No Sábado Santo, 4 de abril, Dom Pedro Carlos Cipollini, presidiu o terceiro dia do Tríduo Pascal, a Vigília Pascal, ao lado do Padre Jean Rafael de Barros e do diácono João Ribeiro, reunindo numerosos fiéis para aquela que a Igreja reconhece como a mãe de todas as vigílias. A celebração começou na Praça do Carmo, diante da fogueira preparada para a bênção do fogo novo, sinal da Luz de Cristo que vence as trevas do pecado e da morte.
Foi ali também que o Círio Pascal foi preparado. Sobre ele, foram traçados a cruz, as letras Alfa e Ômega e os números do ano, recordando que Cristo é o princípio e o fim, Senhor do tempo e da história. Em seguida, foram colocados os cravos, que recordam as chagas gloriosas do Senhor. Acendido no fogo novo, o círio passou a resplandecer como sinal do Cristo Ressuscitado, cuja luz dissipa as trevas do coração humano.
Depois, já com o povo reunido no interior da igreja, teve início a procissão de entrada. Por três vezes, o círio foi elevado com a aclamação Eis a luz de Cristo, à qual a assembleia respondeu “Demos graças a Deus“. A cada parada, as velas foram sendo acesas a partir da chama do círio, até que a Catedral, antes mergulhada na escuridão, foi pouco a pouco se iluminando. Era a imagem da Páscoa sendo anunciada não apenas com palavras, mas com a própria força dos sinais.
Em seguida, foi cantado o Exsultet, a grande Proclamação da Páscoa. Mais do que um canto solene, ele anuncia a vitória de Cristo sobre a morte e convida o céu, a terra e toda a Igreja a entrarem na alegria desta noite. Ao cantar a felicidade da noite em que Cristo ressurgiu e ao exaltar o círio que acendeu as velas do povo, a Igreja proclama que a Páscoa não é apenas lembrança, mas presença viva da redenção que ilumina novamente a humanidade.
A Liturgia da Palavra conduziu a assembleia por toda a história da salvação. A celebração retomou a criação do mundo, a fé de Abraão, a travessia do Mar Vermelho e as promessas anunciadas pelos profetas, até chegar à água nova e ao coração novo prometidos por Deus. Entre as leituras, os salmos foram entoados como resposta do povo, ajudando a meditar a ação de Deus ao longo dos tempos e preparando a assembleia para acolher a plenitude da Páscoa em Cristo. Também não faltou o cântico de Moisés, que recorda a libertação do povo, nem a proclamação de São Paulo aos Romanos sobre a vida nova recebida no Batismo.
Depois do silêncio quaresmal, a noite foi marcada pelo retorno do Glória e do Aleluia. Ao entoar o hino de louvor, os sinos voltaram a tocar, enchendo a Catedral de júbilo e anunciando, de forma solene, a vitória de Cristo sobre a morte.
Na homilia, Dom Pedro chamou a atenção para a grandeza do que a Igreja celebrava naquela noite. “O Aleluia é o canto e o grito de exclamação desta noite”, afirmou logo no início. Em seguida, recordou que, depois dos quarenta dias da Quaresma e de toda a caminhada da Semana Santa, a Igreja já não se detinha apenas na Paixão e Morte do Senhor, mas celebrava sua vitória. “Hoje celebramos a sua vitória, a ressurreição”, disse.
Ao aprofundar o sentido dos símbolos da Vigília, o bispo explicou a primeira parte da celebração, vivida na escuridão e iluminada pela chama do círio. Segundo ele, aquele início recorda a humanidade que aguardava a salvação. “Na escuridão dos tempos antigos, a luz da esperança brilhava na esperança de que Deus redimiria a humanidade, enviando o Messias, o Salvador”, afirmou. E completou dizendo que o próprio Filho de Deus veio ensinar “o caminho da felicidade, que é o caminho do amor”, um amor que se mostra como serviço, doação de vida e vitória do bem sobre o mal.
Dom Pedro também aprofundou o sentido da ressurreição e da fé cristã. “A ressurreição de Cristo não é um cadáver que volta somente”, afirmou, ao recordar que o Senhor comunica aos que creem a força de sua vida nova. Na sequência, ligou diretamente essa verdade ao Batismo: “Todo aquele que crê terá a vida eterna. E o itinerário da fé começa com o batismo”. Para o bispo, é essa esperança que sustenta a Igreja no meio de uma história marcada por guerras, injustiças e estruturas de morte, que, segundo ele, “não têm futuro”.
A celebração prosseguiu com a liturgia batismal, na qual o jovem João Lucas recebeu o Sacramento do Batismo, e toda a assembleia foi convidada a recordar a própria vida nova em Cristo. Com as velas acesas novamente, os fiéis renovaram as promessas batismais, reafirmando a renúncia ao pecado e a profissão de fé. Em seguida, Dom Pedro aspergiu a assembleia com a água, gesto que fez a Catedral inteira reviver a memória do Batismo como fonte de vida nova e de pertença a Cristo.
Ao fim da celebração, Dom Pedro dirigiu aos fiéis sua saudação de feliz Páscoa, desejando que a alegria da ressurreição de Cristo renovasse os corações e acompanhasse as famílias e comunidades na vivência deste tempo santo.
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