O Serviço de Fraternidade e Partilha reuniu, no dia 16 de maio, agentes das pastorais sociais da Diocese de Santo André para um momento de oração, formação e encaminhamentos pastorais. A reunião, acompanhada pelo Vicariato Episcopal para a Caridade Social, teve como objetivo fortalecer a organização da caridade nas paróquias e foranias, além de aprofundar a missão da Igreja junto às pessoas em situação de vulnerabilidade.
A caridade como caminho de evangelização
A oração inicial foi conduzida pelo Padre André Rodrigues, assessor eclesiástico do Serviço de Fraternidade e Partilha. A partir do Evangelho de São Mateus, no qual Jesus envia os discípulos em missão, o sacerdote recordou que a caridade também é caminho concreto de evangelização.
“Jesus confia à comunidade dos discípulos o poder de dar continuidade à sua missão e fazer novos discípulos”, afirmou.
Padre André também ressaltou que o trabalho das pastorais sociais precisa ser vivido em comunhão, como expressão de uma Igreja que caminha junto.
“Nesse trabalho do Vicariato, nós somos chamados a atrair novos corações, não só pelo sacramento do Batismo, mas também através da caridade”, disse.
Um serviço vivido em rede
Na sequência, o Diácono João Ribeiro apresentou a estrutura do Vicariato Episcopal para a Caridade Social e explicou que ele não deve ser compreendido como uma pastoral isolada, mas como um organismo da Diocese a serviço da caridade social.
“O Vicariato não é uma pastoral, não é um serviço. Ele é um organismo, como um braço da Diocese para cuidar da caridade social”, afirmou.
Ele também lembrou que essa missão é assumida por todos os agentes, cada um a partir de sua realidade paroquial e forânea.
“Quem é o Vicariato? Todos nós. Cada um na sua função, na sua forania e na sua paróquia”, completou.
A coordenadora diocesana do Serviço de Fraternidade e Partilha, Renata Batista, apresentou a dinâmica do serviço e reforçou que a caridade precisa ser vivida em rede. Segundo ela, a proposta é favorecer a partilha entre as paróquias, de modo que comunidades com maior capacidade de arrecadação possam auxiliar aquelas que enfrentam mais dificuldades.
“O trabalho da caridade não é só da minha paróquia, mas de toda a Diocese”, afirmou.
Renata também falou sobre a importância da comunicação entre as foranias e as paróquias, especialmente por meio dos grupos de WhatsApp, para que as informações cheguem aos agentes que acompanham de perto as famílias.
“As informações precisam chegar até as paróquias, porque quem conhece o povo e as necessidades são os coordenadores paroquiais”, explicou.
Organização da partilha
Outro ponto abordado foi o uso do sistema Theós, ferramenta da Diocese que passa a contar com uma área voltada à caridade. O sistema ajudará no cadastro das famílias, no controle das doações recebidas e distribuídas, além de evitar duplicidades no atendimento.
A orientação é que cada paróquia indique pessoas para acessar a plataforma e alimente os dados de forma gradual, começando pelas famílias acompanhadas. A ferramenta também deve ajudar as comunidades a identificarem melhor suas necessidades e possibilidades de partilha.
“Quem tem mais deve dividir com quem tem menos”, afirmou Renata.
Próximas ações
O encontro também contou com a presença do vigário episcopal para a Caridade Social, Padre Ryan Holke, que apresentou os próximos encaminhamentos do Vicariato. Entre eles estão a Operação Inverno, o Corpus Christi Solidário, a Missão Amor com as Famílias e as ações ligadas ao Dia Mundial dos Pobres.
Sobre a Operação Inverno, Padre Ryan explicou que a arrecadação de roupas de frio, cobertores e outros itens deve priorizar as pessoas em situação de rua, por meio da articulação com a Pastoral do Povo de Rua, sem deixar de considerar também as famílias acompanhadas pelas paróquias.
“O povo de Deus é muito generoso, mas a gente precisa conversar”, afirmou.
Ao falar sobre a missão do Vicariato, o sacerdote ressaltou que o cuidado com os pobres não pode depender apenas de uma pessoa ou de um grupo específico, mas precisa ser assumido por toda a comunidade.
“O grande objetivo do Vicariato é que, quando chegue uma pessoa em situação de vulnerabilidade à nossa paróquia, não seja preciso chamar ninguém, porque todos estejam preparados para acolher”, disse.
Pastoral de Conjunto e cuidado com os pobres
Na parte formativa, Padre Ryan conduziu uma reflexão a partir da Exortação Apostólica Dilexi te, do Papa Leão XIV, sobre o amor para com os pobres. O texto foi trabalhado em sintonia com o 9º Plano Diocesano de Pastoral, especialmente a partir das prioridades da Pastoral de Conjunto, Juventudes e Famílias.
“Existe um vínculo profundo entre o amor de Cristo e o apelo a nos fazermos próximos dos pobres”, afirmou.
Ao relacionar a reflexão com o Plano Diocesano, Padre Ryan lembrou que a caridade deve dialogar com as demais pastorais e serviços da comunidade.
“Na Pastoral de Conjunto, a gente não trabalha sozinho. A gente trabalha em rede”, disse.
Após a formação, os participantes foram divididos em grupos para refletir sobre a missão de servir aos pobres, a partir da Pastoral de Conjunto, e sobre como avançar na atuação junto aos jovens e às famílias.
O encontro terminou com encaminhamentos práticos e o compromisso de fortalecer a articulação do Serviço de Fraternidade e Partilha nas foranias. Ao recordar uma frase de Dom Pedro Carlos Cipollini, Renata sintetizou o sentido da missão assumida pelos agentes:
“O cuidado com o pobre deve ser o que faz o coração da Igreja pulsar.”










