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Diocese de Santo André

QUARESMA: CHAMADO À CONVERSÃO

Coisas maravilhosas acontecem, como por exemplo, o cientista afirmando que o Universo foi projetado (Astrofísico Willie Soon da Harvard University). Com base em dados matemáticos de precisão concluiu que as equações da natureza seguem uma lógica rigorosa indicando a existência de uma ordem intencional e argumenta: a harmonia dos números aponta para a presença de um criador. É a ciência comprovando o que diz a fé. Mas por outro lado presenciamos acontecimentos horríveis envolvendo o pior lado da natureza humana cujo resumo está na capacidade de explorar, torturar e matar, promovendo guerras com seu corolário em doenças e fome.

            Por isso há necessidade de conversão: deixar de fazer o mal e passar a praticar o bem. A bondade está inscrita no íntimo de cada um. Tudo o que Deus criou é bom. Porém o ser humano tem a capacidade de perverter esta bondade e praticar o que é mal. É o que a Bíblia chama de pecado. João Batista chamou à penitência e Jesus inicia seu ministério com um apelo “Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, convertei-vos, e crede no Evangelho” (Mc 1,15).

Na Quarta-Feira de Cinzas a Igreja inicia este tempo penitencial por excelência. É o início da Quaresma, quarenta dias de escuta da Palavra de Deus, reflexão e busca de conversão. Este dia marca um período no qual nos preparamos para celebrar a Páscoa, celebração culminante de todas as celebrações de nossa fé. Páscoa é a “passagem” da morte para a vida.

Receber as cinzas tem profundo significado: reconhecer-se pecador e ser solidário com os pecadores que desejam fazer penitência. Nos primeiros tempos da Igreja, os pecadores que haviam cometido pecados graves eram cobertos de cinzas e numa encenação pública, eram afastados da comunidade, como Adão e Eva foram expulsos do paraíso. O sacerdote lhes dizia: “Lembra que és pó e ao pó às de voltar” (Gn 3,19). A penitência pública se perdeu ao longo do tempo, mas o rito de colocar as cinzas se conservou, agora estendido a todos os fiéis.

O período quaresmal tem um teor pascal-batismal. Somos convidados a voltar à nossa pia batismal. Ali se deve tomar consciência da grandeza e beleza do batismo que nos tirou do reino das trevas do pecado, para nos colocar no reino da Luz que é Cristo. O Reino de Deus chegou para os que desejam mudar de vida e caminhar com Cristo passando com Ele pela Cruz a fim de participar de sua glória (cf. Rm 8,17).

A Igreja nos sugere iniciar um caminho penitencial, no qual, devemos nos arrepender de nossos pecados, pensar nas consequências sociais dos pecados, rezar pelos pecadores, escutar com mais frequência a Palavra de Deus, praticar o jejum, as obras de caridade, tanto corporais como espirituais, e sobretudo a oração.

Liturgia da Igreja nos chama a uma atenta escuta da Palavra, a fim de nos convertermos a Deus e ao seu Projeto” (Texto Base da CF, n°11). Acolhamos com alegria e renovada esperança, o tema da Campanha da Fraternidade deste ano: “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo.1,14).

Toda Comunidade Eclesial deve ser orientada e motivada, desde o começo da Quaresma para o gesto concreto da CF, que expressa a conversão do coração, verdadeira mudança de vida que se dá a partir do encontro pessoal com Jesus Cristo. Deste encontro brota naturalmente o compromisso com a fraternidade, com a vida de santidade e serviço ao próximo.

+Dom Pedro Carlos Cipollini
Bispo de Santo André

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