A festa do padroeiro ganhou um significado especial para a Paróquia São Caetano, em São Caetano do Sul, na noite de 7 de agosto. Durante a Santa Missa presidida pelo bispo diocesano, Dom Pedro Carlos Cipollini, o Padre Valmir Cassim da Silva, CSS, tomou posse como novo pároco da comunidade, dando início a uma nova etapa da presença e da missão dos Estigmatinos na paróquia.
A celebração também marcou a despedida do Padre Gilberto Dias Nunes, CSS, provincial dos Estigmatinos, que até então exercia a missão de pároco e confiou ao novo pastor uma comunidade com a qual partilhou a fé e o serviço ao longo dos últimos anos.
Seguindo o rito próprio da Igreja para a tomada de posse de um pároco, depois da saudação inicial foi apresentado o decreto de nomeação. Diante de Dom Pedro e da comunidade reunida, Padre Valmir fez a Profissão de Fé, manifestando publicamente sua adesão àquilo que a Igreja crê e ensina.
A Liturgia da Palavra prosseguiu e, após a segunda leitura, o novo pároco recebeu das mãos do bispo o Evangeliário, sinal da missão de anunciar a Palavra de Deus ao povo que lhe é confiado. Com o livro em suas mãos, dirigiu-se ao ambão para proclamar o Evangelho.
A paz nasce do amor
Na homilia, Dom Pedro partiu da Palavra de Deus para refletir sobre uma realidade marcada por guerras, divisões e conflitos. Recordando que o projeto de Deus para a humanidade não é a violência, mas a paz, o bispo apontou para Jesus como aquele que ensina um caminho diferente daquele sustentado pelo egoísmo e pela disputa.
“O projeto de Deus é a paz”, afirmou.
Ao falar da construção dessa paz, Dom Pedro recordou que ela não pode ser separada da maneira como cada cristão escolhe viver e se relacionar com os outros.
“Se nós queremos a paz, devemos viver no amor”, ensinou.
A imagem de Jesus, o Bom Pastor, também atravessou a reflexão e ganhou um significado ainda mais particular naquela noite. Era justamente sob o chamado de Cristo Pastor que Padre Valmir passaria a receber oficialmente os cuidados da comunidade paroquial.
Após a homilia, diante do bispo e dos fiéis, o sacerdote renovou as promessas feitas no dia de sua Ordenação Presbiteral. Respondeu ao compromisso de apascentar o rebanho do Senhor, celebrar fielmente os mistérios de Cristo, anunciar o Evangelho, ensinar a fé da Igreja e exercer seu ministério em comunhão com o bispo diocesano.
Na sequência, recebeu os sinais que expressam algumas das responsabilidades confiadas ao pároco: as chaves da igreja, recordando o cuidado com a comunidade e com o templo; a chave do Sacrário, indicando que a Eucaristia deve permanecer no centro da vida paroquial; os instrumentos ligados ao Batismo, pelo qual novos filhos são incorporados à vida da Igreja; e a estola roxa, sinal do ministério da reconciliação e da misericórdia.
Padre Valmir realizou ainda o Juramento de Fidelidade, assumindo diante de Dom Pedro o compromisso de exercer o ofício recebido em comunhão com a Igreja e com seus pastores.
“Deixar-me moldar pela imagem de Cristo Pastor”
Ao final da celebração, já falando pela primeira vez à comunidade depois de assumir oficialmente a paróquia, Padre Valmir dispensou um discurso preparado e preferiu partilhar uma lembrança que o acompanha desde o início do sacerdócio.
Em dezembro, ele completará 40 anos de Ordenação Presbiteral. Ao recordar esse caminho, contou que escolheu para sua ordenação a imagem de Jesus Bom Pastor, inspirada no capítulo 10 do Evangelho de São João.
A escolha nasceu ainda na comunidade onde viveu sua formação cristã. No fundo da igreja matriz havia uma pintura de Jesus cercado pelas ovelhas e carregando uma delas sobre os ombros. A imagem chamava sua atenção sempre que entrava na igreja e, com o passar dos anos, passou a reconhecer nela um dos sinais por meio dos quais Deus o conduzia à vocação sacerdotal.
