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Diocese de Santo André

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E FRANKENSTEIN

Estamos em um momento crucial da história da humanidade. A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser ficção científica, tornando-se auxílio nas tarefas do dia a dia, prometendo avanços em todas as áreas. A jornada da IA não é recente, já era debatida no século XX com a publicação da obra de Alan Turing em 1950, “Máquinas Computacionais e inteligência”. Em 1956 o termo Inteligência Artificial foi estabelecido pelo Professor John McCarthy. Assim chegamos ao momento atual.

Esta evolução tecnológica que se manifesta em sistemas cada vez mais autônomos, carrega dilemas éticos e riscos sociais, que não podemos ignorar: crescente controle da vida das pessoas, desemprego causado pela automação, uso e abuso de dados pessoais. E o mais grave que é o risco da “morte” da imaginação.

É necessário um olhar crítico para ver os pontos positivos e negativos.  A IA transforma o mundo exterior e remodela a nossa percepção, nossa cultura e coloca-nos a pergunta: o que significa ser humano na era digital?

O perigo da IA é a criação de dispositivos que podem se passar por seres humanos, numa   realidade na qual existe excesso de informações, mas ao mesmo tempo a comunicação entre as pessoas declinou. A manipulação da vida e não só de informações é a grande preocupação.

Recordo-me aqui da obra “Frankenstein”, de Mary Shelley. Ela narra a história de um cientista que desafia os limites naturais ao criar vida artificialmente, resultando em um monstro ameaçador. No mundo contemporâneo, esta realidade do “transumanismo” surge como busca de superar as limitações humanas por meio da tecnologia. O transumanismo como movimento filosófico-científico, busca o ser humano perfeito. E já dizia o filósofo Pascal, inventor da máquina de calcular: quem quer se fazer de anjo acaba se tornando uma besta.

Pode haver uma perda da identidade humana, desigualdade social exacerbada pelo acesso desigual às tecnologias e as implicações éticas de modificar geneticamente o ser humano, sem falar na divisão aprofundada entre ricos e pobres.

A ciência precisa de parâmetros éticos e a consideração das consequências a longo prazo das inovações tecnológicas. Não se trata de barrar o progresso, mas de orientar seu desenvolvimento. A inovação e progresso tecnológico, não podem ir avançando sem assumir responsabilidades diante da sociedade.

A Bíblia afirma que o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1,27), conferindo assim uma dignidade intrínseca a cada pessoa. Porém, o homem não é Deus e nem pode querer ocupar seu lugar.

Os ensinamentos bíblicos e as religiões podem contribuir para a discussão sobre os limites da tecnologia e a dignidade humana, ao enfatizar a sacralidade da vida, desde sua concepção até seu fim natural, e a importância de uma ética baseada na dignidade humana.

A ciência e a tecnologia devem ser ordenadas ao bem da pessoa, ao bem comum, ordenadas à dignidade e integralidade da pessoa humana. E não se deixarem corromper pela sede do lucro e ânsia pelo poder.

+Dom Pedro Carlos Cipollini
Bispo de Santo André

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