No último final de semana, nos dias 21 e 22 de fevereiro, o Santuário Nacional de Aparecida acolheu a abertura oficial da Campanha da Fraternidade 2026. Neste ano, a Igreja no Brasil propõe como tema Fraternidade e Moradia e assume como lema Ele veio morar entre nós. A Comissão Diocesana da Campanha da Fraternidade da Diocese de Santo André acompanhou de perto esse início, em comunhão com as iniciativas que, durante a Quaresma, devem chegar às comunidades de todo o país.
A programação foi marcada, logo no início, pela celebração da Santa Missa presidida por Dom Ricardo Hoepers, secretário-geral da CNBB. Em seguida, um dos gestos mais simbólicos do encontro chamou a atenção dos fiéis: a instalação da escultura Jesus sem teto no pátio da Basílica. O sinal, colocado em um dos espaços mais visitados do Santuário, procura manter viva a pergunta que atravessa a campanha deste ano, ao lembrar a realidade de tantas pessoas que vivem sem uma casa e sem condições dignas de moradia.
Além de Dom Ricardo, participaram da cerimônia Dom Jaime, Cardeal Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB; Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida; Dom José Carlos Chacorowski, bispo diocesano de Caraguatatuba; o secretário executivo do Regional Sul 1, Pe. Luiz Fernando da Silva, o Padre Zezinho e outros ministros ordenados. A escultura foi abençoada por Dom Jaime, enquanto Dom Orlando realizou o gesto inaugural, confirmando a presença desse sinal permanente no coração do Santuário.
No domingo, dia 22, Dom Jaime presidiu a Eucaristia que oficializou a abertura nacional da campanha. Concelebraram Dom Ricardo, Dom José Carlos e diversos sacerdotes. A celebração contou ainda com a presença do presidente em exercício, Geraldo Alckmin, e da primeira-dama, Maria Lúcia Guimarães Alckmin, que acompanharam a missa junto ao povo. Na homilia, a mensagem retomou o sentido quaresmal da CF, convocando as comunidades a refletirem com seriedade sobre o direito à moradia e a reconhecerem que Cristo, que veio morar entre nós, continua sendo encontrado nos que carregam as dores da falta de casa e de proteção.
Após a missa, no subsolo da Basílica, na Sala dos Três Pescadores, aconteceu uma coletiva de imprensa com representantes da CNBB. Entre eles, o secretário executivo do Setor Campanhas, Pe. Jean Poul Hansen, e o secretário adjunto, Pe. Leandro Megeto, além da participação de Dom José Carlos. No mesmo ambiente do Santuário, foi realizada também a 1ª Romaria da Campanha da Fraternidade do Regional Sul 1, reunindo lideranças de pastorais e movimentos ligados à pauta da moradia e representantes de comunidades em situação de vulnerabilidade no Estado de São Paulo. Estiveram presentes, entre outros, Cláudio Vieira, coordenador estadual da Campanha da Fraternidade, o Pe. Luiz Fernando, o Pe. Jean e membros da presidência da CNBB.
Entre formações, partilhas e momentos de oração, os participantes reforçaram compromissos concretos com a vida do povo, especialmente dos que vivem sem teto ou em condições precárias. Um testemunho que emocionou os presentes foi o de Dona Olga Luísa Leon Quiroga, de 89 anos, integrante da Pastoral da Moradia e Favela, presença serena e firme de quem transforma fé em serviço. Também participaram Frei Marcelo Toyansk Guimarães, coordenador nacional da Pastoral da Moradia e Favela da CNBB, o assessor regional, Pe. Antônio Carlos Frizzo, e fiéis vindos de diversas localidades do Estado.
Ao reunir Igreja e povo no Santuário Nacional, a abertura da Campanha da Fraternidade recorda que a Quaresma não se limita a um tempo de palavras, mas pede conversão com consequências na vida cotidiana. A CF 2026, ao colocar a moradia no centro da reflexão, convoca comunidades e lideranças a enxergarem, com mais lucidez e responsabilidade, os rostos e histórias de quem ainda espera por dignidade, segurança e um lugar para chamar de lar.










