Vivemos uma “crise climática”, que ninguém mais pode negar, a não ser por interesses espúrios. Do ponto de vista científico, ela incide na importância de preservar a camada de ozônio que protege o planeta Terra. Sem ela a ameaça de destruição será fatal.
A obsessão pelo crescimento sem limites, em um planeta cujos recursos são limitados e a emissão de dióxido de carbono, devido ao uso de substâncias toxicas, derivadas dos fósseis e o uso de petróleo e carvão principalmente, são os grandes causadores deste aquecimento global que afeta a atmosfera. É preciso não emitir mais CO2 do que a natureza, incluindo as florestas e os oceanos, podem absorver.
Neste sentido, a encíclica “Laudato Si” do papa Francisco, vai além da comunidade católica e da comunidade religiosa. Ela influenciou um público muito amplo, são milhões de pessoas. Isso porque, a encíclica proporcionou uma ponte entre a ciência e os valores humanitários, influenciando nas políticas dos diversos países. Uma encíclica que colocou em palavras coisas que, em nossos corações e em nossa experiência de vida, não tínhamos como expressar, como o termo “casa comum”. Ela fez com que começássemos a entender que, nesta crise, a forma como tratamos uns aos outros é a mesma coisa no trato com a natureza, ajudando a ter uma nova visão. Isso criou, um movimento de solidariedade, aprendizado e compreensão dentro do cristianismo, conscientizando sobre o papel que ele deve desempenhar: ser salvaguarda da criação que é obra de Deus.
Os desafios apresentados pelas alterações climáticas colocam em risco a vida de todos neste planeta e, por conseguinte, exigem cooperação internacional e um multilateralismo coeso e orientado para o futuro, que coloque a sacralidade da vida, a dignidade inerente a cada ser humano e o bem comum no seu centro. São quatro as questões-chave em relação a solução da crise climática.
Em primeiro lugar, o reforço de um multilateralismo coeso e orientado para o futuro sem poluição. As alterações climáticas não conhecem fronteiras e, por conseguinte, exigem esforços conjuntos, de todos.
Em segundo lugar, para manter o aumento da temperatura global dentro do limite de 1,5°C, é essencial garantir uma transição justa e equitativa, para longe dos combustíveis fósseis, tendo ciência que as consequências das mudanças climáticas afetam principalmente os pobres.
Em terceiro lugar, é preciso atenção para “o rosto humano da crise climática”, que deve inspirar os trabalhos para reduzir a poluição. A dignidade das pessoas deve prevalecer, de modo que a ética suplante os interesses locais ou contingentes.
Em quarto lugar, destaca-se que nesta transição justa e equitativa, os recursos econômicos e operacionais são necessários, mas não suficientes. As soluções políticas e técnicas devem ser acompanhadas por um processo educativo que proponha novas formas sustentáveis de viver e cuidar da criação. À educação deve-se combinar justiça social e ambiental, promover a sobriedade e estilos de vida sustentáveis.
A crise ambiental não se resolve com medidas parciais. A cultura ecológica não se pode reduzir a respostas urgentes e improvisadas. Deve ser uma ecologia integral como um olhar, uma política, um estilo de vida e uma espiritualidade que oponham resistência à destruição do planeta, de forma sistemática e contínua.
O papa Leão XIV nos convida a salvar nossa casa comum, ainda há esperança: “O paraíso não está perdido, mas sim encontrado. A morte e a ressurreição de Jesus, portanto, são o fundamento de uma espiritualidade de ecologia integral, fora da qual as palavras da fé permanecem sem contacto com a realidade e as palavras da ciência permanecem fora do coração.”
+Dom Pedro Carlos Cipollini
Bispo de Santo André
