Pular para o conteúdo principal

Diocese de Santo André

LIBERDADE RELIGIOSA

Por ocasião do “Dia nacional de Combate à intolerância religiosa” (21 de janeiro), a data foi assinalada com várias manifestações. Uma delas foi o manifesto da Frente Inter-Religiosa por Justiça e Paz Dom Paulo Evaristo Arns, que comento a seguir.

Liberdade religiosa quer dizer ausência de coação externa, no ato de fé ou no exercício do culto, seja público ou privado, ou na difusão das convicções religiosas. Diante disso, assinala-se um dado que às vezes passa despercebido: “A intolerância religiosa é violência, não é ‘opinião’! É agressão contra a dignidade humana, a liberdade e a convivência democrática”.

No Brasil, a pluralidade religiosa é um patrimônio que precisa ser protegido. A diversidade religiosa é um tesouro, e jamais uma ameaça à sociedade. Toda fé tem direito à segurança, ao respeito e à livre expressão. Ninguém deve ser humilhado, ridicularizado, perseguido, ameaçado, agredido ou silenciado por causa de sua crença, de símbolos religiosos, de práticas rituais.

“É preciso reconhecer, com clareza, que a intolerância religiosa no Brasil atinge comunidades e territórios, templos e até mesmo vidas, especialmente as religiões de matriz africana e povos tradicionais”. Quando um espaço sagrado é atacado, quando símbolos religiosos são profanados, comunidades são impedidas de celebrar, crianças são constrangidas por sua fé, toda a sociedade é ferida. A violência contra um grupo abre caminho para a violência contra muitos.

Deve-se trabalhar em favor da vida e da dignidade humana. Nenhuma crença pode ser usada como licença para desumanizar inclusive para justificar guerras. Deve-se lutar em defesa da liberdade religiosa e da laicidade do Estado. Um Estado laico garante direitos iguais e protege a pluralidade religiosa, sem se submeter à visão de um único grupo.

Ha necessidade de respeito, o qual não é apenas “tolerar”, mas não atacar, não ridicularizar, não incitar violência. E também, defender quem é ferido ou discriminado por causa de sua religião. Para que isto aconteça deve-se impulsionar uma educação plena de valores e cultura de paz além de formar para a ética, convivência, diversidade, os direitos humanos, reconhecendo a dignidade, individualidade e espiritualidade de todos.

Também há necessidade de responsabilização. Dado que ataques não podem terminar em silêncio e impunidade, pois intolerância religiosa é crime inafiançável e imprescritível. Além de falha ética que fere a consciência coletiva, e precisa ser enfrentada com rigor.  

A fé não pode ser uma arma. A fé é uma ponte. Ponte que não apaga diferenças, mas as honra com a maturidade e o compromisso com o bem comum. Onde houver intolerância, sejamos a presença da paz e defesa do direito à liberdade religiosa. Aliás direito garantido na Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU de 1948: “Todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião.”.

Acrescento aqui o que diz o Concilio Vaticano II, quando funda a liberdade religiosa na própria dignidade da pessoa humana, como a conhecemos pela Palavra de Deus e pela própria razão natural (cf. Dignitatis Humanae n. 9). A liberdade religiosa para os cristãos se funda no espírito de Jesus Cristo, o qual é contra toda tentativa de pressão exercida sobre crenças religiosas, e qualquer meio de comprar adesões ou proselitismo e, mais ainda o fanatismo.

Concluo recordando deste mesmo documento da Igreja Católica, citado acima no seu numero 12, a seguinte e esclarecedora proposição: “Fiel à verdade do Evangelho, segue pois a Igreja pela senda de Cristo e dos Apóstolos quando reconhece e promove a liberdade religiosa como sendo conforme à dignidade da pessoa e à revelação de Deus”.

+Dom Pedro Carlos Cipollini
Bispo de Santo André

Compartilhe:

“Alargar a tenda do coração”: Presbíteros da Diocese de Santo André vivenciam retiro anual em Itaici

Homilia de Dom Pedro na missa do primeiro dia do Retiro dos Presbíteros 2026

“A misericórdia deve passar através de nós”: romaria reúne cerca de 3 mil diocesanos em Atibaia

HOMILIA | 24º Domingo do Tempo Comum

“Onde existe a caridade organizada, o Reino de Deus chegou”, afirma Dom Pedro nos 39 anos da Pastoral da Criança

Retiro diocesano do Movimento da Cultura da Divina Misericórdia convida fiéis a viver o perdão

“A Cruz é amor”: Dom Pedro reflete sobre o perdão durante Vésperas Solenes

Dom Pedro celebra a Natividade de Nossa Senhora em comunidade de Diadema

Grito dos Excluídos reforça compromisso com a vida e a Casa Comum