Diocese de Santo André

Caminhar juntos

É bom percorrer uma jornada sabendo que não estamos sozinhos. Caminhar juntos é uma satisfação e necessidade para o ser humano, principalmente quando esta caminhada se faz por lugares desconhecidos ou perigosos.

Na Diocese de Santo André, foi feita esta experiência, através do processo de planejamento participativo pelo qual passou durante este ano. Aconteceu no Sínodo Diocesano, encerrado dia 15 deste mês com a assembleia conclusiva, na qual participaram 430 delegados vindos de todas as comunidades, paróquias e organismos do Grande ABC.

Esta reunião de representantes qualificados de nossa Igreja, colocou em comum experiências e problemas, a fim de chegar a soluções comuns. Foi um momento central de nossa Igreja para ouvir, deliberar e tomar decisões, manifestar sua unidade e celebrar sua comunhão.

O objetivo do Sínodo foi o discernimento comunitário. Todos os membros da Igreja são corresponsáveis em amadurecer as escolhas e planejar o caminho comum a se percorrer na tarefa de evangelizar. Os Atos dos Apóstolos relatam a primeira ação sinodal que, após a deliberação, decidiu unanimemente: “aprouve ao Espírito Santo e a nós” (At 15,28).

O Sínodo na história da Igreja sempre representou uma busca de conversão estrutural e pastoral, com a finalidade de obter a união da Igreja e a eficácia na sua missão. O Concílio Vaticano II (reunião de representantes da Igreja do mundo todo) revalorizou o princípio sinodal dentro da Igreja especialmente com a criação do Sínodo dos Bispos (cf. (cf. LG 22; CD 5).

Nosso sínodo desenvolveu-se no diálogo e na busca do consenso. Nem sempre a maioria pode determinar e impor as questões, principalmente se esta maioria não leva em conta a opinião da minoria. Uma Igreja, como povo sinodal, tem uma só preocupação, aquela de seguir a Jesus Cristo, com a humilde disposição de ir onde ele a enviar.

A conclusão a que chegou nosso Sínodo, após ouvir a Palavra de Deus, estudar a pesquisa feita com base em nossa realidade e dialogar intensamente entre os participantes, que foram aproximadamente 33.000 nas diversas instâncias, foi no sentido de articularmos a ação pastoral de nossa Igreja com base nos postulados bíblicos da acolhida das pessoas; da ação missionária permanente; e do fortalecimento da ação evangelizadora da Igreja entre os mais pobres e sofredores.

O Espírito Santo falou-nos através da união e do consenso a que se chegou, que Ele agora nos dê a força e a coragem para executarmos a tarefa árdua de levar a Palavra de Deus e testemunhá-la em uma sociedade cada vez mais secularizada, ou seja, uma sociedade que não tem mais lugar para Deus e nem para a pessoa humana.

Mais do que nunca é necessária a Igreja e sua ação evangelizadora, Igreja que dignifica o ser humano; não só como criatura de Deus, mas como parceiro de Deus na construção de um mundo mais justo e fraterno, no qual a vida tem sentido. E isto em um momento no qual, após ter passado da modernidade à pós-modernidade se chegada à hipermodernidade. Tempo em que o excesso e o vazio enfrentam-se num combate que gera novas angústias e novos problemas, os quais não poderão ser resolvidos com sucesso se não levarmos Deus em conta.

Sem Deus, o deserto da indiferença, a apatia e o vazio, alastram-se como um deserto que se expande, tornando áridos os corações e a vida sem sentido e sem rumo (cf. G. Lipovetsky). É neste deserto que nossa Igreja será sempre a voz que clama em nome de Deus!

Artigo escrito por Dom Pedro Carlos Cipollini para o Jornal Diário do Grande Abc

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