Diocese de Santo André

SINODALIDADE EM AÇÃO: Assembleia Diocesana elege Pastoral de Conjunto, Família e Juventude como pilares do 9º Plano de Pastoral

O relógio marcava o início da manhã da quinta-feira, 20 de novembro, e o ambiente já vibrava com o burburinho de reencontros e a alegria do serviço. A Diocese de Santo André não apenas realizou uma reunião administrativa; viveu um dia histórico de comunhão e corresponsabilidade. Mais de 400 pessoas, entre leigos e leigas, religiosos, religiosas, seminaristas, diáconos e padres, chegaram cedo, trazendo no rosto o sorriso de quem se sente parte viva da Igreja.

Acolhidos calorosamente pelo Vigário Episcopal para a Pastoral, Padre Everton Gonçalves Costa, e pelo nosso bispo diocesano, Dom Pedro Carlos Cipollini, os participantes experimentaram, na prática, a sinodalidade que vem sendo tecida desde as assembleias paroquiais e através das dez foranias. A mesa de condução, composta também pelo Vigário Geral, Padre Joel Nery, e pelo Vigário Episcopal para a Caridade Social, Padre Ryan Holke, refletia a unidade do clero com o Povo de Deus.

Escuta: o primeiro passo do planejamento

Às 8h30, o barulho deu lugar ao recolhimento. A oração inicial reuniu a todos diante da Palavra, recordando que o planejamento pastoral não é estratégia empresarial, mas resposta a Deus. Nos grupos de trabalho, a metodologia da “Conversação no Espírito” transformou a dinâmica habitual: o debate cedeu espaço ao silêncio orante, às partilhas breves e à escuta atenta. As indicações das foranias, Juventudes, Famílias, Pastoral de Conjunto, Catequese, Missão, Formação, Inclusão e Comunicação, foram debatidas como sonhos de evangelização realizáveis.

A Homilia: “A Alegria do Evangelho é a nossa força”

O ponto alto da manhã foi a Santa Missa. Em sua homilia, Dom Pedro conduziu a assembleia a uma profunda reflexão sobre a videira e os ramos, enfatizando que a eficiência pastoral é inseparável da mística. Atendendo ao apelo de uma Igreja que não apenas “faz”, mas que “é”, o bispo dedicou palavras fortes sobre a natureza da nossa missão:

“A alegria de cada anúncio nasce do encontro com o Ressuscitado. Não somos funcionários de uma instituição, somos discípulos amados. Se o nosso planejamento não transbordar a alegria do Evangelho, ele será apenas letra morta. É preciso que cada objetivo escolhido hoje seja um reflexo do amor de Deus que nos impulsiona a sair de nós mesmos e ir ao encontro do outro, especialmente dos que mais sofrem. A evangelização não é um peso, é a maior felicidade de quem encontrou o Tesouro.”

Sobre a sinodalidade vivida, Dom Pedro reforçou que este não é um modismo, mas a identidade da Igreja primitiva resgatada para os dias de hoje:

“Viver a sinodalidade é ter a coragem de caminhar juntos, mesmo quando os passos são diferentes. É a conversão das relações: deixar de lado o ‘meu’ projeto para abraçar o ‘nosso’ projeto eclesial. A Pastoral de Conjunto que tanto almejamos só acontece quando superamos os isolamentos e entendemos que, na Igreja, ninguém é bom sozinho. A sinodalidade é o antídoto contra o clericalismo e contra o individualismo que adoece a comunidade.”

Por fim, o bispo exortou sobre a unidade fraterna como condição para que o mundo creia:

“Sem mim nada podeis fazer, disse o Senhor. E eu completo: sem a união entre nós, o testemunho se perde. A unidade fraterna é o primeiro e mais eloquente sermão que podemos pregar. Que as prioridades que vamos eleger não sejam apenas metas de papel, mas laços de amor que unam nossas paróquias, pastorais e movimentos num só corpo, o Corpo de Cristo, a serviço da vida plena para todos no Grande ABC.”

Leia a homilia completa, clicando aqui.

