Na manhã de domingo, 22 de fevereiro, a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, na Vila Curuçá (Santo André), acolheu jovens de diferentes comunidades para o início da Caminhada Penitencial, iniciativa do Setor Juventude da Diocese de Santo André. O encontro começou com a Santa Missa presidida pelo bispo diocesano, Dom Pedro Carlos Cipollini, reunindo a juventude em torno da Palavra e do altar, antes de seguir para os passos concretos da oração nas ruas.
Na homilia, Dom Pedro partiu da liturgia do 1º Domingo da Quaresma, recordando que esse tempo prepara o coração para a Páscoa e apresenta, logo no início, o tema da tentação. Ele explicou que a vida cristã não é feita de escolhas automáticas: “A tentação é uma realidade… é uma ocasião para você escolher o caminho que você quer”. E, ao falar da experiência do pecado, apresentou-o como ruptura da escuta e da confiança: “O pecado é isso… a desobediência também revolta”.
Ao desenvolver o tema, o bispo voltou ao relato de Adão e Eva e à dificuldade humana de aceitar limites e ouvir a orientação de Deus. Com linguagem simples, comparou com situações do cotidiano, lembrando que desobedecer pode até parecer inofensivo num primeiro momento, mas carrega consequências. E sintetizou a ideia central: quando o ser humano se coloca no lugar de Deus, “a coisa não funciona”. Para ele, a obediência nasce da escuta e está ligada à lei do amor: “Ninguém pode ser obrigado a amar”, afirmou, reforçando que Deus respeita a liberdade, mas espera a adesão do coração.
Em seguida, Dom Pedro se deteve nas tentações enfrentadas por Jesus, reduzir a vida ao pão, buscar fama, exercer poder , e insistiu que o caminho do Evangelho não se sustenta por espetáculo nem por imposição. “Nem só de pão vive o homem”, recordou, para dizer que há vazios que o consumo não preenche. E acrescentou que a fidelidade de Cristo ensina um método concreto de resistência: oração, Eucaristia e amor fraterno. Ao concluir, falou diretamente aos jovens sobre a coragem de escolher cedo o que dá sentido à vida: “No fim da vida… todos nós vamos ser julgados pelo amor”. E lembrou a súplica do Pai-Nosso como escola diária de perseverança: “Não nos deixeis cair em tentação”.
Após a celebração, a juventude foi acolhida com um café da manhã reforçado no salão paroquial, momento de convivência e organização do percurso. Em seguida, os participantes saíram caminhando pelas ruas do bairro, meditando a Via-Sacra de Jesus e entoando cantos de louvor, numa expressão pública e serena de fé, com passos ritmados pela oração, e mesmo diante da chuva, mantiveram firmes na caminhada.
Ao final do trajeto, o grupo retornou ao salão paroquial para a Adoração ao Santíssimo Sacramento. Na reflexão diante de Jesus Eucarístico, Dom Pedro retomou a confiança do jovem na presença de Cristo e a pedagogia da misericórdia: quando a pessoa cai, o Senhor não abandona, mas reergue e chama a recomeçar; mesmo nas situações em que o pecado parece “morte”, Deus olha com compaixão e conduz de volta ao caminho.
O encerramento também trouxe palavras do Pe. Bruno Biazutti, assessor eclesiástico do Setor Juventude, e de Júnior Medeiros, coordenador diocesano, reforçando o sentido do serviço como lugar de crescimento humano e cristão. Júnior resumiu a experiência com gratidão, dizendo que muitos reconhecem os melhores momentos da vida justamente quando estão servindo, e agradeceu aos jovens pelo compromisso e pela alegria de caminhar juntos.
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