Alegria, gratidão e saudade. Foram essas as três palavras escolhidas pelo Padre Cláudio Tafarelo para descrever o momento em que assumiu como pároco da Paróquia Imaculada Conceição, no Centro de Diadema, na noite de 22 de agosto. A posse também representou um retorno: há 38 anos, quando deixou a casa dos pais para iniciar sua formação, foi essa comunidade que o acolheu durante os primeiros passos de sua vocação.
Dom Pedro Carlos Cipollini presidiu a Santa Missa, celebrada diante de sacerdotes, diáconos, familiares, amigos e fiéis das comunidades por onde Padre Cláudio já exerceu seu ministério. Vieram também paroquianos do Santuário Imaculada Conceição, em Mauá, onde ele servia antes de receber a nova missão.
No início da celebração, foi lido o decreto que nomeou Padre Cláudio para o ofício de pároco. Em seguida, diante do bispo e dos paroquianos que passaria a conduzir, o sacerdote fez a profissão de fé. A Missa prosseguiu com o ato penitencial e a Liturgia da Palavra.
Após a segunda leitura, Padre Cláudio recebeu das mãos de Dom Pedro o Livro dos Evangelhos e seguiu até a mesa da Palavra para proclamar o Evangelho. O gesto expressou seu compromisso de anunciar a Palavra de Deus, ensinar a fé e viver aquilo que prega.
Na homilia, Dom Pedro refletiu sobre a profissão de fé feita por São Pedro diante de Jesus: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. O bispo explicou que a resposta não nasceu apenas da inteligência humana, mas de uma inspiração vinda do Pai.
Reconhecer Jesus como Filho de Deus também define a vida do verdadeiro discípulo. Não se trata apenas de seguir um profeta ou um grande mestre, mas o próprio Deus que veio ao encontro da humanidade para salvá-la.
A partir das palavras dirigidas a Pedro — “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” —, Dom Pedro tratou da missão confiada aos apóstolos e do serviço de unidade exercido pelo Papa. Essa mesma Palavra ajudou a compreender o ministério assumido pelo novo pároco.
“O padre não vem em seu próprio nome, mas em nome de Jesus, como embaixador de Cristo”, afirmou.
Na comunidade paroquial, o sacerdote recebe a responsabilidade de um pai de família. Como pastor, alimenta o povo com a Palavra de Deus, acompanha a catequese e a iniciação à vida cristã, celebra a Eucaristia e oferece o perdão sacramental. Acima de tudo, permanece perto das pessoas.
“O bom pastor dá a vida, sobretudo, com a presença constante no meio do rebanho”, disse Dom Pedro, comparando a paróquia a uma família que encontra alegria quando o pai gosta de permanecer junto dos filhos.
Padre Cláudio chega a Diadema com 30 anos de sacerdócio e uma longa experiência pastoral. Já conduziu diferentes paróquias, foi ecônomo da Diocese e exerceu outras funções a serviço da Igreja. Para Dom Pedro, sua dedicação, fidelidade e disposição para o trabalho serão conhecidas aos poucos pela comunidade.
“Ele gosta de ser padre. Gostar daquilo que faz é uma graça divina maravilhosa”, declarou o bispo.
Após a homilia, Padre Cláudio renovou as promessas sacerdotais feitas no dia de sua ordenação. Confirmou o desejo de apascentar o povo de Deus, celebrar fielmente os mistérios de Cristo, proclamar o Evangelho, ensinar a fé católica e permanecer em comunhão com o bispo e seus sucessores.
Na sequência, Padre Cláudio recebeu os sinais de sua responsabilidade pastoral. Segurou as chaves da igreja, que guardam o cuidado com o templo e com a vida que pulsa dentro dele, e a chave do sacrário, lembrete de que a Eucaristia deve ocupar o centro do trabalho de todo pároco. Depois vieram a jarra batismal, sinal de que passa a ser dele o cuidado de acolher os novos filhos de Deus, e a estola roxa, com que assume o compromisso de oferecer a misericórdia do Senhor pelo Sacramento da Reconciliação.
Com as mãos sobre o Livro dos Evangelhos, o novo pároco fez ainda o juramento de fidelidade. Comprometeu-se a conservar a comunhão com a Igreja Católica, guardar e transmitir a fé e desempenhar seu ministério em unidade com o bispo diocesano, o presbitério e toda a Igreja. Ao fim do rito, foi oficialmente declarado pároco da Paróquia Imaculada Conceição.
Em nome das dez paróquias da Forania de Diadema, o vigário forâneo, Padre Rafael Capelato, acolheu Padre Cláudio como um irmão que chega para somar à comunhão já vivida entre as comunidades.
Padre Rafael citou a celebração de Corpus Christi na Praça da Moça como uma das expressões mais recentes dessa unidade. Em tempos marcados pelo individualismo, apontou a vida fraterna entre padres, diáconos, lideranças e agentes pastorais como um caminho que precisa ser fortalecido.
A comunidade também manifestou a alegria de receber o novo pároco. Na mensagem de acolhida, os paroquianos falaram da expectativa de iniciar esse novo tempo ao lado do Padre Cláudio, colocando-se à disposição para colaborar com seu ministério. O desejo compartilhado foi o de construir uma convivência marcada pela oração, pela escuta, pelo trabalho pastoral e pela unidade, para que padre e povo possam servir juntos e fazer crescer a missão da Igreja em Diadema.
Padre Cláudio dirigiu suas primeiras palavras aos paroquianos para comentar a alegria de voltar à casa que o acolheu no início de sua caminhada. Desde aquele tempo, guarda consigo uma pequena imagem da Imaculada Conceição, sinal da presença de Maria ao longo de sua vida.
O sacerdote observou que várias de suas missões foram vividas em comunidades dedicadas a Nossa Senhora. Por isso, mais do que coincidência, reconhece nessa história a providência de Deus e o cuidado materno de Maria, que sempre conduz a Jesus.
A gratidão foi dirigida a Deus pelo chamado ao sacerdócio, a Dom Pedro pela confiança, aos padres que o acolheram e aos familiares e amigos que o ajudam a viver sua vocação. Padre Cláudio também se referiu com carinho aos fiéis do Santuário Imaculada Conceição e da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em Mauá, com quem construiu laços de amizade e comunhão.
A saudade, explicou, não significa distância. Ela mantém presentes no coração aqueles que fizeram parte da caminhada e continuarão acompanhados por suas orações.
Aos paroquianos de Diadema, Padre Cláudio agradeceu pela acolhida recebida há 38 anos e renovada agora em cada sorriso e abraço. Diante da nova missão, não fez promessas grandiosas, mas ofereceu aquilo que considera essencial:
“Sou pequeno, com certeza não tenho muita capacidade, mas uma coisa vocês podem ter certeza: vou servir com amor.”









