A escolha do lema sacerdotal acompanha a história pessoal e espiritual de cada ordenando. Mais do que uma frase bíblica, ele expressa a forma como cada um leu a própria caminhada vocacional e compreendeu o chamado de Deus que agora se concretiza no ministério presbiteral.
Para o diácono Fernando Oliveira do Nascimento, o lema “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20) traduz um caminho amadurecido muito antes da decisão pelo sacerdócio. Ele recorda que esse versículo sempre esteve presente como projeto de vida, moldado no serviço constante à Igreja, em âmbito paroquial, forâneo e diocesano. A entrega cotidiana e o desejo crescente por Cristo foram conduzindo suas escolhas até o ponto em que outros caminhos deixaram de fazer sentido.
“Esse lema eu já carregava como um projeto de vida muito antes de pensar em ser padre. A entrega no serviço foi despertando em mim um desejo tão intenso por Cristo que já não desejava outra coisa”, partilha.
Já o lema do diácono Maurício Antônio Borges, “De bom grado, eu me gloriarei das minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim” (2Cor 12,9b-10), nasceu de um momento simples e profundo de oração, ao rezar o Ofício Divino, na casa de sua mãe. Foi ali que a Palavra encontrou sua história pessoal e iluminou fragilidades, limites e dificuldades. Ao reconhecer suas fraquezas, ele compreendeu que não precisava viver sob o peso da autocobrança, mas permitir que Deus agisse justamente a partir delas.
“Foi quando percebi que não preciso me cobrar o tempo todo, mas rezar e oferecer minhas limitações, deixando que Deus aja. É na fraqueza que Ele faz maravilhas”, explica. Inspirado também pelo chamado de Davi, escolhido por Deus quando ninguém esperava, Maurício reconhece que a lógica divina sustenta e conduz a vocação.
No lema do diácono Wellington Batista Silva de Aquino, “Faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1,38), a figura de Maria ocupa lugar central. Ele recorda que, assim como a Mãe do Senhor foi surpreendida pelo anúncio do anjo em um dia comum, também o chamado ao sacerdócio chegou de forma inesperada em sua vida. Houve questionamentos, medo e incertezas, mas, pela graça de Deus, foi possível responder com um sim confiante.
“Esse lema me lembra do início da minha vocação e também do futuro. Ele é um projeto para a vida inteira, para cada decisão, para cada momento em que a vontade de Deus se apresentar”, afirma.
Para Wellington, a frase de Maria aponta ainda para Cristo, a Palavra eterna do Pai que se fez carne. Seguir essa Palavra é assumir o sacerdócio como configuração a Cristo, modelo de vida e de ministério. Após mais de dez anos desde o primeiro chamado, ele reconhece que, mesmo quando o sim vem misturado com fragilidade, Deus realiza sua obra.
“Quando dizemos o nosso faça-se, mesmo com confusão e fraqueza, Deus faz a parte d’Ele e realiza milagres”, testemunha.
Unidos por trajetórias diferentes, mas pela mesma confiança na ação de Deus, os diáconos Fernando, Maurício e Wellington se aproximam do altar conscientes de que é o Senhor quem conduz, sustenta e faz florescer cada vocação.
A Diocese de Santo André convida todos os fiéis a participarem da Ordenação Presbiteral, que será celebrada neste sábado, 24 de janeiro, às 9h, no Santuário Senhor do Bonfim, em Santo André. Em comunhão e oração, o povo de Deus é chamado a acompanhar este momento de graça, no qual a Igreja acolhe novos presbíteros para o serviço do Evangelho e das comunidades.