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Diocese de Santo André

Dom Pedro reúne jornalistas e recorda: comunicar é servir à verdade

Encontro na Cúria Diocesana antecedeu o Dia Mundial das Comunicações Sociais e dialogou com a mensagem do Papa Leão XIV sobre a missão de preservar vozes e rostos humanos

Na manhã do dia 15 de maio, a Cúria Diocesana de Santo André acolheu jornalistas e profissionais da comunicação para um encontro com o bispo diocesano, Dom Pedro Carlos Cipollini. A iniciativa antecedeu o Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado em 17 de maio, na Solenidade da Ascensão do Senhor, e esteve em sintonia com a mensagem do Papa Leão XIV para a data, que neste ano trouxe como tema “Preservar vozes e rostos humanos”.

O encontro teve início com a acolhida conduzida pela jornalista Fernanda Minichello, da Assessoria de Imprensa da Diocese. Em seguida, o vigário geral, Padre Joel Nery, dirigiu uma palavra de boas-vindas aos presentes e apresentou o trabalho realizado pelo Departamento de Comunicação da Diocese, que reúne ações institucionais, jornalísticas, audiovisuais e pastorais.

Participaram da manhã Gabriel Reis, do Diário do Grande ABC; Nicole Floret e Neide Floret, da Folha do ABC; Andressa Oliveira, da Rede Vida; e Angélica Lima e Ana Cristina Ribeiro, da Rede Milícia da Imaculada. Também foi exibida uma mensagem gravada pelo Padre Gustavo Laureano Pinto, coordenador do Departamento de Comunicação. Como gesto de proximidade e memória institucional, foi entregue aos presentes o Anuário Diocesano, reunindo informações sobre a vida pastoral, administrativa e histórica da Diocese de Santo André.

Em sua fala, Dom Pedro agradeceu a presença dos jornalistas e recordou que valorizar a comunicação é parte essencial da missão evangelizadora da Igreja.

“Valorizar a comunicação é fundamental na missão evangelizadora da Igreja Católica. Isto não significa investir em um empreendimento privado, menos ainda constituir um negócio rentável. Essa valorização se deve ao objetivo da Igreja: pregar o Evangelho, levar uma mensagem: Jesus Cristo”, afirmou o bispo.

A reflexão veio ao encontro da mensagem do Papa Leão XIV, que, ao tratar da comunicação no tempo das novas tecnologias e da inteligência artificial, convidou a Igreja e a sociedade a preservarem a dimensão humana da comunicação, marcada por rostos, vozes, vínculos e responsabilidade diante da verdade.

Para Dom Pedro, a comunicação da Igreja não pode ser compreendida apenas como produção de conteúdo ou presença em plataformas. Ela está ligada ao anúncio do Reino de Deus e à construção de uma sociedade mais justa, solidária e comprometida com a vida.

“A Igreja, a partir da comunicação, anuncia o Reino de Deus e, pela força desse anúncio, transforma vidas, ajudando na construção de sociedades justas e solidárias”, disse.

O bispo também chamou a atenção para os desafios do tempo atual, marcado por grande avanço tecnológico, mas também por fragilidades humanas profundas.

“Nossa sociedade é maravilhosa e o progresso tecnológico nos introduziu numa nova era, porém não houve um crescimento e desenvolvimento das pessoas e dos relacionamentos sadios. A solidão e o desespero provocados pelo vazio fazem parte do cotidiano. Levar uma mensagem de amor e paz é um desafio”, refletiu Dom Pedro.

Ao falar aos profissionais presentes, o bispo recordou que a comunicação precisa estar comprometida com a cultura da vida, da paz e da liberdade. Em um tempo de polarização, desinformação e circulação rápida de conteúdos, ressaltou que a imprensa tem papel indispensável na preservação da democracia e no serviço à sociedade.

“A liberdade de imprensa é uma garantia não só para a democracia, mas para a evolução da sociedade como um todo. O ser humano tem fome não só de pão, mas também da verdade”, afirmou.

A frase também repercutiu na imprensa regional. No Dia Mundial das Comunicações Sociais, o Diário do Grande ABC publicou matéria assinada pelo jornalista Gabriel Rosalin com o título “O ser humano também tem fome de verdade, diz bispo”, retomando a reflexão de Dom Pedro sobre liberdade de imprensa, democracia e compromisso dos comunicadores com a verdade.

