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Diocese de Santo André

Santuário Senhor do Bonfim é dedicado a Deus no Dia do Perdão de Assis

No dia 2 de agosto, o Santuário Senhor do Bonfim, no Parque das Nações, em Santo André, celebrou a dedicação de sua igreja e de seu altar. Em uma celebração presidida pelo bispo diocesano, Dom Pedro Carlos Cipollini, a igreja e o altar foram solenemente dedicados a Deus. O rito, ainda pouco conhecido por muitos fiéis, reuniu gestos que expressaram a entrega definitiva daquele templo para a oração, a celebração dos sacramentos e o anúncio do Evangelho.

A dedicação aconteceu no Dia do Perdão de Assis, data profundamente ligada à espiritualidade franciscana e à experiência de São Francisco na pequena igreja de Nossa Senhora dos Anjos, a Porciúncula. Participaram da celebração o ministro provincial da Província São Francisco de Assis dos Frades Menores Conventuais, Frei José Hugo dos Santos; Frei Rogério Xavier, assistente geral da Ordem para a América Latina; o pároco e reitor do Santuário, Frei Carlos Alberto Queiroz; além de frades, padres, diáconos, seminaristas, religiosos, religiosas e fiéis.

Desde o início, a assembleia percebeu que aquela celebração teria uma forma própria. No lugar do ato penitencial habitual, Dom Pedro abençoou a água e percorreu a igreja aspergindo o povo de Deus, as paredes do templo e o altar. O gesto recordou o Batismo e mostrou que, antes de dedicar o edifício de pedra, a Igreja reconhece a santidade do povo que ali se reúne, formado por homens e mulheres chamados a serem morada do Espírito Santo.

Após a aspersão, a celebração prosseguiu com o Hino de Louvor, a oração e a Liturgia da Palavra. Na homilia, Dom Pedro explicou que a dedicação não se limitava ao edifício, pois a Igreja é formada, antes de tudo, pelas pessoas que acolhem a fé e se reúnem em nome de Cristo.

“O verdadeiro santuário é feito de pedras vivas, de pessoas. Porém, esse santuário de pedras vivas precisa de um local para se reunir. Por isso nós temos as nossas igrejas de pedra, que são abençoadas neste ritual que se chama dedicação da Igreja”, afirmou.

O bispo recordou que Jesus é o verdadeiro Santuário, porque nele Deus habita no meio da humanidade. Pelo Batismo, os cristãos também se tornam pedras vivas dessa construção espiritual. O templo dedicado naquela noite seria, portanto, a casa onde esse povo continuaria a escutar a Palavra, celebrar a Eucaristia, receber o perdão e encontrar forças para a missão.

Dom Pedro também falou sobre a importância do Senhor do Bonfim para toda a Igreja diocesana. “Estamos hoje dedicando esse espaço para ser um local sagrado, onde se reúne o santuário de pedras vivas para louvar a Deus. É um local significativo não somente para a Ordem dos Franciscanos Conventuais, mas para toda a nossa Diocese, porque é um santuário diocesano. Santuário é um polo missionário, lugar de acolhida e envio em missão”, explicou.

Ao voltar o olhar para a história da comunidade, o bispo lembrou a acolhida oferecida aos migrantes que chegaram ao Parque das Nações e encontraram ali um lugar para rezar, reconstruir a vida e cultivar a devoção. A pequena comunidade cresceu, tornou-se paróquia e, mais tarde, Santuário Diocesano. Essa mesma acolhida, segundo Dom Pedro, deve continuar acompanhada pelo compromisso missionário.

“As cruzes colocadas nas paredes do Santuário são símbolo dos doze apóstolos missionários do Evangelho. A Igreja que se reúne aqui deve ser uma Igreja que acolhe, mas também uma Igreja que envia em missão”, disse.

