Pular para o conteúdo principal

Diocese de Santo André

Transparência e Prestação de Contas

Este artigo foi escrito a pedido do secretário do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), como parte dos esforços de implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade, que nos convida a fortalecer a comunhão, a participação e a corresponsabilidade na vida da Igreja.

A transparência e a prestação de contas são dimensões essenciais de uma Igreja sinodal, comprometida com a comunhão, a participação e a corresponsabilidade de todos os batizados.

O Sínodo sobre a Sinodalidade, cujas duas sessões legaram um valioso documento conclusivo desta etapa, nos apresenta a natureza da própria sinodalidade, que é, em primeiro lugar, a capacidade dos pastores e fiéis de ouvir a voz do Espírito Santo por meio do discernimento eclesial.

Fica claro que a sinodalidade eclesial consiste no “caminhar juntos dos cristãos com Cristo”, cuja atividade consiste em reunir-se, dialogar, discernir e decidir. Nesse sentido, nunca é demais recordar que a “sinodalidade é, antes de tudo, uma disposição espiritual que permeia a vida cotidiana dos batizados e todos os aspectos da missão da Igreja” (n. 43).

Tudo isso nos leva à pergunta pela finalidade deste movimento sinodal ao qual o Espírito conduz a Igreja hoje. Parece-me que a colocação do Papa Francisco nos ilumina neste ponto: “tornar o Reino de Deus presente no mundo, partindo do Evangelho, para viver a unidade na fraternidade (cf. EG 34-39, 76)”. É a partir deste núcleo de comunhão e participação, gerado pela unidade em Cristo vivida na fraternidade, que a sinodalidade se torna “profecia para o mundo”, fazendo a Igreja ser missionária a partir do testemunho de caridade.

Esta Igreja do amor-ágape tem vários aspectos assinalados pelo Documento Final do Sínodo, como a “conversão dos processos”, a partir da escuta da Palavra, que é o ponto de partida de todo critério de discernimento eclesial. Algo que o Sínodo tratou com muita seriedade vem expresso como “transparência, prestação de contas, avaliação” (cf. n. 95-102):

“A tomada de decisão não conclui o processo de decisão. Ela deve ser acompanhada e seguida de práticas de prestação de contas e de avaliação, em um espírito de transparência inspirado em critérios evangélicos” (n. 95).

A comunhão e a participação na Igreja devem chegar à questão da administração econômico-financeira, incluindo os Conselhos Administrativos Financeiros diocesanos e paroquiais, com a participação de leigos, já existentes e que devem ser levados a sério. Aqui não se trata somente de prestação de contas na gestão econômica dos recursos da Igreja, mas também de uma prestação de contas pastoral, por meio dos Conselhos de Pastoral:

“Essas práticas contribuem para assegurar a fidelidade da Igreja à sua missão. A sua ausência é uma das consequências do clericalismo e, ao mesmo tempo, alimenta-o… Se a Igreja sinodal quer ser acolhedora, a prestação de contas deve tornar-se prática corrente a todos os níveis” (n. 98-99).

A transparência e a prestação de contas têm raiz evangélica, na atitude de Jesus e dos apóstolos. Não há fraternidade onde não há participação, como fruto da comunhão, pois o amor exige corresponsabilidade de todos em tudo (cf. At 2,42-47; 4,32-35). Por isso, o Sínodo reconhece que:

“Em particular, no que diz respeito à transparência, surgiu a necessidade de iluminar o seu significado, ligando-a a uma série de termos, como verdade, lealdade, clareza, honestidade, integridade, coerência, rejeição da opacidade, da hipocrisia e da ambiguidade, e ausência de segundas intenções” (n. 96).

A atitude de transparência é uma guardiã da confiança e da credibilidade, das quais uma Igreja sinodal, atenta às relações, não pode prescindir. É comovente ver, nos Atos dos Apóstolos, como São Pedro presta contas à comunidade de Jerusalém de sua atividade pastoral em Jope, na casa do centurião romano Cornélio, que era pagão, ocasião em que batizou a todos (cf. At 11,1-18).

O Sínodo, após enumerar as medidas práticas para implementar a transparência e a prestação de contas, conclui:

“…prestar contas não é um trabalho burocrático em si, mas um esforço comunicativo que se revela um poderoso meio educativo em vista da mudança de cultura” (n. 102).

Podemos concluir com o que propõe o Documento Final do Sínodo:

“A participação dos batizados nos processos de decisão, bem como nas práticas de prestação de contas e avaliação, realiza-se por meio de mediações institucionais, principalmente os organismos de participação que, em nível de Igreja local, o direito canônico já prevê” (n. 103).

É todo um trabalho de integração, que requer mais que a conversão pastoral: requer a conversão sinodal, conversão que é um evento misterioso da ação do Espírito Santo no coração de cada fiel que se abre à sua ação santificadora.

artigo postado: https://cnbbsul1.org.br/transparencia-prestacao-de-contas-dom-pedro-cipollini/

Compartilhe:

Transparência e Prestação de Contas

O ESSENCIAL NO CRISTIANISMO

nomeacoes

Decretos e nomeações – 14/10/2026

Dom Pedro celebra Nossa Senhora Aparecida com mais de 2 mil fiéis e encerra dia no Santuário da Pauliceia

Almoço fraterno celebra os 16 anos de episcopado de Dom Pedro

Último dia da Novena de Nossa Senhora Aparecida reúne fiéis e marca novo momento pastoral em Diadema

“Vencer o mal fazendo o bem” reflete Dom Pedro durante tríduo de Nossa Senhora Aparecida

“Onde tem uma comunidade paroquial, tem uma luz acesa na escuridão”, afirma Dom Pedro nos 60 anos da Paróquia Nossa Senhora de Fátima

Diocese de Santo André abre Mês Missionário com convite à unidade e ao testemunho da fé

BOA JUSTIÇA E BONS JUÍZES