de sua imutabilidade. Então o fluir do tempo não lança o véu da tristeza sobre a existência do homem, mas enche-lhe o coração de alegria, porque só faz aproximar o encontro eterno com Deus. Seja assim, cada ano, um salto à frente para a verdadeira pátria, e seja cada dia assinalado pelo desejo ardente do Senhor: “Vinde, Senhor Jesus!” (Ap 22,20).

Extraído de: Madalena, Gabriel de Sta. Maria. Intimidade Divina. São Paulo: Loyola, 1988.

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