Pular para o conteúdo principal

Diocese de Santo André

SOFRIMENTOS DE CRISTO

Estamos na Semana Santa, nela a Igreja comemora a Paixão, morte e ressurreição de Jesus. O convite vai no sentido de, primeiramente, contemplar Jesus Crucificado. Ele encarna o sofrimento humano no seu grau mais agudo. Por outro lado, a partir daí, somos convidados a refletir no sofrimento que se instala na nossa realidade social. Olhando ao redor nos defrontamos com tanta dor e sofrimento que atingem a população de várias formas. Os rostos sofridos aparecem de várias maneiras em uma sociedade na qual os pobres são “descartáveis”.

Nem toda dor tem a mesma causa. São tantas as causas: ódio, exploração, vingança, doença, velhice, desastres, engano, ignorância, desespero, injustiça, a dor que nasce de um grande amor etc., nunca acabaríamos de enumerá-las. Todos os dias se pode ver, nas transmissões ao vivo nas mídias, as dores do mundo, de forma mais dramática, relatos de zonas de guerra onde o sofrimento é terrível. Então surge a pergunta pelo sentido de tanto sofrimento.

Existem muitas explicações que apontam causas econômicas, sociais, políticas, culturais e religiosas. Elas devem ser feitas, ajudam a compreender muito dos motivos de tanta dor. Porém não bastam. As explicações se perdem quando nos deparamos com o sofrimento do inocente, com o justo que sofre.

É aí que a Palavra de Deus, contida na Bíblia indica a figura do Servo de Javé. O profeta Isaías nos cânticos do Servo, aponta para o sofrimento do Servo mergulhado na dor e amargura, a ponto de não mais ter aparência de gente, no entanto, ele será vitorioso (Is 52,13-15). Em Jesus que sofre, podemos ter uma luz para iluminar o sofrimento um humano, em especial do inocente, e dar-lhe um sentido.

A Igreja nascente vai encontrar, nesta figura do Servo Sofredor, a explicação para a paixão e morte de Jesus. As profecias do Servo de Javé foram interpretadas pela Igreja nascente aplicadas a Jesus Servo, visto no Apocalipse como o Cordeiro de Deus, degolado, mas de pé, pois está vivo: ressuscitou! Só um Deus que sofre com o ser humano pode ser confiável.

O sofrimento de Jesus na Cruz está unido ao sofrimento de milhares de inocentes mergulhados na dor, que sabem serem vítimas da maldade, mas que não fazem o mal, são machucados, mas não machucam. Vivem do perdão e abandono nas mãos de Deus. Este sofrimento tem um poder redentor, tem um sentido misterioso e revolucionário. O sofrimento de Jesus na cruz é um sofrimento solidário: por suas feridas fomos curados. Deu sua vida em defesa da justiça que sempre pregou, carregou os males da humanidade sobre si. Sem ódio ou revolta. Por isso venceu, pois a última palavra é da vida e não da morte.

            A Semana Santa nos convida a refletir sobre o sofrimento solidário de Jesus Cristo. Ele nos questiona com seu abandono ao Pai e o perdão que deu a seus torturadores. A razão fica devendo uma explicação para isso. Coisas que a cabeça não explica, mas o povo sofredor entende e pratica como Jesus o fez, e assim redimiu o mundo. Só o amor solidário soluciona o problema do sofrimento humano. Seu horizonte é aluz da Páscoa.

Feliz Páscoa a todos!

+Dom Pedro Carlos Cipollini
Bispo de Santo André

Compartilhe:

Dom Pedro celebra Nossa Senhora Aparecida com mais de 2 mil fiéis e encerra dia no Santuário da Pauliceia

“Onde tem uma comunidade paroquial, tem uma luz acesa na escuridão”, afirma Dom Pedro nos 60 anos da Paróquia Nossa Senhora de Fátima

Diocese de Santo André abre Mês Missionário com convite à unidade e ao testemunho da fé

BOA JUSTIÇA E BONS JUÍZES

Instituto do Verbo Encarnado: padre Buela considerado culpado por abusos

nomeacoes

Decretos e nomeações – 30/09/2026

Na Solenidade de São Vicente de Paulo, Kalil Chaaban recebe os ministérios de Leitor e Acólito

“Não basta dizer sim a Jesus com os lábios. É preciso dizer sim com a vida”: Concentração Diocesana reúne Apostolado da Oração e MEJ

Juventudes em escuta: Diocese de Santo André participa de encontro nacional em Aparecida

Atendentes paroquiais participam de formação marcada pela escuta e proximidade