Diocese de Santo André

Dom Pedro celebra 48 anos de sacerdócio: conversão como caminho de toda a vida

A Catedral Nossa Senhora do Carmo, em Santo André, acolheu na noite de 25 de fevereiro a Missa em ação de graças pelos 48 anos de ordenação presbiteral de Dom Pedro Carlos Cipollini. A celebração reuniu fiéis da comunidade e parte do clero diocesano, além da presença de Dom Luiz Carlos Cipollini, bispo de Marília e irmão de Dom Pedro, e do Padre Thiago Barbosa, do clero mariliense.

Em sintonia com o tempo quaresmal, Dom Pedro conduziu a homilia a partir do chamado constante à conversão. Recordou que a primeira palavra de Jesus no Evangelho de Marcos é um apelo direto e permanente: “Convertei-vos. O Reino de Deus chegou. Crede no Evangelho.” Para o bispo, esse convite não é pontual, mas atravessa a vida inteira, como um trabalho paciente de mudança interior, sustentado pela graça de Deus.

Ao refletir o Evangelho, Dom Pedro observou que, muitas vezes, a escuta da Palavra é substituída pela exigência de sinais. Ele lembrou que o povo de Nínive acolheu a pregação de Jonas e se converteu, enquanto, diante de Jesus, maior do que Jonas, muitos preferiam pedir milagres. E completou, conduzindo a assembleia ao centro da mensagem cristã: “O milagre é Ele.” Cristo, enviado pelo Pai, é o sinal definitivo, capaz de conduzir a humanidade à salvação.

Na sequência, Dom Pedro reforçou que a conversão é, por si, uma obra grande de Deus no coração humano. “O milagre maior ainda é a conversão”, afirmou, ao explicar que acreditar em Jesus e acolhê-lo de verdade transforma a vida e a maneira de caminhar. Para ele, quando a pessoa persevera nesse processo, aquilo que parecia distante vai se concretizando no cotidiano: a fé se torna prática, o Evangelho ganha forma em escolhas, e a vida passa a ser marcada por um sentido novo.

Foi nesse horizonte que Dom Pedro citou, de maneira breve e direta, a memória dos 48 anos de ministério presbiteral. Ele disse que a data é, antes de tudo, graça: “Não sou eu que mereci ser um presbítero da Igreja. É uma graça de Deus.” Em tom de oração, contou que, ao rezar o Ofício das Leituras pela manhã, encontrou uma frase que o acompanhou ao longo do dia e que, para ele, resume o modo como Deus conduz: “Eu te libertei porque te amo.”

Dom Pedro recordou ainda que sua caminhada atravessou períodos exigentes na vida da Igreja, já que nasceu antes do Concílio Vaticano II e viveu o Concílio e o pós-concílio, com desafios que marcaram gerações. Por isso, agradeceu não apenas pelo chamado, mas pela perseverança recebida ao longo do tempo. E reconheceu que o ministério não é estático: amadurece, aprofunda-se, transforma o coração do sacerdote. “Hoje, com 48 anos de padre, eu sou um padre diferente daquele padre do primeiro ano”, disse, ao falar do dinamismo próprio da vocação.

Ao mencionar o episcopado, Dom Pedro recordou o momento em que recebeu o chamado para ser bispo e como compreendeu aquela missão por meio das mediações da Igreja. Relembrou que, ao ser informado de que havia sido escolhido, entendeu que a obediência e a confiança também fazem parte do caminho vocacional. E, olhando para os padres presentes, ressaltou a dimensão comunitária do ministério. “Ninguém é padre ou bispo sozinho”, afirmou, ao recordar o gesto da imposição das mãos na ordenação presbiteral como sinal de pertença ao presbitério.

Em outro trecho, Dom Pedro retomou o sentido do sacerdócio como dedicação pastoral ao povo, sem perder de vista a fonte interior da missão. Disse que o presbítero é chamado a viver a amizade com Cristo, lembrando o Evangelho: Jesus escolheu os doze para estar com Ele e depois enviá-los. Por isso, enfatizou: “Jesus escolhe o presbítero para ser amigo dele.” E explicou essa amizade como permanência, acolhida, fraternidade e capacidade de partilhar dores e ideais.

Ao concluir, Dom Pedro pediu orações e falou com simplicidade sobre a felicidade de ter vivido a vocação que sempre desejou. “Sou feliz como padre. Sempre quis ser padre, desde meninininho”, disse. Recordou que, mesmo quando recebeu a missão de lecionar e colaborar na formação de novos presbíteros, procurou manter-se ligado à vida paroquial, por reconhecer ali um lugar decisivo do ministério: estar junto do povo.

Após a bênção, os fiéis da Catedral fizeram uma homenagem a Dom Pedro, dirigindo também palavras de acolhida a Dom Luiz. Em nome da Diocese, recordaram que o bispo se aproxima do jubileu de ouro e manifestaram gratidão pelo pastoreio exercido ao longo dos anos. Pediram a Deus e à Virgem Maria que o continuem iluminando, protegendo e concedendo paz, amor e discernimento para seguir conduzindo a Igreja em espírito de comunhão.

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