Missa Crismal
Catedral Nossa Senhora do Carmo – Santo André – SP
02 de abril 2026 – Dom Pedro Carlos Cipollini
Estimados presbíteros, na pessoa de nosso Vigário Geral, Pe. Joel Nery e José Cassiano coordenador da Pastoral Presbiteral, saúdo a todos com estima; senhores diáconos, os membros da vida consagrada, seminaristas, amados irmãos e irmãs no santo batismo, leigos e leigas. Uma especial saudação do Revmo. Pe. Silvano Nicoletto, Superior Geral dos Padres Estigmatinos, Revmo. Frei José Hugo da Silva Santos, Ministro Provincial dos Franciscanos Conventuais.
Esta Eucaristia é momento solene de nossa vida diocesana. Jesus nosso único, eterno e sumo sacerdote está no meio de nós, reunidos em seu nome, como prometeu.
Nós O adoramos e reverenciamos, mas sobretudo O agradecemos, pelos inúmeros dons que dá á sua Igreja, através dos sacramentos celebrados, da Palavra proclama e hoje, especialmente pelos presbíteros, que generosamente ouviram seu chamado, para entregar a vida, pastoreando o rebanho em seu nome. Só quem ama pode arriscar a vida e doá-la por uma causa e os senhores estão fazendo isso.
É hoje o dia de celebrar a escolha e a unção que Jesus espalha sobre nós, para fazermos seu Povo eleito. Povo sacerdotal, profético e real para exercer no mundo, a missão, como serviço humilde e generoso. Exorto-vos com as palavras de São Pedro Apóstolo: “Uni-vos a Cristo, a pedra viva, rejeitada, é verdade, pelos homens, mas diante de Deus eleita e preciosa. Do mesmo modo, também vós como pedras vivas, prestai-vos à construção de um edifício espiritual, para um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por Jesus Cristo…Vós sois uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, o povo de sua particular propriedade, a fim de que proclameis as excelências daquele que vos chamou das trevas para uma luz maravilhosa” (1Pr 2, 4-9).
Sacrifício espiritual é consagrar o mundo a Deus, vencendo o mal fazendo o bem, e assim implantar o Reino de Deus. Esta é a missão dos batizados. Para isso fomos ungidos. Para que que esta unção continue, abençoamos os óleos que são o selo do Espírito Santo, o santificador do povo que pertence a Deus.
A unção batismal, crismal e dos enfermos, fortalece para cumprir a missão no mundo, para tornar semelhante a Cristo, o Servo de Deus e nosso Mestre. Assim exorta o apóstolo Pedro: “Sede todos unânimes, compassivos, cheios de amor fraterno, misericordiosos e humildes de espírito. Não pagueis o mal com o mal, nem injúria por injúria; ao contrário, bendizei, porque para isso fostes chamados, isto é, para serdes herdeiros da benção” (1Pr 3, 8-9).
A figura deste mundo maravilhoso que Deus criou e que é desfigurado pelo pecado, cuja expressão mais dramática são as guerras, a violência, o ódio e a ira, esta figura passará. Deus está construindo um novo mundo, a partir de Jesus Cristo, com os seus justos que, com o testemunho de uma vida santa, clamam sem cessar: “Vem Senhor Jesus!” (Ap. 22,20).
Coragem, portanto, sem desânimo. Se crermos veremos a glória de Deus (cf. Jo 11,40).
Nesta santa Eucaristia elevamos um cântico de gratidão a Deus pelos nossos presbíteros e diáconos. Em especial pelos presbíteros, nossos padres, amados por Cristo, escolhidos, chamados e ungidos com o crisma dos eleitos. A presença de vocês nesta santa missa é profundamente significativa, pois renova a graça e o sim sacerdotal, que proferiram um dia, diante da Igreja reunida para rezar por vós, durante a imposição das mãos, feita pelo Bispo e o Presbitério. Renovai, pois, cheios de gratidão e coragem, o desejo de amar a Cristo com o mesmo amor com o qual Ele vos ama, e segui-lo até o fim.
Reconheço que é desafiador ser presbítero em nossa realidade, na qual, os embates sociais de uma mudança de época nos afligem. A tecnocracia domina a vida das pessoas, moldando os desejos, as decisões éticas e sociais, constituindo-se numa nova lógica de poder (cf. 20º ENP/2025–Texto Base p.46).
O fenômeno do transumanismo e do pós-humanismo, levado avante pelos algoritmos bate ás nossas portas, provocando a perda de referências estáveis e não raro o vazio existencial. A cultura do “clic” substituiu a cultura do encontro provocando insegurança. As pessoas estão cada vez mais conectadas, mas também cada vez mais solitárias. Isto é um desafio pastoral para nossas famílias, nossos jovens, como nos lembra o 9º Plano de Pastoral de nossa Diocese.
Louvo a Deus porque nosso Presbitério tem crescido e amadurecido. Louvo a Deus pelo empenho nesta quaresma, principalmente em preparar as comunidades para celebrar a Páscoa, através dos “mutirões de confissões”. Deus seja louvado pela busca de unidade em cada Forania, pela entreajuda fraterna, pelo assumir nossa Diocese como um todo, como nosso Lar fraterno. Todos os desafios que vivemos em termos pessoais e comunicacional, não deve ser motivo de medo, mas de conversão para um constante recomeçar.
Vamos estar abertos a nos ajudar, acolher e somar, sempre, sempre! Vamos incentivar a Pastoral de conjunto que é sinodalidade, vivida entre nós presbíteros e na nossa Igreja diocesana. Vamos também nos cuidar como pessoas, o padre na sua humanidade precisa cuidados também.
O padre é um “curador ferido” no dizer de Henry Neuwen, mas a ferida não pode tomar conta e prejudicar o curador. “Cuidai de vós mesmos…” (At 20,28), admoesta São Paulo aos presbíteros de Éfeso. Se o próprio presbítero não se cuida é difícil os outros cuidarem dele. É preciso ter vida espiritual, ter mente sadia em um corpo sadio (mens sana in corpore sano).
Confio cada um de vocês, queridos presbíteros ao amor infinito de Cristo. Só Ele pode amparar e dirigir cada um. Por isso mais que nunca é necessário apegar-se a Ele que é o amigo certo nas horas incertas.
A primeira carta de São Pedro termina com uma bela exortação aos presbíteros que permitam-me recordar. Ele diz que os presbíteros são testemunhas dos sofrimentos de Cristo, revividos hoje nos pobres e sofredores, mas os presbíteros são também participantes desde já, da glória que há de ser revelada:
“Apascentai o rebanho de Deus que vos foi confiado, cuidando dele, não como por coação, mas de livre vontade, como Deus o quer, nem por torpe ganância, mas por devoção, nem como senhores daqueles que vos couberam por sorte, mas antes, como modelos do rebanho. Assim, quando aparecer o supremo pastor, recebereis a coroa imperecível de glória” (1Pr 5, 2-4).
Abraçando-vos com carinho, desejo a todos uma feliz e santa Páscoa!
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
