No domingo, 22 de fevereiro, agentes e lideranças ligadas às iniciativas de caridade da Diocese de Santo André participaram do Retiro do Vicariato Episcopal para a Caridade Social, realizado na Casa de Retiro da Paróquia Santa Maria (Parque Los Angeles, São Bernardo do Campo). Com o tema “Ele veio morar entre nós”, em sintonia com a Campanha da Fraternidade, o encontro foi marcado por oração, momentos de silêncio, reflexão bíblica e partilha de experiências, encerrando-se com a Santa Missa presidida por Dom Pedro Carlos Cipollini.
Além da expressiva presença de agentes de diferentes frentes de serviço, o retiro contou com a participação do Pe. Ryan Holke, vigário episcopal para a caridade social, do Pe. Camilo, dos diáconos e do seminarista Isaac, que colaboraram na condução das reflexões e na organização da celebração conclusiva.
Logo na acolhida, os participantes receberam um cartão e foram convidados a escrever uma palavra que expressasse fé, coragem ou entusiasmo, gesto que ajudou a criar clima de comunhão e escuta. Na oração inicial, ficou evidente o propósito do dia: não se tratava de reunir informações, mas de se colocar diante de Deus com simplicidade. Em um dos trechos, foi lembrado que “Ele veio morar entre nós” e, por isso, o retiro pedia abertura interior, porque é ali que Deus deseja habitar.
Deus habita no meio do seu povo e se deixa encontrar no irmão
A 1ª colocação, conduzida pelo Pe. Ryan, percorreu as Escrituras para apresentar a insistência de Deus em estar próximo da humanidade. Da criação ao anúncio da Nova Jerusalém, a reflexão ressaltou que, diante do sofrimento e das feridas provocadas pelo pecado, Deus não escolhe apenas corrigir de longe, mas se aproxima, permanece e refaz por dentro. A imagem da “morada” ajudou a iluminar a proposta do encontro: permitir que a Palavra encontre lugar na vida concreta.
Na sequência, a manhã trouxe a dinâmica inspirada na multiplicação dos pães (Mt 14,13-21). Divididos em grupos, os participantes refletiram sobre atitudes práticas capazes de “multiplicar” gestos de cuidado e solidariedade nas comunidades. A partilha, acompanhada de aplausos a cada proposta apresentada, reforçou a ideia de que a caridade nasce também de pequenas decisões cotidianas, quando assumidas com perseverança.
A 2ª colocação, também conduzida pelo Pe. Ryan, aprofundou a presença de Cristo no irmão em situação de sofrimento, a partir de Mateus 25. Ele recordou que a caridade, para a Igreja, não é um gesto isolado, nem pode ser reduzida a assistência pontual: ela é encontro, caminho exigente, que pede constância, fidelidade e um coração capaz de reconhecer Jesus onde Ele escolhe se manifestar.
Após os tempos de “deserto”, as partilhas dos grupos revelaram desafios comuns nas paróquias: a entrega de cestas básicas como ação frequente, o serviço a pessoas em situação de rua, a atenção a idosos e doentes, e também a necessidade de maior integração entre frentes e comunidades. Entre as falas, apareceu o desejo de que as famílias atendidas conquistem autonomia e dignidade, junto com a preocupação com formação e renovação das equipes.
Enviados para acolher “Aquele que veio morar entre nós”
À tarde, a 3ª colocação foi conduzida pelo Seminarista Isaac José da Silva, que retomou as principais linhas do que havia sido refletido pela manhã e pediu que os participantes sintetizassem, em poucas frases, o que havia marcado o retiro: a caridade como encontro, a necessidade de evangelização junto do serviço, a importância da acolhida e da escuta, e a consciência de que Deus deseja habitar no coração.
Ao aprofundar o tema, o seminarista recordou que a Encarnação não é apenas uma verdade contemplada, mas um chamado que exige resposta concreta. Ele afirmou que, se Deus escolheu morar no meio do seu povo, isso provoca um “sim” que se transforma em missão. Ao mencionar a vida da Igreja desde os primeiros discípulos, Isaac situou a continuidade dessa história no hoje: a fé chegou às comunidades do Grande ABC porque os apóstolos corresponderam, e agora cabe aos atuais agentes sustentar esse mesmo movimento de anúncio e serviço.
Ao final da reflexão, o encontro foi encaminhado para um momento de compromisso pessoal, com a entrega de um roteiro simples para a elaboração do projeto de vida, convidando cada participante a sair do retiro com um propósito concreto para a vida espiritual e para o serviço realizado nas comunidades, em clima de silêncio e interioridade.
Dom Pedro recorda que caridade precisa de vida interior
Na celebração de encerramento, Dom Pedro manifestou alegria por concluir o retiro na Eucaristia, “o momento culminante de tudo aquilo que acreditamos e vivemos como cristãos”. Ao saudar os presentes, citou o Pe. Ryan, o Pe. Camilo, os diáconos e o seminarista Isaac, reconhecendo o empenho de quem dedicou o sábado ao recolhimento e à reflexão, em pleno tempo quaresmal.
O bispo encorajou os participantes a não desanimarem diante do que parece pequeno. Para ele, “Deus trabalha com as sementes”, e faz frutificar o esforço oferecido com sinceridade. Dom Pedro afirmou que, embora o número de agentes possa parecer pouco diante da realidade ampla da Diocese, o que é feito com fidelidade carrega uma força que muitas vezes só será percebida plenamente adiante: “na força da sua graça, do seu poder, Ele faz dar muitos frutos que nós só vamos conhecer lá na eternidade”.
Dom Pedro também situou o sentido do retiro no equilíbrio entre prática e interioridade. Ele reconheceu a importância da Campanha da Fraternidade ao estimular o compromisso com a justiça e com a dignidade humana, mas alertou que o serviço perde vigor quando se afasta da fonte espiritual. Em um dos pontos centrais da homilia, resumiu com clareza: “o espiritual é a seiva desse tronco. Se não tiver a espiritualidade, o tronco seca e acaba morrendo”. Ao comentar o Evangelho proclamado, o bispo organizou a reflexão em três eixos, pecado, tentação e o mal, e recordou que a Quaresma é tempo de vigilância e oração, para perseverar no caminho de Deus e escolher novamente a conversão no cotidiano.
Com o encerramento na Santa Missa, o retiro reafirmou a missão do Vicariato: fortalecer os agentes para que o serviço ao próximo não se transforme em rotina, mas permaneça alimentado pela Palavra, pela oração e pela certeza de que Deus continua a “morar entre nós” quando a Igreja se aproxima, acolhe e cuida.
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