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Diocese de Santo André

Um pouco de esperança

Em meio à pandemia que atravessamos não podemos nos esquecer que é Páscoa. Sentimos o apelo para renovar nossa esperança. Ela é a última que morre diz o ditado que a fé cristã corrige: a esperança não só não morre, mas não decepciona também.

A festa da Páscoa era para os hebreus a festa da renovação da vida vegetal e animal. As primícias do rebanho e da colheita, o cordeiro e os pães eram oferecidos a Deus que, tirando o povo da escravidão do Egito, passou à sua frente, para guia-lo rumo à terra prometida da liberdade. Uma festa ecológica que a centenas de anos era celebrada pelos hebreus e que entrou no calendário cristão de forma renovada.

A oferta que se faz a Deus é o próprio Jesus Cristo morto na cruz e ressuscitado. A morte engoliu Jesus, mas de dentro dela Ele a fez implodir. Morrendo deu-nos a vida e destruiu a morte, como canta a liturgia pascal. É o modo de Deus agir pela força de seu mor, fazendo a escuridão da noite desembocar na luz do dia.

Apesar de toda tristeza e incerteza, do drama que devasta o mundo, é Páscoa novamente. É festa da gratidão e da partilha, festa da vida que teima em renascer dos escombros da morte, porque a vida é mais forte que a morte. Angústia, incerteza, doenças, exclusão social, poluição, nada disso impede o renascer da vida.

A morte pode até ir ganhando no varejo, mas a vida é que vai ganhar no atacado. Esta é a garantia que temos ao celebrar a vitória de Cristo na sua passagem (Páscoa) da morte para a vida.

Todos estes dias estamos às voltas com a tristeza e a miséria. Mas ao celebrar a Páscoa, os cristãos e as pessoas de boa vontade, podem cantar um hino de esperança: “Não haverá mais luto nem pranto, não haverá mais dor, nem fadigas, porque tudo isso passou” (Ap 21,4).

Como é bom ter esta fé. Muitos desejariam tê-la e não conseguem. É preciso pedir sempre com humildade: “Creio Senhor, mas aumenta minha fé” (Mc 9,24). Esta fé nos dá forças para fazer nossa passagem também, do egoísmo para a fraternidade no serviço amoroso e compassivo aos irmãos.

Somos convidados a trilhar o caminho da luz de Cristo Ressuscitado, caminho de vida nova, que faz apostar na liberdade em lugar do medo, em ajudar o outro em lugar do poder, apostar na bondade em lugar da ignorância. A alegria da Páscoa é saber que o grão de trigo ao morrer gera uma vida nova e poderosa capaz de produzir muitos frutos (cf. Jo 12,24).

Na visão cristã, o termo final, quer seja da vida de cada um, quer seja do fim da história, é tempo de vida nova e não de morte e derrota, porque se funda na esperança. Ao celebrar a Páscoa deixemos predominar em nós o otimismo sobre o drama de nossa realidade, pois o fim e o início são obras de Deus, e Deus também está presente neste intervalo que é nossa existência na Terra. Está presente para nos comunicar em Jesus sua graça e sua vida.

Coragem portanto, Jesus está conosco e podemos dizer como o poeta: “está escuro mas eu canto!”, a escuridão vai passar!

Dom Pedro Carlos Cipollinil, bispo de Santo André

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