Diocese de Santo André

Chamados pelo nome, entregues à Igreja: sacerdotes são ordenados no Santuário do Bonfim

A Diocese de Santo André viveu, no dia 24 de janeiro, um tempo de profunda comunhão e alegria com a ordenação presbiteral de Fernando Oliveira do Nascimento, Maurício Antônio Borges e Wellington Batista Silva de Aquino, celebrada no Santuário do Senhor do Bonfim, em Santo André, pela imposição das mãos do bispo diocesano, Dom Pedro Carlos Cipollini. A Eucaristia reuniu uma assembleia numerosa, com fiéis vindos de diversas paróquias onde os ordenados construíram sua caminhada pastoral, além de presbíteros, diáconos, seminaristas, religiosos, familiares e amigos. A igreja completamente lotada expressava a gratidão do povo de Deus pelo dom de novas vocações sacerdotais.

Antes mesmo da procissão de entrada, a celebração teve início com um gesto decisivo e silencioso. No salão do Santuário, os então diáconos realizaram o Juramento de Fidelidade, professando publicamente a adesão à Igreja e o compromisso de exercer o ministério em comunhão com o bispo e com todo o presbitério. Ali, de forma reservada, mas profundamente significativa, o “sim” definitivo começava a ser selado.

Em seguida, a procissão de entrada conduziu a assembleia ao clima solene da Eucaristia. A Liturgia da Palavra preparou os corações para o momento central da celebração: a ordenação presbiteral. A data, marcada pela memória litúrgica de São Francisco de Sales, deu ainda mais sentido ao que se celebrava. Padroeiro dos comunicadores e mestre da mansidão, o santo recorda que o ministério sacerdotal se constrói na caridade, na escuta e na proximidade, sem perder a firmeza da fé.

Na homilia, Dom Pedro conduziu a assembleia a uma reflexão profunda sobre o sentido do sacerdócio, à luz das leituras escolhidas pelos ordenandos. Ao recordar a missão anunciada pelo profeta Isaías, o bispo ressaltou que o ministério presbiteral nasce da caridade pastoral, entendida como serviço humilde e entrega da própria vida. “A missão de Jesus não é triunfante. É um messianismo da justiça do Reino, feito de amor e misericórdia. Um amor que torna responsáveis pelos irmãos e irmãs”, afirmou, ao recordar que o sacerdócio se constrói na doação cotidiana e no compromisso com o povo confiado.

A partir do Evangelho, Dom Pedro destacou que o sacerdote é chamado a viver uma proximidade real com as chagas de Cristo presentes nos que sofrem. Recordou que o envio em missão não acontece para interesses pessoais, mas em nome de Jesus, e advertiu contra uma vivência funcional do ministério. “Vocês serão missionários e não funcionários”, afirmou, ao reforçar que o presbítero deve agir sempre em comunhão com a Igreja, confiando que o Senhor cuida daqueles que colocam o Reino em primeiro lugar.

Por fim, o bispo recordou que o ministério sacerdotal só se sustenta pela ação do Espírito Santo e pela vida de oração. Ao dirigir-se diretamente a Fernando, Maurício e Wellington, destacou que a união com Cristo passa também pela cruz e pela perseverança. “Não procurem Jesus Cristo sem cruz”, exortou, lembrando que quem é ungido é chamado à santidade e a santificar. Incentivou os novos presbíteros a permanecerem próximos de Deus, do bispo, dos irmãos presbíteros e do povo, certos de que a oração é o respiro da alma e a fonte da fidelidade.

Após a homilia, teve início o rito próprio da ordenação presbiteral. Os eleitos foram apresentados e manifestaram publicamente sua disposição de assumir o ministério. Durante a Ladainha dos Santos, toda a assembleia se colocou em oração, suplicando a intercessão dos santos sobre aqueles que seriam ordenados.

O momento mais intenso da celebração aconteceu com a imposição das mãos. Primeiro, Dom Pedro, em silêncio, impôs as mãos sobre os ordenandos. Em seguida, os presbíteros presentes repetiram o gesto, expressando a acolhida dos novos padres no presbitério da Diocese. A prece de ordenação selou sacramentalmente aquele gesto simples e profundo, pelo qual a Igreja invoca o dom do Espírito Santo.

Na sequência, a unção das mãos, a entrega das vestes sacerdotais e dos objetos litúrgicos manifestaram visivelmente a missão confiada aos novos presbíteros. O abraço da paz, partilhado com o bispo e com os padres, expressou a comunhão e a fraternidade que passam a sustentar o ministério sacerdotal.

A Liturgia Eucarística seguiu com um significado ainda mais profundo: pela primeira vez, os neo-presbíteros concelebraram a Eucaristia, unindo-se sacramentalmente ao altar do Senhor e ao presbitério diocesano.

Ao final da celebração, Padre Fernando dirigiu palavras de agradecimento. Ele recordou que aquele momento não representava um ponto de chegada, mas o início de um novo tempo, enraizado em Jesus Cristo. Manifestou gratidão a Deus, que sustenta a vocação mesmo diante das fragilidades humanas, e recordou a presença constante de Maria ao longo de todo o processo formativo.

O agradecimento se estendeu ao bispo, aos formadores, ao clero, aos seminaristas, professores e colegas de caminhada, lembrando que a formação é feita também de convivência, desafios, risadas e laços que permanecem. Dirigindo-se ao povo de Deus, reconheceu o valor da oração e do carinho das comunidades, que regaram o terreno da vocação e tornaram possível aquele “sim”. Encerrando sua fala, pediu que todos continuem ajudando os novos sacerdotes a serem sinais vivos de Cristo, apontando sempre para o Cordeiro, para que Ele cresça e o ministro diminua.

Lemas e envio à missão

Inspirados pelo testemunho de São Francisco de Sales, os novos presbíteros iniciam sua missão levando consigo lemas que revelam o modo como desejam viver o sacerdócio e servir o povo de Deus.

Padre Fernando escolheu como lema a afirmação paulina “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20), expressando um ministério marcado pela entrega total a Cristo e pela identificação com Ele. Inicia seu ministério como Vigário Paroquial da Paróquia São Pedro e São Paulo, na Vila São Pedro, em São Bernardo do Campo, colaborando com a vida pastoral da comunidade em comunhão com o pároco, o bispo e o presbitério.

Padre Maurício, ao escolher o lema “De bom grado, eu me gloriarei das minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim” (2Cor 12,9b-10), manifesta o desejo de viver o sacerdócio sustentado pela graça de Deus, reconhecendo que é na fragilidade humana que a força de Cristo se revela. Foi nomeado Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, na Vila Suely, em Ribeirão Pires, onde exercerá o ministério em comunhão com o administrador paroquial e a comunidade.

Padre Wellington traz como lema as palavras de Maria no anúncio do anjo: “Faça-se em mim segundo a vossa palavra” (Lc 1,38), revelando um sacerdócio vivido na escuta, na obediência e na confiança plena na vontade de Deus. Inicia sua caminhada sacerdotal como Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, no Jardim das Orquídeas, em São Bernardo do Campo, colocando-se a serviço do povo confiado à Igreja.

A homilia completa de Dom Pedro pode ser lida, clicando aqui.

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