Diocese de Santo André

Conselho Feminino Diocesano aprofunda o compromisso com a vida diante do avanço do feminicídio

O Conselho Feminino Diocesano se reuniu na tarde de quinta-feira, 18 de dezembro, para um momento de escuta e reflexão sobre uma ferida aberta no Brasil: o feminicídio e a violência contra a mulher. A conversa nasceu do cuidado das mulheres que compõem o Conselho e do desejo de não deixar a dor virar rotina, porque, para a Igreja, toda vida importa e toda mulher tem dignidade que não se negocia.

Os números ajudam a entender por que a preocupação é tão concreta. No Brasil, o primeiro semestre de 2025 registrou 718 feminicídios, uma média de quase quatro mulheres mortas por dia. Já o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 (ano-base 2024) aponta que 2024 terminou com 1.492 vítimas de feminicídio no país, a maior marca desde a tipificação do crime.

Em São Paulo, o alerta também se intensifica. Dados oficiais divulgados a partir da Secretaria da Segurança Pública indicam 207 feminicídios no estado entre janeiro e outubro de 2025, eram 191 no mesmo período de 2024, um aumento de cerca de 8%. Na capital, o mesmo recorte (janeiro a outubro) chegou a 53 casos em 2025, acima do registrado no intervalo equivalente de 2024 (42).

Nas sete cidades do Grande ABC, a preocupação também se traduz em números: de janeiro a outubro de 2025, a região somou 12 casos de feminicídio, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2024 (5). No recorte por cidade, Santo André concentrou 5 ocorrências, seguida por Diadema (3), São Bernardo do Campo (2) e Mauá (2); São Caetano do Sul, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não tiveram registros no período. Os dados são da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), reunidos em levantamento do Diário do Grande ABC.

Durante a reunião, o conselho percorreu caminhos bem concretos: o que a Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, já oferece como proteção, como fortalecer redes de acolhida e como avançar no diálogo com o poder público, forças de segurança, profissionais do Direito, da saúde e também com a comunicação, porque a forma como se fala (ou se silencia) também influencia a cultura que se constrói.

O encontro também olhou para dentro da Igreja Particular de Santo André, em sintonia com o 9º Plano Diocesano de Pastoral, que traz a família como uma das prioridades. Se a família é lugar de cuidado, ela precisa ser também espaço de educação para o respeito: onde a mulher não é diminuída, onde o controle não é romantizado, onde o amor não vira ameaça e onde o “não” é acolhido sem violência.

Dom Pedro Carlos Cipollini esteve presente, acolheu a iniciativa e encorajou a manter firme o compromisso com a defesa da vida e da dignidade humana, lembrando que a cultura de paz se constrói com escolhas diárias: na palavra, no olhar, nas atitudes e no modo como cada comunidade se torna abrigo para quem sofre.

E, na proximidade do Natal, essa conversa ganha ainda mais sentido. A Igreja se aproxima do Mistério do Deus que escolheu nascer de uma mulher. Maria carrega no ventre a Vida. José a acolhe, protege e ama e, com isso, ensina que a presença de um homem justo não oprime: guarda, sustenta e faz crescer. Onde há fé, não pode haver violência.

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