Diocese de Santo André

QUERES PAZ? PREPARE A PAZ!

Ter paz. Esta é aspiração que brota do coração humano. A violência e insegurança se tornaram uma epidemia. Rios de dinheiro são gastos com tecnologias para garantir segurança. Porém, a segurança gerada pela paz, não é questão que se resolva de fora para dentro, mas de dentro para fora. Quero dizer, resolve-se, sobretudo com um processo educacional efetivo, com mudança de mentalidade nos relacionamentos sociais, e a domesticação do vício nacional que é “levar vantagem em tudo”, em que pese lesar os outros, corromper e roubar como se fosse normal.

Queremos paz, precisamos de Paz. Ela é fruto da justiça, mas também de uma conversão para a paz. Sem esta conversão, quando todos forem ricos, continuarão roubando e matando uns aos outros, talvez de forma sofisticada. Hoje, a justiça e a dignidade humana estão, mais do que nunca, expostas aos desequilíbrios de poder entre os mais fortes.

Os cristãos falam de paz a partir da fé em Jesus Cristo. A paz não é somente questão de sobrevivência, mas também é cumprimento da vontade de Deus que projetou o ser humano para viver em paz. Quem venceu a morte e derrubou as barreiras que separavam os seres humanos (cf. Ef 2, 14) foi Jesus, o Bom Pastor que dá a vida pelo rebanho: Cristo é nossa paz. A sua presença, o seu dom e a sua vitória reverberam na perseverança de muitas testemunhas, por meio das quais a obra de Deus continua no mundo, tornando-se perceptível e luminosa na escuridão dos tempos. Voltar-se para Jesus Cristo é voltar-se para a paz.

A paz é exigência que os discípulos de Jesus são chamados a viver de maneira única e privilegiada, mas que precisa abrir caminho no coração de cada ser humano. A paz existe, deseja habitar-nos, tem o poder de iluminar e alargar a inteligência, resiste à violência e a vence.

Embora hoje não sejam poucas as pessoas com o coração pronto para a paz, um grande sentimento de impotência as invade diante do curso cada vez mais incerto dos acontecimentos. Quando tratamos a paz como um ideal distante, acabamos por não considerar escandaloso que ela possa ser negada, e que até mesmo se faça guerra para alcançá-la. As despesas militares aumentam a cada ano: absurdo da contradição humana! Atualmente, não são poucos aqueles que chamam de realistas as narrativas privadas de esperança, cegas à beleza dos outros e esquecidas da graça de Deus que sempre age nos corações humanos, por mais feridos que estejam pelo pecado. Por incrível que pareça existem muitas forças que boicotam a paz e impulsionam os conflitos.

Os cristãos devem promover a paz, para que, guardando-a no íntimo do próprio espírito, poderão irradiá-la ao seu redor. Se queremos a paz, temos que tê-la dentro de nós.  Por isso, a paz de Jesus é desarmada, porque desarmada foi a sua luta, dentro de precisas circunstâncias históricas, políticas e sociais. São João XXIII foi o primeiro a introduzir a perspectiva de um desarmamento integral, alcançado somente através da renovação do coração e da inteligência.

A bondade é desarmante. Talvez por isso Deus se tenha feito criança. O mistério da Encarnação, que tem o seu ponto mais extremo de esvaziamento, na descida de Deus à terra, começa no ventre de uma jovem mãe e manifesta-se na manjedoura de Belém. «Paz na terra», cantam os anjos, anunciando a presença de um Deus indefeso, pelo qual a humanidade pode descobrir-se amada.

            O velho e pérfido axioma: si vis pacem para bellum (se queres a paz prepare a guerra), é ultrapassado pelo avanço da civilização. Como deixou escrito Rui Barbosa: “Não se obtém a paz, senão aparelhando a paz. Si vis pacem para pacem (se queres a paz, prepare a paz).

+Dom Pedro Carlos Cipollini
Bispo de Santo André

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