A Diocese de Santo André iniciou o tempo da Quaresma com a celebração da Quarta-feira de Cinzas, 18 de fevereiro, reunindo fiéis, padres, diáconos, religiosos e religiosas e os seminaristas na Catedral Nossa Senhora do Carmo. A liturgia marcou a entrada em um período de preparação para a Páscoa e trouxe, no mesmo dia, a abertura da Campanha da Fraternidade 2026, que neste ano tem como tema Fraternidade e Moradia e lema Ele veio morar entre nós (Jo 1,14).
Na homilia, o bispo diocesano, Dom Pedro Carlos Cipollini, situou a Quaresma como caminho de preparação para celebrar a vitória de Cristo na Ressurreição. Ele recordou que esse tempo pede uma decisão interior que reorganiza a vida. “A Quaresma é um tempo para intensificar nossa conversão. Mudar de vida, reformar nossa vida, organizá-la para que seja mais de acordo com o Evangelho”, afirmou, retomando a exortação do profeta: “Voltai-vos para o Senhor… rasgai o coração”.
Ao comentar o Evangelho do dia, Dom Pedro apresentou as três práticas concretas indicadas por Jesus para uma conversão sem aparência. Falou da oração como diálogo com Deus e meditação da Palavra, do jejum como revisão da relação com bens e dinheiro, e da esmola como partilha real. Ao aprofundar o sentido dessa partilha, ele lembrou que a fé se prova no cuidado com o irmão. “Deus é nosso Pai e somos todos irmãos”, disse, explicando que, ao socorrer quem necessita, o cristão se une ao cuidado do Pai por seus filhos.
Em seguida, Dom Pedro ampliou o olhar para além do âmbito pessoal e insistiu que conversão cristã também tem consequência social. “A conversão deve ser não só pessoal, mas comunitária e social”, afirmou, recordando que a penitência não pode ficar apenas no interior de cada um. Dentro desse horizonte, apresentou a Campanha da Fraternidade como itinerário quaresmal para viver com coerência o que se celebra, e alertou para a tentação de trocar o amor-serviço pelo caminho do poder. “A tentação de todos os cristãos é a mesma que sofreu Jesus: deixar o caminho do amor-serviço para trilhar o caminho do poder”, afirmou, lembrando que Cristo venceu e que a Igreja é chamada a vencer com Ele.
Ao tratar diretamente do tema da moradia, Dom Pedro trouxe perguntas que tocam a realidade do país e apontou o quanto o direito à casa está ligado à justiça social. Ele recordou que moradia é direito e porta de entrada para outros direitos, e relacionou o lema bíblico à própria vida de Jesus. “Jesus veio morar entre nós. Não havia lugar para ele em Belém… Jesus teve que nascer em uma gruta”, afirmou, concluindo com um convite ao compromisso concreto para que todos tenham casa, especialmente em um país grande, onde o desafio não é falta de terra, mas falta de justiça.
Imposição das cinzas: sinal simples, chamado forte
Após a homilia, a celebração chegou ao seu gesto mais característico: a bênção e imposição das cinzas. Em clima de silêncio e recolhimento, os fiéis se aproximaram para receber sobre a cabeça o sinal penitencial que abre a Quaresma e recorda, de modo muito direto, a fragilidade humana e a urgência de recomeçar. As palavras do rito conduziram a assembleia ao essencial: conversão de coração e fidelidade ao Evangelho.
Convite às comunidades
Ao final, o Diácono Marcelo Cavinatto, assessor eclesiástico da Campanha da Fraternidade na Diocese, fez um apelo para que as paróquias e comunidades formem grupos de reflexão durante a Quaresma, com encontros semanais sobre o tema e o lema. A Comissão Diocesana da Campanha da Fraternidade esteve presente na celebração, reforçando o chamado para que esse caminho alcance a vida concreta das comunidades.
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