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Diocese de Santo André

Homilia de Dom Pedro na missa do primeiro dia do Retiro dos Presbíteros 2026

Caros irmãos, que alegria podermos realizar mais um retiro, uma graça que Deus nos concede. Muito bem preparado, pelo Pe. Cassiano e a equipe, todos os que se envolveram nessa preparação do retiro, nossa gratidão. Para estarmos aqui reunidos para rezar nesse encontro conosco mesmos, com Deus, estarmos juntos neste espaço. Já é uma grande mensagem para a nossa diocese, para todos os paroquianos dos senhores que estão sabendo deste retiro.

Então vamos agradecer a Deus. Acolho e saúdo cada um de vocês, avaliando o esforço para estarem aqui. Não é nada simples nos deslocarmos como fizemos e nos abrir para esse momento de graça que o Senhor nos preparou. Vai ser bom, está sendo bom.

Saúdo de forma muito especial o pregador de nosso retiro Dom Carlos Alberto (Dom Beto), o padre Valmir Cassim, estigamatino que assumiu a Paróquia São Caetano, e está como reitor da casa de formação dos seminaristas estigmatino de filosofia de São Caetano do Sul. Não tínhamos tido ainda a oportunidade de apresentá-lo, né? Também saúdo o padre José Jaílson, que é passionista, e, depois de nós conversamos com o conselho de presbíteros, ele começou uma experiência em nossa diocese, em Rio Grande da Serra.

Também quero saudar os padres aniversariantes deste mês: padre Maximiliano, padre Thiago Jacinto, padre Mário, que está de licença, padre Antônio Fernandes, Dom Nelson (neste último dia 11), e também hoje o Papa Leão XIV (que faz aniversário, 71 anos). Vamos colocar todos eles no altar nas nossas intenções e os que não puderam vir, alguns se justificaram por não poder participar do retiro (viagem marcada, doentes). A todos vamos abraçar com a nossa lembrança, pedindo a Deus por eles.

Hoje é festa da Exaltação da Santa Cruz. As leituras proclamadas nos convidam a olhar a cruz e através dela perceber o que ela significa: um amor capaz de entregar a vida. A cruz é para nós sinal de esperança, confiança e cura. Colocamos as cruzes nos túmulos não como sinal de morte — sinal de morte é a caveira com os dois ossos.

A cruz é sinal de esperança, confiança. A cruz é o lugar da glorificação do Pai, porque foi nela que seu Filho amou até o fim, demonstrando este amor, assumindo suas consequências. A missão do Filho foi mostrar o amor de Deus ao mundo. O único lugar que sobrou para Ele demonstrar esse amor foi a cruz. Mas como Ele amava muito o Pai, Ele confiou totalmente e assumiu a cruz, para que este fosse o lugar, o cálice que o Pai lhe preparou. Nesta demonstração de amor, o Pai é glorificado, e o próprio Cristo, como Filho, é glorificado.

Jesus assume as consequências do amor e nos convida também: “Quem quer me seguir, tome a cruz e venha atrás de mim”. A cruz é uma realidade concreta na nossa vida cristã e na nossa vida sacerdotal, principalmente. Nos custa atravessar por ela, mas ela é uma realidade salvífica e eficaz. Passando por ela, nós morremos para o egoísmo e renascemos para uma vida nova.

Nossa ressurreição começa quando temos a coragem de assumi-la, quando pedimos a Deus a graça de passar pela cruz sem desanimar. Padre Bernard Häring dizia que quem passa pela cruz todos os dias assume a postura do redimido, dos redimidos: aqueles que já começaram aqui a sua eternidade feliz com Deus.

Talvez o retiro seja para nós o momento de passar pela cruz através do autoconhecimento. O retiro é um convite a dialogar com o Deus que se encontra dentro de nós e quer que estejamos em comunhão com Ele para que Ele nos faça renascer, recomeçar, renovar. O retiro é feito de oração, na qual o mais importante que falar com Deus é escutá-lo. O que Ele quer dizer? Tantas coisas. Mas uma coisa é certa: Ele sempre dirá a você que te ama, como você é. E foi Ele quem te chamou para ser pai, pastor do seu povo.

Ele te pede para revelar ao povo que te foi confiado esse mistério da cruz, “é morrendo que se vive”, como nos ensinou São Francisco. A serpente na cruz no deserto curava a dor. Cristo na cruz cura o homem na sua integridade, nos refaz. Santo Agostinho dizia que Deus é mais maravilhoso quando refaz a criação do que quando a criou; quando refaz o homem, tirando o seu pecado, do que quando o criou. Nós sabemos que a redenção vem pela cruz.

Uma coisa que emerge do ensinamento de Jesus, como foi compreendido pela Igreja primitiva, é que a vida nova que brota do batismo, esse nascer de novo, deve ser encontrada e realizada dentro de nós. Portanto, a tarefa a buscar no retiro é encontrar o caminho de volta para o nosso centro, onde Deus nos espera para curar nossas feridas e nos fazer participantes da sua glória, que se manifestou na cruz.

Ele sempre nos dirá: “Coragem, eu venci o mundo. Coragem, eu estou convosco”. Que ninguém se sinta desprezado ou desamado por Deus. É esse amor que importa. A certeza de que Deus nos ama sustenta o nosso ministério, dizia Henri Nouwen. E aí sim, libertados, nós seremos libertadores.

Ouçamos o apelo do Senhor: “Vinde a mim, vós todos que estais cansados e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo”. O jugo da cruz, que é o amor-serviço.

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