Ao recordar São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas e escritores, Dom Pedro lembrou que a missão de comunicar sempre exigiu coragem. Segundo o bispo, o santo soube usar os meios disponíveis em seu tempo para difundir o Evangelho de maneira humana e positiva, mesmo diante de perseguições e restrições à liberdade de expressão.

“São Francisco de Sales tem tudo a ver com a nossa época, na qual muitos jornalistas pagam com a vida o cumprimento de sua missão”, disse.

Após a palavra do bispo, os jornalistas presentes puderam se apresentar e partilhar suas experiências, desafios e percepções sobre o exercício da profissão. Gabriel, do Diário do Grande ABC, falou sobre a dura realidade de comunicar o cotidiano das pessoas, muitas vezes marcado por dores, conflitos e situações difíceis, mas lembrou que dar voz a essas realidades é essencial para que elas sejam conhecidas e ouvidas.

Pela Rede Imaculada, Angélica partilhou sua atuação no jornalismo católico e sua participação na Signis Brasil. Ela também manifestou sua admiração por Dom Pedro, a quem definiu como um comunicador nato.

“Muita gente tem conhecimento, mas não sabe passar. Dom Pedro sabe transmitir. É um excelente professor”, afirmou.

Ana Cristina, também da Rede Imaculada, falou sobre sua trajetória na Milícia da Imaculada e sobre o trabalho editorial realizado nas revistas e nos conteúdos jornalísticos da instituição. Ela apontou o combate às notícias falsas como um dos maiores desafios da profissão.

“O maior desafio hoje do jornalismo é combater as notícias falsas e também lidar com a questão da imparcialidade”, disse.

Representando a Rede Vida, Andressa recordou a história da primeira televisão católica do Brasil, nascida com a missão de levar a boa notícia a diferentes lugares. Ela explicou que o veículo busca mostrar aquilo que constrói, especialmente as ações realizadas pelas dioceses, pastorais e comunidades em favor das pessoas.

“O nosso principal foco é a boa notícia. Na Rede Vida, a gente procura sempre olhar para o lado das pessoas que estão ajudando, para as dioceses e pastorais que fazem trabalhos maravilhosos”, partilhou.

Nicole, da Folha do ABC, falou sobre a tradição do jornal impresso e os desafios de manter viva uma publicação regional em tempos de mudanças no consumo de informação. Ela lembrou que, apesar dos altos custos, ainda há leitores e empresas que acreditam no papel.

“O grande desafio hoje é manter o impresso, porque é um meio caro, mas ainda existem empresas que acreditam no papel”, afirmou.

Ao ouvir os relatos, Dom Pedro reconheceu os sacrifícios enfrentados pelos profissionais da imprensa e recordou que o jornalismo, quando vivido com responsabilidade, também é missão.

“Eu penso que ser jornalista é uma missão que brota de uma convicção, de um desejo de divulgar algo positivo para que as pessoas tenham vida e coragem”, disse.

O bispo também falou sobre a importância da prudência e da verificação dos fatos, especialmente no ambiente digital. Para ele, a pressa em opinar e compartilhar informações sem confirmação compromete a verdade e pode causar danos difíceis de reparar.

“Uma notícia falsa é muito prejudicial. Tem que tomar muito cuidado e ter critérios para dar notícias: a veracidade e também a utilidade da notícia. Hoje tem muita coisa inútil na mídia, coisa que não ajuda e não é construtiva”, alertou.

Dom Pedro avaliou o encontro como positivo e expressou o desejo de que a iniciativa continue nos próximos anos. Para ele, momentos assim criam laços, aproximam pessoas e permitem uma reflexão necessária sobre a liberdade de imprensa, a missão do jornalista e o serviço da comunicação ao bem comum.

“Tudo que é bom começa sempre como uma sementinha. Hoje plantamos. Quem sabe no ano que vem possamos nos reunir novamente”, afirmou.

A manhã foi encerrada com agradecimentos, foto oficial e café de convivência. O encontro foi marcado pela escuta, pela gratidão e pelo reconhecimento da comunicação como serviço à verdade, ao bem comum e à missão de preservar, em cada notícia, os rostos e as vozes humanas que compõem a história do Grande ABC.

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