Ao se aproximar a ordenação, depois dos anos de estudo, preparação e discernimento, aquela lembrança retornou com força. E continuou acompanhando o sacerdote em diferentes momentos de seu ministério.
Padre Valmir explicou que, ao longo de quase quatro décadas, essa imagem muitas vezes o ajudou a retornar ao sentido mais profundo de sua vocação: deixar-se moldar por Cristo Pastor, seja na pregação da Palavra, na celebração dos sacramentos, na administração dos bens da Igreja ou na responsabilidade pela formação do povo.
Para ele, o pastor é chamado a conduzir o povo de Deus “com misericórdia, com paciência, com delicadeza e com atenção”.
Foi com essa disposição que afirmou ter acolhido o pedido para vir a São Caetano e também a acolhida recebida de Dom Pedro na Diocese de Santo André. Padre Valmir recordou com carinho o primeiro encontro com o bispo, marcado por uma conversa fraterna e espontânea, e reconheceu também no ministério episcopal a imagem daquele que pastoreia uma Igreja Particular seguindo o modelo de Cristo.
O novo pároco chamou atenção ainda para a história da Paróquia São Caetano, comunidade da qual nasceram outras paróquias do município. Para ele, essa história também traz uma responsabilidade: continuar sendo uma comunidade capaz de viver sua própria missão sem se fechar em si mesma, fortalecendo a comunhão com as demais paróquias e com toda a Igreja.
Ao povo que passa a lhe ser confiado, pediu proximidade e fraternidade. Reconheceu seus próprios limites e recordou que a vida comunitária exige paciência e misericórdia de todos.
Seu desejo, afirmou, é contribuir para que a Paróquia São Caetano seja cada vez mais uma comunidade acolhedora e fraterna, formada por irmãos e irmãs capazes de olhar para além dos próprios limites e viver em comunhão com todos aqueles que professam a mesma fé.
Gratidão e continuidade da missão
A noite também foi de agradecimento ao Padre Gilberto Dias Nunes, CSS. Ao se despedir da missão de pároco, o provincial dos Estigmatinos manifestou sua gratidão pela acolhida recebida na Diocese de Santo André e pelos vínculos construídos com a comunidade.
Padre Gilberto reafirmou a disposição dos Estigmatinos de continuarem sua presença missionária na Diocese e agradeceu a Dom Pedro pela confiança depositada na congregação.
Ao falar do sucessor, demonstrou uma relação que ultrapassa a simples troca de uma função. Recordou que Padre Valmir faz parte de sua própria história vocacional e formativa e manifestou confiança naquele que passa a conduzir a paróquia. Pediu aos fiéis que permaneçam próximos do novo pároco, ajudando-o a conhecer as pessoas, as famílias, as casas e os diferentes espaços da cidade.
A comunidade também dirigiu palavras de agradecimento ao Padre Gilberto, reconhecendo sua dedicação, proximidade e serviço durante o período em que esteve à frente da paróquia. Em nome dos paroquianos, recordou que sua presença passa a fazer parte da história da São Caetano e assegurou que aquela comunidade continuará sendo também sua casa.
Em seguida, a acolhida voltou-se ao novo pároco. Em mensagem dirigida ao Padre Valmir, os fiéis manifestaram a alegria de iniciar com ele uma nova etapa da vida paroquial e assumiram também sua parte na missão.
Inspirada em São Caetano, homem de profunda confiança na Providência de Deus e de serviço aos mais necessitados, a comunidade se comprometeu a caminhar ao lado do novo pastor, colaborando para uma Igreja acolhedora, missionária e solidária.
Assim, justamente no dia dedicado ao santo que ensina a confiar na Providência, a Paróquia São Caetano encerrou uma etapa com gratidão e iniciou outra com o mesmo chamado que atravessou toda a celebração: seguir Cristo, o Bom Pastor, e aprender com Ele a cuidar do povo que Deus confia à Igreja.





