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Diocese de Santo André

Quando o inesperado bate à nossa porta

No nosso cotidiano, envolvidos nas tarefas e nas situações do dia a dia, sempre nos esquecemos de algumas coisas básicas, até nos depararmos com o inesperado. Muitas vezes, nós nos envolvemos tanto com as tarefas, que acabamos nos esquecendo de Deus, dos irmãos, e de que a nossa vida é finita. Vivemos como se o nosso tempo aqui fosse infinito; e, assim, perdemos tempo. Deixamos de amar aqueles que nos cercam.

A finitude do nosso tempo faz com que nos esforcemos para aproveitar o tempo de vida de que dispomos e não deixemos passar em vão ocasiões e momentos irrepetíveis. Cada minuto de nossa vida, ao lado das pessoas que conhecemos e amamos, é único e precisa ser aproveitado com toda a sua intensidade. Cada encontro com o outro é uma oportunidade que não volta a se repetir.

Uma experiência com o inesperado

Em 2002, vivi a experiência do inesperado bater à minha porta, quando meu irmão sofreu um grave acidente de carro e, em fevereiro de 2004, foi para junto de Deus. No ano do acidente, posso dizer que tive a graça de aproveitar breves momentos, intensamente.

Ele morava em Araguaína (TO) e eu estava na missão de Natal (RN). Ele foi para casa de férias, no fim de ano, mas, devido à missão, eu não pude ir. Como somos pernambucanos, ele estava a poucas horas da cidade onde eu estava, e, na hora de voltar para sua cidade, ele mudou a rota e passou, em plena madrugada, na minha casa, para matarmos um pouco as saudades. Essa foi a última vez que eu vi o meu irmão com vida. Foram poucos minutos, mas vividos com intensidade, vividos como únicos e irrepetíveis.

Hoje, compreendo que a consciência de nossa finitude nos dá oportunidade para concentrarmos a atenção no essencial. Dá-nos oportunidade de entendermos que cada pessoa é única e irrepetível. Ensina-nos a não pararmos nas diferenças, mas olharmos a individualidade de cada um como riqueza. Ensina-nos a sairmos de nós mesmos para servir o outro, para amarmos o outro. Ensina-nos a viver cada momento como único.

Assim, conseguimos viver o tempo presente como ele deve ser vivido, colocando nossas preocupações em Deus e nos concentrando na essência da vida: amar e servir. Precisamos aprender a viver intensamente cada momento. Aprender a não nos deixarmos levar pelas tarefas e atividades do cotidiano, para não deixarmos passar em vão os momentos de encontro com o outro, a não deixarmos passar em vão as oportunidades para amar.

Fonte: Canção Nova

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