Aconteceu na Catedral Nossa Senhora do Carmo, no domingo, 12 de abril, a Missa da Festa da Divina Misericórdia, presidida por Dom Pedro Carlos Cipollini, Bispo Diocesano, concelebrada pelo assessor eclesitasico, Padre Gonise Portugal. A celebração reuniu fiéis, agentes e representantes do Movimento da Misericórdia, encerrando um caminho de três dias de oração e preparação vivido no coração da Diocese.
O tríduo preparatório teve início no dia 9 de abril, com a presença do Pe. Gonise, no dia seguinte, 10 de abril, os fiéis retornaram à Catedral para dar continuidade a esse tempo de aprofundamento, marcado pela confiança no Cristo misericordioso. Já no dia 11 de abril, o último dia do tríduo contou com Dom Nelson Westrupp, SCJ, Bispo Emérito, conduzindo os fiéis para a celebração da Festa da Divina Misericórdia, vivida no segundo domingo da Páscoa.
Na homilia da missa festiva, Dom Pedro recordou que este domingo foi dedicado à Divina Misericórdia por São João Paulo II e nasce no coração do tempo pascal. A liturgia proclamada trouxe o encontro de Jesus Ressuscitado com os discípulos e, de modo especial, com o apóstolo Tomé. Para o bispo, essa passagem ajuda os cristãos a compreenderem onde encontrar o Ressuscitado e como reconhecê-lo.
Dom Pedro explicou que Tomé encontra Jesus no oitavo dia, com a comunidade reunida, e o reconhece pelos sinais de seu sacrifício, as chagas. Diante delas, nasce a profissão de fé mais elevada do Evangelho de São João: Meu Senhor e meu Deus.
A partir dessa cena, o bispo lembrou que a fé nem sempre é fácil. Não foi simples para os apóstolos, não foi simples para Tomé e também não é simples para os cristãos de hoje. Segundo Dom Pedro, a fé é dom de Deus, recebida no Batismo como uma semente, mas precisa ser alimentada pela Palavra, pela Eucaristia e pela vida em comunidade.
“O domingo é nossa Páscoa semanal. No domingo encontramos Jesus ressuscitado”, afirmou Dom Pedro.
Ao falar da Eucaristia dominical, o bispo recordou que a missa não é apenas um compromisso religioso, mas o encontro que sustenta a vida cristã. Nela, os fiéis escutam a Palavra, professam a fé, oferecem a própria vida unida ao sacrifício de Cristo e se alimentam do Corpo e Sangue do Senhor para serem testemunhas da Ressurreição.
Dom Pedro também chamou atenção para a importância da comunidade na vida de fé. Ele afirmou que não existe cristão isolado, sem pertença a uma comunidade. A fé, embora recebida pessoalmente, é vivida com os outros, desde a Igreja doméstica, que é a família, até a comunidade eclesial reunida em torno da Eucaristia.
“Não existe cristão avulso, cristão que não pertença a uma comunidade de fé”, disse o bispo.
No centro da homilia, Dom Pedro apresentou a misericórdia como atitude concreta. Ele recordou que Jesus, ao aparecer aos discípulos, não os rejeita, mesmo depois de terem fugido no momento da cruz. Pelo contrário, perdoa, aproxima-se e confia novamente a eles a missão de evangelizar.
“A misericórdia não é sentimentalismo, mas é gesto concreto de ir ao encontro, acolher, perdoar, dar uma chance aos irmãos”, afirmou.
Para o bispo, a misericórdia derruba muros e barreiras, vence a divisão e conduz à paz. Ele relacionou a reflexão com as guerras e violências que ferem a humanidade, mas também com os conflitos que começam dentro do coração humano e se espalham nas famílias, no trabalho e nos ambientes de convivência.
“Se o teu coração não tem paz, você espalha a guerra. Mas, se o teu coração tem paz, você espalha a paz ao teu redor”, disse Dom Pedro.
A homilia também trouxe uma reflexão sobre a indiferença diante do sofrimento do outro. Dom Pedro afirmou que o ser humano nasce solidário, compassivo e misericordioso, mas, com o passar do tempo, pode se tornar egoísta e indiferente. Nesse sentido, alertou que a omissão também é falta de misericórdia.
“Quem é omisso não tem misericórdia, embora possa fazer um discurso bonito”, afirmou.
Ao concluir, Dom Pedro convidou os fiéis a viverem a misericórdia como compromisso, saindo do comodismo e indo ao encontro dos irmãos que sofrem. Também pediu que a Virgem Maria, bem-aventurada porque acreditou sem ver, ajude todos a reconhecerem Cristo ressuscitado com os olhos da fé.
Antes da bênção final, o Pe. Gonise Portugal da Rocha agradeceu à coordenadora Ivanilde e aos representantes das paróquias que integram o Movimento da Misericórdia pelo empenho durante o tríduo e na festa. Também agradeceu à Catedral Nossa Senhora do Carmo, na pessoa do Pe. Jean Rafael de Barros, Cura da Catedral, pela acolhida das celebrações.
Pe. Gonise recordou ainda que, em toda última sexta-feira do mês, às 15h, a Catedral acolhe a Missa da Divina Misericórdia, aberta aos fiéis. Ele também manifestou gratidão a Dom Pedro pela confiança ao nomeá-lo diretor espiritual do Movimento da Misericórdia na Diocese.
“Estou começando, estou aprendendo e ainda conhecendo muitas coisas deste movimento tão bonito”, disse o sacerdote, expressando o desejo de que todas as paróquias da Diocese possam ser alcançadas por essa espiritualidade e vivam a misericórdia que jorra do coração de Nosso Senhor.
Ao final da celebração, Dom Pedro concedeu a bênção e pediu que todos saíssem com paz no coração, como promotores da paz de Deus, confiar em Jesus Ressuscitado e transformar a misericórdia em gesto concreto na vida da Igreja e no cuidado com os irmãos.












