Diocese de Santo André

Doutrina Social incentiva cristão a participar da vida política

Cidadania e Participação política

O dramaturgo e pensador alemão Bertolt Brecht cunhou a expressão “analfabeto político”. Segundo ele, estão equivocados os que dizem de peito cheio: “detesto política”. É exatamente a omissão destas pessoas que perpetua um certo tipo de Política e de políticos.

A Doutrina Social da Igreja insiste na participação do cristão na vida da comunidade política. No entanto, esta não deve ser reduzida à conquista e exercício do poder. Existem outras maneiras de participar ativamente.

João Paulo II afirma que “todos e cada um têm o direito e o dever de participar da política, embora em diversidade de formas, níveis, funções e responsabilidades” (Christifideles Laici, 42). Ou seja, todos devemos dedicar parte de nosso tempo e de nossas preocupações ao bem comum, ainda que de diversas formas e segundo diferentes vocações. Assim, uns se dedicarão a atividades comunitárias, outros a sindicatos, grupos e associações, outros ainda ao exercício de mandatos políticos.

Dois paradigmas de cidadania

A questão da cidadania, enquanto ação política, tem suas raízes nos primórdios da civilização ocidental, a partir dos paradigmas grego e romano. No primeiro paradigma, malgrado a exclusão de estrangeiros, escravos e mulheres, a atividade política grega desenvolvia-se como gestão da coisa pública, em que buscar o bem da Pólis, ao invés do individual, era considerado uma virtude cívica. A autoridade do soberano passava por leis definidas pela assembleia dos cidadãos, espaço onde se desenvolviam as discussões em torno das coisas públicas. Assim, a participação efetiva era a mediação para o exercício da gestão da cidade.

No segundo paradigma, referente aos romanos, essa gestão transfere-se para a instituição em que ela se realiza, em uma esfera autônoma da sociedade, que é o Estado. Com isso, a política se institucionaliza e se torna prerrogativa de um pequeno grupo dirigente, despolitizando o cotidiano, isto é, excluindo o cidadão da administração da res publica 1.

Na configuração do pensamento político ocidental, utilizaram-se os conceitos do primeiro paradigma, mas a realização concreta repercutiu o segundo. Por isso, a urgência de se cruzar os dois modelos, desalienando a política e aproximando-a da vida dos cidadãos, indo da democracia representativa para a participativa. A Constituição de 1988 estabeleceu vários instrumentos para isto, tais como o Referendo, o Plebiscito e o Projeto de Lei de iniciativa Popular.

É hora de participar

É vergonhoso saber que, segundo pesquisas recentes divulgadas pela mídia, 60% dos deputados têm pendências judiciais, assim como também 1/3 dos senadores, sendo estes os responsáveis pelo destino do Brasil. Esta situação provoca uma tomada de consciência de nosso dever de participar ativamente da vida política do País, saindo às ruas e fazendo valer nossos direitos duramente conquistados e que estão sendo paulatinamente desmontados. Este é o momento de tomar a história em nossas mãos.

Não se furte a esta tarefa. Não se esconda por trás de interesses particulares ou de grupos. Pense grande. Pense no amanhã. Como diz um conhecido refrão, “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

Fonte: Canção Nova

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