Na noite de 31 de dezembro, a Catedral Nossa Senhora do Carmo reuniu fiéis para a missa de encerramento do ano e celebrar a Sagrada Família de Nazaré, marcada pela gratidão e pela entrega confiante do tempo que se inicia nas mãos de Deus. A celebração foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Pedro Carlos Cipollini, e concelebrada pelo pároco e cura da Catedral, Padre Jean Rafael Barros.
Desde o início, a assembleia foi convidada a viver a Eucaristia como um momento de ação de graças pelo ano que se encerrava e de súplica pelo novo tempo que se abre. Em sua saudação inicial, Dom Pedro recordou que todos chegavam à celebração trazendo no coração gratidão e pedidos, confiando a Deus “este ano que termina e o Ano Novo que se inicia, para que seja, de fato, um tempo de bênçãos”.
Na homilia, o bispo refletiu a partir da liturgia da Palavra, recordando que a bênção proclamada não é apenas um desejo humano, mas nasce do próprio coração de Deus. Ao citar o Livro dos Números, afirmou que “o Senhor volta o seu rosto misericordioso para o seu povo e derrama sobre nós a sua graça”. Em seguida, destacou que essa bênção se revela plenamente em Jesus Cristo, “imagem visível de Deus”, aquele que dá rosto ao Pai invisível.
Ao contemplar o mistério do Natal, Dom Pedro conduziu a assembleia a olhar para Maria, Mãe de Deus. Segundo ele, “nós encontramos Jesus vivo no colo de Maria, como os pastores em Belém”, reconhecendo que Deus escolheu habitar no meio do seu povo de forma simples e próxima. O bispo recordou ainda que essa presença não é apenas externa, mas interior: “não temos apenas Jesus conosco, temos Jesus em nós, pelo Espírito Santo”.
Ao falar sobre a vida cristã, Dom Pedro ressaltou que, em Cristo, inicia-se uma nova criação, na qual a graça supera o pecado. “Jesus não veio apenas para perdoar, mas para nos resgatar naquilo que somos de verdade, segundo o projeto de Deus”, afirmou, recordando que pelo Batismo nos tornamos filhos e filhas, chamados a viver na liberdade do amor.
A celebração também foi marcada pelo forte apelo à paz, já que o início do novo ano é dedicado a essa intenção. Dom Pedro lembrou que “Cristo é a nossa paz” e que a verdadeira paz nasce de corações reconciliados. Ao olhar para a realidade do mundo, marcada por guerras e violências, afirmou que “toda guerra começa em corações que estão em guerra dentro da própria pessoa”, convidando os fiéis a pedir a paz não apenas para as nações, mas para o interior de cada ser humano.
Ao concluir, o bispo confiou o novo ano à intercessão de Maria Santíssima, modelo de escuta e oração. “Ela meditava tudo em seu coração”, recordou, convidando a comunidade a cultivar o silêncio, a reflexão e a oração, para que a Palavra de Deus, acolhida como semente, “possa dar frutos concretos em nossa vida”.







