Diocese de Santo André

Série Dia dos Pais: a Paternidade de Deus em nossas vidas

A Diocese de Santo André preparou mais uma série especial, desta vez em homenagem ao Dia dos Pais. De sexta a domingo (07 a 09/08), você conhecerá os conceitos e características da paternidade. Neste primeiro capítulo falaremos sobre a Paternidade de Deus Criador e as relevantes qualidades dessa particularidade.

Para falar sobre o assunto convidamos o vigário geral e moderador da Cúria Diocesana, Pe. Ademir Santos de Oliveira, e o diretor da Escola Diocesana de Teologia, Pe. Paulo Afonso. Acompanhe:

Conceitos

Pe. Ademir revela que na verdade, o conceito da paternidade de Deus Pai Criador é que Ele nos concedeu a vida como um transbordamento do Seu amor por nós.

“Quando nós cristãos chamamos a Deus de Criador, de Nosso Pai, está por detrás disso uma ideia, uma experiência muito relacional de diálogo e de amor. Deus não é somente um ser poderoso que nos chamou a vida, nos criou com suas mãos, mas também Ele nos ama”, sintetiza o pároco da Paróquia São Judas Tadeu, em Santo André.

Por sua vez, Pe. Paulo explica que tanto o Antigo quanto o Novo Testamento trazem referências de metáforas e analogias sobre os atributos humanos dados a Deus e a noção de paternidade.

“O Antigo Testamento diz que Deus é Criador e vai dar atributos a Deus que são humanos, como a vingança, o ciúme, e assim por diante, que vemos evoluindo a partir da experiência de Deus, no momento em que o próprio Cristo, no Novo Testamento, vai chamá-lo de Pai; e aí, esse nome, apesar de ter todo o pano de fundo patriarcal, judeu à época, da própria cultura, vai também mostrar um rosto que a gente chama de rosto paterno de Deus”, aprofunda o sacerdote, ao indicar que a metáfora para essa palavra Pai também expressa um tipo de amor divino, do carinho e da relação com o Criador.

Características

Entre os traços importantes dessa paternidade divina, a dádiva da vida é a que norteia a nossa existência.

“Ele quer partilhar a sua vida conosco. Não somos só as suas criaturas, nos tornamos seus filhos e suas filhas. Ele é um Pai, portanto, que acolhe, que socorre, que educa para a vida e na vida. Ele também dá o exemplo com o seu próprio agir de bondade, de justiça, de verdade e de amor”, aponta Pe. Ademir.

Entretanto, Pe. Paulo elucida outra característica presente quando falamos que somos criados à imagem e semelhança de Deus, ao dizer que em Deus existe um lado de paternidade e maternidade, recorrendo novamente ao Antigo Testamento para falar sobre misericórdia, do amor e do carinho que se utiliza de elementos maternos.

“Abordando o Novo Testamento, o próprio Cristo fala, a partir de uma visão, vamos dizer feminina a respeito de Deus, para falar um pouco desse carinho que Ele tem. São atributos muito bonitos, mas querem trazer um jeito próprio de ser de Deus, que não é somente a complacência, a misericórdia, porque se não entenderemos essa relação a partir dessa base, mas é uma imagem de Deus onde Ele quer valorizar um jeito próprio de ser humano nessa relação com o homem e a mulher”, complementa o pároco da Paróquia São João Batista, no Rudge Ramos, em São Bernardo.

Acompanhando os passos

De acordo com Pe. Ademir, a paternidade de Deus também representa aquele cuidado com os mais frágeis e apoio aos pequenos e indefesos, protegendo-os, assim como aquele pai ampara a criança que vai engatinhando e aprendendo a dar os primeiros passos.

“E mesmo quando caímos, é Ele que nos reergue e nos dá confiança de novo de continuar a nossa caminhada. Ele é Pai também porque escuta, com o coração cheio de misericórdia voltado para todos nós, seus filhos e filhas. Ele é Pai porque ama, e quando ama não pode viver sem partilhar conosco a sua própria vida, a vida divina, a vida de amor”, medita.

Liberdade, dom de Deus

Corriqueiramente ouvimos a palavra livre-arbítrio e surgem diversas explicações para tal expressão. Alguns analisam como algo relativo aos atos como consequência de suas escolhas. Outros como uma liberdade que Deus nos dá para optarmos pelo caminho que pretendemos trilhar, seja para o bem, seja para o mal.

Pe. Paulo recorre a uma reflexão de um dos grandes pioneiros da música católica no país, Pe. Zezinho. “Deus enquanto Criador vai além daquilo que cria, porque Ele é um Pai que certamente conduz, mas não empurra. Ele assinala e aponta, mas a sua condução de certa maneira, segura a nossa mão, mas não pode segurá-la o tempo inteiro. Porque se fosse assim, o mundo não teria liberdade”, analisa.

O presbítero prossegue. “Já pensou se Deus fosse um pai que estaria a todo instante determinando os nossos caminhos, nos tirando do perigo, não deixando que fizéssemos as escolhas erradas? Seria um mundo perfeito. Mas a nossa liberdade é um dom de Deus. E isso faz parte da sua criação, um Deus que continua criando a partir dessa liberdade e que vai de certa maneira nos ajudando a dar passos, como um pai que ensina a criança a andar de bicicleta. Ele segura e acolhe, mas algumas vezes a criança cai e se machuca. Enfim, é um Deus que pede a nossa iniciativa”, finaliza.

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