Diocese de Santo André

Quinta-feira Santa recorda a Instituição da Eucaristia e o amor que se faz serviço

Repleta de fiéis, a Catedral Diocesana, na noite da Quinta-feira Santa, celebrou a Missa Vespertina da Ceia do Senhor, presidida por Dom Pedro Carlos Cipollini, concelebrada pelo cura da Catedral, Padre Jean Rafael de Barros, e com a assistência do diácono João Ribeiro, marcou o início do Tríduo Pascal e conduziu o povo de Deus à memória da Última Ceia de Jesus com os discípulos, da instituição da Eucaristia e do mandamento do amor vivido no serviço.

Desde os ritos iniciais, a liturgia foi conduzindo a assembleia para o centro do que a Igreja celebra nesta noite santa. Cristo, ao entregar-se à morte, deixou à Igreja um novo e eterno sacrifício, como banquete do seu amor. Na Liturgia da Palavra, o caminho passou pelo relato da Páscoa no livro do Êxodo, pela exortação de São Paulo aos Coríntios sobre o pão e o cálice e, depois, pelo Evangelho de São João, com o lava-pés, gesto que iluminou toda a celebração.

Em sua homilia, Dom Pedro convidou os fiéis a contemplarem a grandeza do mistério pascal. Recordou que a Igreja vinha de toda a caminhada quaresmal e agora entrava nos dias centrais da fé cristã. Ao falar sobre a vitória de Cristo, afirmou: “A ressurreição não é a reanimação de um cadáver. A ressurreição é uma vida nova, uma vida divina”. E explicou que essa vida nova, comunicada por Cristo ressuscitado, devolve ao ser humano a dignidade para a qual foi criado: ser imagem e semelhança de Deus, filho e filha do Pai.

Num segundo momento, o bispo aprofundou o mandamento do amor, colocado no coração da Ceia do Senhor. Disse que o amor não pode ser reduzido a interesse nem a mero sentimentalismo, porque nasce do próprio ser de Deus. “Jesus nos dá o mandamento do amor. O amor é o modo de ser de Deus”, afirmou. Em seguida, ao explicar como esse amor deve ser compreendido, acrescentou: “Quem quiser entender o que é esse mandamento, tem que olhar para a cruz”. E resumiu essa entrega de Jesus com outra expressão forte do Evangelho: “Tendo nos amado, amou até o fim”.

Ao tratar da Eucaristia, Dom Pedro mostrou que ela nasce justamente desse amor levado às últimas consequências. Recordou que Jesus se faz pão para alimentar seu povo e que a Ceia do Senhor não pode ser separada da cruz. “A Eucaristia é o sacrifício da cruz”, disse. Depois, completou que o que salva a humanidade não é simplesmente o sofrimento, mas o amor com que Cristo sofreu e se entregou. Dessa forma, a homilia ligou diretamente o altar, o pão repartido e o cálice oferecido à doação total do Senhor pela salvação do mundo.

Na sequência, o bispo aproximou o mistério da Eucaristia do gesto do lava-pés. Ao recordar que, no tempo de Jesus, lavar os pés era tarefa reservada aos últimos servos da casa, mostrou a força do sinal realizado pelo próprio Mestre. “Só quem serve o próximo tem um amor verdadeiro”, afirmou. E foi além ao dizer que não basta permanecer na igreja ou multiplicar palavras de louvor, se a fé não se traduz em cuidado real com os pobres, os fracos, os necessitados, os idosos, os solitários e todos os que mais precisam de amor, nas periferias geográficas e existenciais.

Depois da homilia, realizou-se o rito do lava-pés, um dos momentos mais expressivos da celebração. Dom Pedro, à semelhança de Cristo na Última Ceia, levantou-se e, retirando os paramentos próprios para aquele gesto, dirigiu-se aos fiéis escolhidos, que permaneciam sentados em seus lugares. Diante de cada um, inclinou-se, ajoelhou-se e lavou-lhes os pés, enxugando-os em seguida. Naquele instante, a liturgia tornou visível o Evangelho proclamado: o Senhor e Mestre se faz servo e se abaixa diante dos seus. Mais do que recordar uma passagem do passado, o lava-pés manifestou o amor que se traduz em serviço e renovou, para toda a Igreja, o chamado à caridade vivida com humildade, proximidade e entrega sincera.

Após a oração depois da comunhão, teve início a transladação do Santíssimo Sacramento. Dom Pedro, Padre Jean Rafael de Barros e o diácono João Ribeiro seguiram em procissão até o lugar da reposição, preparado no salão da Catedral. Ao chegar, o Santíssimo foi novamente incensado, enquanto a assembleia permanecia em adoração, acompanhando Jesus na noite em que se entrega por amor.

Primeira celebração do Tríduo Pascal, a Missa da Ceia do Senhor abriu para os fiéis o caminho que conduz à Sexta-feira da Paixão do Senhor, ao silêncio do Sábado Santo e à alegria da Vigília Pascal. Na Catedral, esse tempo de oração prosseguiu ao longo de toda a noite, com a vigília conduzida pelos jovens da comunidade, que permaneceram diante do Santíssimo em atitude de adoração e recolhimento.

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