Diocese de Santo André

4º Grito dos Excluídos e Excluídas ecoa em Mauá: “Vida em primeiro lugar! Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia”

A Diocese de Santo André, por meio da Comissão de Justiça e Paz e do Vicariato Episcopal para a Caridade Social, realizou no dia 7 de setembro o 4º Grito dos Excluídos e Excluídas, reunindo fiéis e movimentos sociais no Santuário Diocesano da Imaculada Conceição, em Mauá.

A manhã teve início com a Santa Missa presidida pelo Pe. Ryan Holke, Vigário Episcopal para a Caridade Social, e concelebrada pelo reitor e pároco do Santuário, Pe. Claudio Tafarelo. Em sua homilia, Pe. Ryan recordou que a verdadeira sabedoria vem de Deus e é capaz de transformar nossas escolhas e relações. “Se nós não colocarmos o amor de Deus como grande critério da nossa vida, seguir Jesus não fará sentido”, afirmou, lembrando que o discipulado exige renúncia e coragem para carregar a cruz.

Ele também destacou que a fé cristã não pode se conformar com a lógica da exclusão ou do descarte. “Nós não podemos nos conformar com esse jeito de tratar o ser humano de qualquer forma. Não está certo. O convite do Evangelho é transformar a nossa mentalidade, plantar sementes de amor e justiça, que frutificam no tempo de Deus”, disse, chamando todos a se tornarem instrumentos de fraternidade e defensores da vida.

Ao final da missa, foi lida a mensagem do bispo diocesano, Dom Pedro Carlos Cipollini, que impossibilitado de estar presente, enviou seu apoio. Em sua carta, Dom Pedro recordou que o Grito é, acima de tudo, um clamor pela vida:

“Caros irmãos e irmãs,
Impossibilitado de estar presente envio-vos esta mensagem.

Hoje é dia de rezar por nossa Pátria e pedir a Deus que a faça mais justa, fraterna e feliz! Dia da Pátria, mas também dia de nos lembrarmos de tantos brasileiros e brasileiras que estão excluídos desta Mãe Pátria. Vivem nela sem ter casa, um lar, sem ter comida, sem ter educação, saúde e uma vida digna. São os excluídos!

Por isso, a partir de nossa fé em um Deus que é Pai e quer todos os filhos unidos, tomamos esta iniciativa do “Grito dos Excluídos”. Para lembrar à sociedade e aos representantes do Povo, que algo deve ser feito pelos excluídos. Não podemos continuar sendo uma das maiores economias do mundo e tendo uma perversa distribuição de renda. Uma das piores do mundo. Não é justo. Se até com os animais, cães e gatos, se preocupam para que haja um bom trato para eles, muito mais devemos nos preocupar com as pessoas, imagem e semelhança de Deus.

Nosso desejo é que todos sejam incluídos. Que todos tenham vida e vida plenamente, como o desejou o Senhor Jesus. (cf. Jo 10,10). Incluir as pessoas é possibilitar-lhes vida. O grito dos excluídos é o grito pela vida.

Desejamos que haja mais compromisso com políticas públicas inclusivas, especialmente na área da saúde. Que Deus fortaleça todas as pessoas de boa vontade que amam a Deus e ao próximo. Que a esperança permaneça em nossos corações.

Esperança de uma Pátria onde todos sejam irmãos e irmãs e vivam a fraternidade de verdade.

Deus os abençoe, guarde e fortaleça no seu amor divino.

07 de setembro 2025.

Dom Pedro Cipollini
Bispo de Santo André

Após a celebração, os participantes partilharam um café comunitário e saíram em caminhada pelas ruas de Mauá. O que se via eram famílias inteiras, muitas crianças e jovens, todos unidos em um mesmo propósito. O canto, as faixas e os cartazes se misturavam à alegria estampada nos rostos. A cada parada, representantes de diferentes movimentos sociais tomavam a palavra, narrando experiências de exclusão e esperança. E o povo ouvia com atenção, respondendo com aplausos, gestos de incentivo e olhares carregados de solidariedade.

A caminhada tornou-se um sinal de comunhão e resistência. Crianças caminhavam de mãos dadas com seus pais, idosos traziam palavras de encorajamento e os testemunhos ecoavam como sementes plantadas em cada coração. Ali, o que poderia ser dor se transformava em esperança, mostrando que quando os excluídos têm voz, a sociedade inteira é convocada a se repensar.

A chegada ao Parque da Juventude foi marcada por um momento inter-religioso com lideranças de diversas denominações religiosas. Unidos, recordaram o lema deste ano: “Vida em primeiro lugar! Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia”.

Este ano, em sintonia com o 31º Grito dos Excluídos em todo o Brasil e com o Ano Jubilar 2025, a celebração reforçou que a esperança não decepciona (Rm 5,5) e que a fé deve se traduzir em compromisso concreto com justiça social, democracia e cuidado da criação.

Veja o álbum completo, clicando aqui.

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