Uma das imagens mais bonitas da homilia foi utilizada pelo bispo para explicar a missão espiritual de um santuário dentro da Diocese. “Um santuário é uma árvore plantada em uma Igreja particular, para que nela venham inúmeros pássaros fazer seus ninhos, alimentar-se de seus frutos e encontrar segurança. É aqui que a Eucaristia é celebrada para alimentar com o Pão da Vida. É aqui também que se distribui o perdão de Deus por meio do Sacramento da Reconciliação.”

Ao relacionar a celebração ao Dia do Perdão de Assis, Dom Pedro apontou para Cristo crucificado, o Senhor do Bonfim, que ocupa o centro da vida da Igreja e da espiritualidade de São Francisco. “Como poderemos celebrar melhor este Dia do Perdão de Assis, a não ser dedicando este local para ser um lugar de perdão, de misericórdia e de paz, como uma árvore frutífera na vinha do Senhor?”, questionou.

Depois da profissão de fé, a assembleia cantou a Ladainha dos Santos, pedindo a intercessão da Virgem Maria e dos santos para que aquela igreja se tornasse casa de salvação e de graças. Em seguida, foram depositadas no altar as relíquias de primeiro grau de São Pio X e Santa Maria Goretti.

Com as relíquias colocadas, Dom Pedro pronunciou a solene oração de dedicação da igreja e do altar. Nela, pediu que naquele lugar os fiéis pudessem celebrar o memorial da Páscoa, alimentar-se da Palavra e do Corpo de Cristo e elevar suas orações pela salvação do mundo. A prece pediu ainda que os pobres encontrassem misericórdia, os oprimidos alcançassem a verdadeira liberdade e todos reconhecessem a dignidade de serem filhos e filhas de Deus.

A celebração seguiu com a unção do altar e das paredes com o Santo Crisma. Dom Pedro derramou o óleo sobre o altar, enquanto as cruzes distribuídas pelas paredes do Santuário também foram ungidas. O gesto expressou a presença de Cristo e recordou os Apóstolos, fundamentos da Igreja e enviados a anunciar o Evangelho.

Depois, o incenso foi aceso sobre o altar e levado por toda a igreja. Sua fumaça representou as orações do povo que sobem até Deus e o chamado para que a comunidade espalhe no mundo o perfume de Cristo. O altar foi então enxugado, revestido com a toalha e preparado para receber o pão e o vinho.

Ao proclamar que a luz de Cristo deveria resplandecer na Igreja e conduzir os povos à verdade, Dom Pedro entregou a chama para o acendimento das velas. Frei José Hugo percorreu o Santuário acendendo as demais luzes e, pouco a pouco, todo o templo foi iluminado. Somente depois desses sinais o altar dedicado recebeu as oferendas para a celebração da Eucaristia.

Ao final da Missa, Frei Rogério Xavier transmitiu a saudação do ministro geral da Ordem dos Frades Menores Conventuais, Frei Carlos Trovão. Em sua mensagem, falou da memória que torna sagrados os lugares onde o povo vive sua experiência com Deus e reconheceu a história franciscana presente nas paredes do templo, na vida dos frades e na fé da comunidade.

Frei José Hugo agradeceu a todos os que colaboraram com a celebração e manifestou sua gratidão a Dom Pedro pela entrega das relíquias. O bispo explicou que elas haviam pertencido a Dom Jorge Marcos de Oliveira, primeiro bispo da Diocese de Santo André, e foram veneradas por ele. A partir da dedicação, permanecerão junto ao altar e poderão ser veneradas pelos fiéis que visitarem o Santuário.

Como registro permanente daquele dia, Dom Pedro, Frei José Hugo e o pároco e reitor do Santuário, Frei Carlos Alberto Queiroz, descerraram a placa de dedicação. O sinal guarda a memória da noite em que o altar, as paredes e toda a vida reunida naquela igreja foram solenemente entregues a Deus, para que o Santuário Senhor do Bonfim continue sendo casa de oração, acolhida, perdão e envio missionário.

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