No próximo dia 4 de outubro, teremos a oportunidade de exercer nossa cidadania por meio do voto, uma responsabilidade de todos. É por meio dele que escolhemos os legítimos representantes para governar e legislar em benefício do povo, a fim de que cada cidadão tenha a oportunidade de crescer, desenvolver-se e viver com dignidade e em paz.
A Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política, para realizar a sociedade mais justa possível. Não pode nem deve pôr-se no lugar do Estado, mas também não pode nem deve ficar à margem da luta pela justiça. A Igreja não tem partido, ideologia e nem obriga os fiéis a votarem em determinados candidatos.
Segundo a Igreja, a atividade política, em seu sentido estrito, não compete à hierarquia, mas é própria dos leigos. E por ser a política uma arte nobre, não apenas uma mera atividade de natureza técnica, devem os cristãos, aqueles que já são ou podem se tornar idôneos, para a difícil arte da política, se preparar para exercê-la, visando o bem comum dos cidadãos. A propósito o papa Leão XIV lembrou que o político cristão tem de ser coerente com os princípios cristãos, devem agir e decidir de forma coerente com a própria fé, no exercício de suas responsabilidades públicas.
Assim, a Igreja tem o dever de orientar os fiéis, para que participem democraticamente com consciência, liberdade e responsabilidade do processo político eleitoral, apontando-lhes critérios éticos e morais a serem levados em consideração no momento da escolha de seus candidatos aos cargos políticos. Por isso, na hora de decidir o voto, é importante que o eleitor tenha em mente alguns pontos para nortear sua escolha pois, o voto como se costuma dizer não tem preço, mas tem consequência. Ele jamais deve ser negociado ou anulado.
O voto deve ser consciente livre responsável, não uma troca de favores. Quem vende o voto contribui com a corrupção e tem a mesma parcela de culpa daqueles que o compra. A Igreja propõe que o eleitor deve procurar conhecer o seu candidato. Constitui, aliás, antiga tradição da Igreja no Brasil, divulgar por ocasião da realização das eleições, orientações aos eleitores visando a correta escolha dos candidatos. É o que nossa diocese Santo André está fazendo, propondo encontros de oração e reflexão, através de um livreto preparado por uma equipe diocesana.
A resposta a esta pergunta sobre quem é o candidato podem orientar o eleitor em seu discernimento na escolha do candidato, e a responder: Qual é o seu histórico de vida? Quais suas ideias e propostas em relação à família, saúde, educação, meio ambiente, combate à violência ao crime organizado? Seus projetos visam o bem comum, ou somente o interesse pessoal e de grupos, seu nome está envolvido em denúncias de corrupção, ou escândalos éticos ou morais? É ele defensor da democracia da Liberdade de expressão, do respeito às convicções religiosas e da livre manifestação da fé?
A responsabilidade do eleitor não se encerra com a eleição e posse dos candidatos, ela se estende por todo o período relativo ao mandato do eleito. No exercício dos direitos e deveres concernentes a cada cidadão, compete-lhe a acompanhar o desempenho, as ações e as decisões políticas e administrativas daqueles que foram eleitos, para governar e legislar no País, no Estado e no Município onde vivem.
Cabe exigir dos eleitos coerência e cumprimento dos compromissos assumidos durante a campanha eleitoral. O objetivo final deve ser a construção de uma sociedade justa e pacífica, onde caibam todos.
+Dom Pedro Carlos Cipollini
Bispo de Santo André