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Diocese de Santo André

Encontro Vocacional convida jovens a silenciar o coração para ouvir o chamado de Deus

Como reconhecer a voz de Deus em meio às distrações do dia a dia? E como descobrir se o chamado é para a vida religiosa? Essas perguntas acompanharam o Encontro Feminino Vocacional, realizado na tarde de domingo, 18 de outubro, no auditório da Cúria Diocesana de Santo André. Promovida pelo Serviço de Animação Vocacional (SAV), a iniciativa reuniu jovens e religiosas de diferentes congregações para uma tarde de oração, convivência e partilha sobre o discernimento vocacional.

Inspirado nas palavras de Santo Agostinho, “Chamaste-me, Senhor, e o Teu grito rompeu minha surdez”, o encontro convidou as participantes a refletirem sobre a importância do silêncio, da oração e do acompanhamento para reconhecer a vontade de Deus.

Após a acolhida e a oração inicial, a irmã Damiana conduziu a reflexão principal da tarde. Partindo da passagem bíblica do chamado de Samuel (1Sm 3), ela recordou que o jovem precisou da ajuda de Eli para compreender quem o chamava. A experiência serviu para mostrar a importância do acompanhamento vocacional e, sobretudo, da disposição interior para escutar.

“Para ouvir a voz do Senhor, é preciso estar repousando na presença dele. É preciso estar com o coração em paz”, explicou a religiosa.

Ao conversar com as jovens, irmã Damiana também chamou a atenção para as distrações da vida cotidiana, especialmente o tempo dedicado às redes sociais. Segundo ela, muitas vezes, o desejo de descobrir a vontade de Deus acaba ficando em segundo plano diante de tantas informações e atividades.

“Deus está ali, chamando, gritando com seu amor, mas eu não consigo ouvir porque estou muito distraído”, observou, convidando as participantes a rever suas prioridades e reservar mais tempo para a oração.

A religiosa também procurou tranquilizar aquelas que ainda têm dúvidas sobre qual caminho seguir. Recordou que a vocação não se descobre em um único encontro e que o discernimento precisa amadurecer, sem pressa ou medo de fazer perguntas.

“Deus é paciente conosco. Seja paciente com Deus também”, aconselhou.

Para ela, mais importante do que desejar determinada vocação é estar verdadeiramente aberta àquilo que Deus deseja. Ao concluir a reflexão, convidou as jovens a abrirem os braços, em sinal de liberdade e entrega, e a transformarem uma canção em oração, seguindo o exemplo do sim de Nossa Senhora.

Depois de um momento de convivência, a programação continuou com uma dinâmica conduzida pelo casal Letícia e Willian. A proposta foi construir coletivamente a história de Clara, uma jovem que buscava compreender uma inquietação em seu coração. Utilizando diferentes objetos, as participantes foram dando continuidade à narrativa, relacionando situações do cotidiano com a oração, as dúvidas e a descoberta vocacional.

A atividade mostrou, de maneira descontraída, que a resposta ao chamado de Deus não acontece de forma isolada. É preciso aprender a escutar, permitir-se ser acompanhado e respeitar o tempo necessário para que a vocação amadureça.

Na sequência, a irmã Venícia conduziu um espaço de perguntas e respostas, a partir das dúvidas encaminhadas pelas jovens durante as inscrições. Entre os assuntos abordados estavam a rotina das congregações, a diferença entre a vida religiosa e o matrimônio, as etapas de formação e a possibilidade de realizar experiências vocacionais nas comunidades.

As religiosas compartilharam aspectos de sua vida cotidiana, explicando que, além dos momentos comunitários de oração, também desenvolvem trabalhos na educação, na saúde e em diferentes frentes de atuação pastoral e social.

“A nossa vida, por essência, é missionária”, afirmou uma das religiosas, lembrando que a consagração não se limita às atividades realizadas dentro do convento, mas se expressa também no encontro e no cuidado com as pessoas.

A conversa abriu espaço ainda para a vocação matrimonial e a missão dos leigos na Igreja. A partir de experiências pessoais, as participantes puderam compreender que cada estado de vida possui uma forma própria de responder ao amor de Deus.

O encontro foi concluído com a celebração da Santa Missa, presidida pelo padre Thiago Batista da Silva, assessor diocesano do Serviço de Animação Vocacional (SAV).

Na homilia, durante o 29º Domingo do Tempo Comum, o sacerdote relacionou as leituras bíblicas ao chamado que Deus faz a cada batizado. Ao recordar a passagem do Evangelho em que Jesus ensina a dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, convidou os presentes a refletirem sobre a maneira como oferecem a própria vida ao Senhor.

“Qual é o lugar que Deus tem na nossa vida? Deus é, de fato, o Senhor da nossa história?”, questionou.

Padre Thiago lembrou que a resposta vocacional precisa ser vivida diariamente e que a pertença a Deus deve se traduzir em gestos concretos de amor e serviço, independentemente da vocação abraçada.

“Se pertencemos a Deus, vamos dar a Ele o espaço devido em nossa vida”, afirmou, alertando para o risco de oferecer ao Senhor apenas o tempo que sobra entre os compromissos cotidianos.

Celebrada também no Dia Mundial das Missões, a Eucaristia recordou que toda vocação nasce do amor de Deus e se realiza na disposição de servir.

O próximo Encontro Feminino Vocacional já tem data marcada: 14 de fevereiro de 2027. A iniciativa dará continuidade aos momentos de escuta, partilha e acompanhamento das jovens que desejam conhecer melhor a vida religiosa e discernir sua vocação. Em breve, serão divulgadas mais informações sobre a programação e as inscrições.

51-Encontro Vocacional Feminino

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