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Diocese de Santo André

Entre história e devoção, Festa do Pilar chega à 88ª edição em Ribeirão Pires

Entre caminhos de terra, memórias preservadas e passos que se repetem ano após ano, a Capela Nossa Senhora do Pilar, pertencente à Paróquia Santa Luzia, em Ribeirão Pires, voltou a acolher fiéis de toda a região na 88ª edição da tradicional festa dedicada à padroeira.

A celebração não nasce de um tempo recente. Ela se sustenta na presença contínua do povo, que nunca deixou de se reunir naquele lugar. Desde o século XVIII, a devoção a Nossa Senhora do Pilar acompanha a história da região. A capela, erguida em 1714 em taipa de pilão por mãos escravizadas, a pedido do Capitão-Mor Antônio Correia de Lemos, permanece como testemunha silenciosa dessa caminhada.

Localizada no bairro Pilar Velho, a construção preserva suas características originais mesmo após intervenções ao longo dos anos. O reconhecimento veio em 1975, com o tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT), não apenas pelo valor arquitetônico, mas pela importância que o espaço carrega na vida religiosa e cultural da cidade.

Embora a memória litúrgica de Nossa Senhora do Pilar seja celebrada em 12 de outubro, é no dia 1º de maio que a devoção se manifesta de forma mais intensa na Diocese de Santo André. A data se consolidou como o grande encontro dos devotos, reunindo comunidades de diversas foranias em um movimento que cresce sem perder sua essência.

Ao longo do dia, a capela se torna ponto de chegada. Missas, procissão e a presença constante dos fiéis revelam uma tradição que não se apoia em grandes estruturas, mas na permanência do povo.

Nesse contexto, a Romaria ao Pilar se tornou um dos sinais mais expressivos dessa vivência. Iniciada em 2015, a caminhada nasceu a partir de grupos que já peregrinavam até o Santuário Nacional de Aparecida e passaram também a direcionar seus passos até o Pilar, partindo de Santo André. O gesto, simples no início, rapidamente se expandiu.

Hoje, paróquias inteiras organizam a caminhada, percorrendo ruas e estradas durante a madrugada, em silêncio, oração e partilha, até alcançar a capela. A chegada, mais do que um ponto final, se torna parte da própria experiência vivida ao longo do caminho.

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