Diocese de Santo André

Entre a Cruz adorada e o silêncio das ruas, Diocese viveu a Sexta-feira Santa em oração e contemplação

No segundo dia do Tríduo Pascal, a Diocese de Santo André viveu a Sexta-feira Santa, 3 de abril, em clima de profundo recolhimento. À tarde, Dom Pedro Carlos Cipollini presidiu a Celebração da Paixão do Senhor na Capela São Judas Tadeu, no Jardim Represa, em São Bernardo do Campo, pertencente à Paróquia Santo Antônio, do Batistini, ao lado do pároco, Padre José Herculano Vicente. Com a capela lotada, os fiéis se reuniram para contemplar o mistério da Paixão e Morte de Cristo, numa celebração marcada pelo silêncio, pela escuta da Palavra, pela grande oração da Igreja, pela adoração da Santa Cruz e pela Sagrada Comunhão.

Desde o início, a liturgia conduziu a assembleia ao coração deste dia santo. Em silêncio, o celebrante e os ministros se aproximaram do altar, e a comunidade se colocou de joelhos, dando à celebração um tom de reverência e entrega. Na Liturgia da Palavra, foram proclamados o cântico do Servo Sofredor, do profeta Isaías, a Carta aos Hebreus e, de modo especial, a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo João, que levou os fiéis do horto até o Calvário, passando pela prisão, pelo julgamento, pela condenação e pela crucifixão de Jesus.

A proclamação do Evangelho fez a assembleia acompanhar os últimos passos de Jesus com intensidade ainda maior. Quando ressoaram as palavras “Tudo está consumado”, seguidas do momento em que Jesus entrega o espírito, toda a comunidade se ajoelhou e permaneceu em pausa silenciosa, contemplando o ápice da entrega do Senhor na cruz. Foi um daqueles instantes em que a liturgia fala também pelo silêncio, e em que cada fiel é convidado a permanecer diante do mistério com o coração voltado para o Crucificado.

Em sua homilia, Dom Pedro recordou o sentido daquele momento vivido com a comunidade e saudou os fiéis reunidos na capela. “Estamos reunidos neste momento solene, celebrando a paixão e morte de Cristo, nessa Sexta-feira Santa, segundo dia do Tríduo Pascal”, afirmou. Ao explicar sua presença em São Bernardo do Campo, reforçou também o caráter missionário do ministério episcopal ao dizer que “o bispo tem que ser missionário, não pode ficar só na casa dele”.

Num segundo momento, o bispo aprofundou a pergunta que atravessa a Sexta-feira Santa: por que Jesus sofreu daquela forma, se tinha poder para se livrar? Para responder, recorreu a uma imagem forte e muito concreta. Disse que o mundo se parece com uma casa em chamas, consumida pelo pecado, pelo ódio, pela violência e pela guerra, e que Cristo entra nesse incêndio para salvar seus filhos. “Esse mundo é um incêndio de tanta maldade, pecado, ódio, violência, guerra”, afirmou. Em seguida, completou: “Jesus entra no incêndio”, não para aumentar o mal, mas para resgatar a humanidade do que a destrói.

Ao desenvolver essa reflexão, Dom Pedro recordou que o Reino de Cristo não se impõe pela força, mas pelo amor que se faz serviço. “O meu reino não é deste mundo”, disse, retomando as palavras do Evangelho proclamado. E explicou que o Reino de Jesus é “o reino do amor, um amor serviço que não é sentimentalismo”. Fazendo ligação com o que a Igreja havia celebrado na noite anterior, lembrou que esse amor se torna concreto no serviço ao irmão, no bem praticado e na recusa de responder ao mal com mais mal.

A homilia também insistiu que a morte de Jesus não é derrota. Dom Pedro afirmou: “Jesus não é um derrotado”. E prosseguiu: “Ele passou pela morte, morreu, mas Ele venceu ao morrer”. A partir daí, exortou os fiéis a compreender que seguir Jesus exige decisão concreta e vida coerente. “O seguimento de Jesus não é uma fantasia, mas é uma prática”, afirmou, lembrando ainda que “uma fé sem obras é morta”. Para o bispo, a paixão de Cristo revela justamente as obras do amor: paciência, misericórdia, perdão, bondade e fidelidade até o fim.

Depois da homilia, a celebração seguiu com a grande oração universal, na qual a Igreja alarga seu olhar e intercede por toda a humanidade. A assembleia rezou pela Igreja, pelo Papa, pelos bispos, presbíteros e diáconos, pelos catecúmenos, pela unidade dos cristãos, pelos judeus, pelos que não creem em Cristo, pelos que não creem em Deus, pelos governantes e por todos os que sofrem. Nesse momento, o gesto de ajoelhar-se deu ainda mais força à súplica comum, expressando o recolhimento de um povo que, diante da Paixão do Senhor, se coloca em oração pelo mundo inteiro.

Foi nesse clima de escuta, silêncio e intercessão que a adoração da Santa Cruz ganhou ainda mais força. Voltando os olhos para o Madeiro Santo, a comunidade foi convidada a contemplá-lo não apenas como sinal de sofrimento, mas como expressão máxima do amor de Cristo, que se entrega para a redenção de todos. Ao convite “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo”, a resposta da assembleia resumiu o sentido daquele gesto: “Vinde, adoremos”. Um a um, os fiéis se aproximaram para venerar a Cruz, num gesto de reverência, gratidão e desejo sincero de permanecer com Jesus no caminho da fidelidade.

Após a adoração da Cruz, os fiéis receberam a Sagrada Comunhão, e a celebração foi concluída em silêncio, como pede este dia. Sem bênção final e sem dispersão apressada, a comunidade deixou a capela ainda mergulhada na contemplação da Paixão do Senhor, carregando no coração a imagem do Crucificado e a certeza de que a cruz, para os cristãos, não é sinal de fracasso, mas de amor levado até o fim.

Mais tarde, já em São Caetano do Sul, Dom Pedro participou da Procissão do Cristo Morto, caminhando pelas ruas do centro da cidade com os fiéis da Paróquia Sagrada Família, matriz do município, ao lado do pároco, Padre Paulo Borges Morais, CSS, do Padre José Nobre e do vigário, Padre José Aguiar Nobre, CSS. A procissão prolongou pelas ruas a meditação vivida durante a tarde, reunindo o povo em oração, silêncio e contemplação do corpo de Cristo entregue pela salvação do mundo.

Ao final da procissão, Dom Pedro retomou o sentido mais profundo da Sexta-feira Santa e recordou que o que salva a humanidade não é a dor em si, mas o amor com que Jesus assumiu sua paixão e sua morte. Também recordou que Deus não abandona o ser humano em meio ao pecado, mas envia o Filho para manifestar esse amor até o extremo. Na sequência, convidou os fiéis a escolherem seguir Jesus com um amor que se torna serviço, fidelidade e vida fraterna, renovando diante da cruz o desejo de permanecer com o Senhor.

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