As escolhas da Diocese: um olhar de Futuro

Após o almoço, o momento decisivo chegou. Num exercício de democracia eclesial, a assembleia votou as três prioridades que nortearão o 9º Plano Diocesano de Pastoral. O resultado desenhou o rosto da nossa Igreja para os próximos anos:

  1. Pastoral de Conjunto (97 votos)
  2. Famílias (88 votos)
  3. Juventude (77 votos)

As demais indicações seguiram a ordem: Catequese (47), Inclusão (35), Missão (17), Comunicação (9) e Formação (8).

Mas o que significam esses números? Ao refletir sobre a escolha da Pastoral de Conjunto, Dom Pedro destacou que ela é “transversal” e exige uma mudança de postura: “Para termos uma verdadeira pastoral de conjunto, precisamos da conversão dos nossos relacionamentos. É a busca de sermos uma Igreja onde todos caminham juntos”.

Sobre a urgência da Família, o bispo foi enfático ao conectá-la à Iniciação à Vida Cristã. Para ele, a prioridade é a “família aberta ao mundo”, e não fechada em si mesma. “Não se compreende a família cristã sem o Batismo. É a catequese que coloca no coração do jovem a compreensão do que é uma família segundo Jesus”, analisou.

A eleição da Juventude como terceira prioridade também foi celebrada com uma provocação carinhosa do pastor: “Temos paróquias do Menino Jesus, de Cristo Operário, mas não temos uma paróquia de ‘Jesus Jovem’, embora Ele tenha sido jovem”, lembrou Dom Pedro. Ele reforçou que o jovem cristão hoje é muito exigido e, às vezes, até massacrado pelo mundo, precisando de raízes fortes: “O jovem na Igreja merece e precisa de maior atenção, para ter o orgulho santo de seguir Jesus”.

O Envio: a missão continua

Com o cair da tarde e a missão cumprida, o sentimento de gratidão tomou conta do auditório. Mas o encerramento não foi um ponto final; foi um envio missionário e um compromisso de trabalho contínuo.

O Padre Joel, tomou a palavra para explicar o rigoroso processo que se inicia agora. Ele assegurou que nada do que foi discutido se perderá, pois todo o conteúdo gerado pelos grupos será a matéria-prima para a redação do documento final:

“Neste dia em que vivemos a Assembleia, todo aquele material que veio indicado das foranias, que nasceu lá na base, em cada paróquia, foi o nosso material de votação. Nós trabalhamos a tal da ‘Pastoral de Conjunto’ na prática hoje. Agora, todo o material produzido pelos grupos de trabalho aqui na assembleia — todas as atas, as sínteses e as propostas — será reunido. A Coordenação Diocesana de Pastoral vai se debruçar sobre esse conteúdo para, em fevereiro, apresentar-nos o Plano Diocesano de Pastoral pronto, sistematizado com as propostas que vocês elegeram.”

Em seguida, o Padre Everton , visivelmente emocionado com o resultado dos trabalhos, fez um apelo para que o espírito daquele dia transborde para a realidade local:

“Quero agradecer a cada um pelo empenho, pela dedicação de estar aqui desde cedo. Obrigado por cada gesto de serviço e, principalmente, pela unidade que construímos hoje. Mas o trabalho não termina aqui; ele recomeça. Agora é hora de fazermos acontecer. É hora de levar essa chama para nossas paróquias. Que a ação evangelizadora seja, de fato, em comunhão, em cada comunidade do Grande ABC.”

Por fim, Dom Pedro concluiu a assembleia com a solene benção de envio. O bispo resumiu o desejo de toda a Igreja Particular de Santo André em um voto de esperança:

“Que o Espírito Santo nos ilumine daqui para frente mais ainda. Que Ele nos dê a graça para praticarmos tudo aquilo que Ele mesmo nos inspirou a escolher nesta bela e participada Assembleia. Não tenham medo. O Senhor caminha conosco. Ide em paz e anunciai o Evangelho com alegria!”

Sob aplausos e abraços fraternos, a Diocese de Santo André encerrou o dia com a certeza de que o 9º Plano de Pastoral não será apenas um documento de gaveta, mas um compromisso vivo, tecido a muitas mãos, de caminhar juntos rumo ao Reino de Deus.

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