Com o texto da Campanha da Fraternidade 2026 em mãos e diante do plenário, Dom Pedro Carlos Cipollini ocupou a tribuna da Câmara Municipal de Santo André, na tarde da terça-feira, 24 de fevereiro, para partilhar com os vereadores e com os fiéis presentes o chamado da Igreja neste tempo quaresmal. Ao lado do assessor eclesiástico da Campanha da Fraternidade na Diocese, o Diácono Marcelo Cavinato, o bispo conduziu uma reflexão centrada no tema Fraternidade e Moradia e no lema Ele veio morar entre nós (Jo 1,14).
Na saudação inicial, Dom Pedro dirigiu-se aos parlamentares e situou o motivo do encontro: “A CF 2026 tem como tema Fraternidade e Moradia e como lema Ele veio morar entre nós”. Em seguida, reconheceu que, à primeira vista, a pauta pode soar distante da linguagem religiosa, mas explicou por que a Igreja a assume como expressão concreta do Evangelho: “Moradia é algo bem material e concreto”.
Ao desenvolver sua fala, o bispo apontou que a Campanha da Fraternidade não propõe apenas um gesto pontual, mas um caminho de conversão com impacto comunitário. Recordou que, na Quaresma, a Igreja convida à oração, ao jejum e à esmola, mas advertiu que a mudança precisa alcançar também o modo como a sociedade se organiza. Nessa linha, citou uma síntese que usou como provocação: “A conversão deve ser não só pessoal, mas comunitária e social”.
Dom Pedro também aproximou o tema da moradia do cotidiano das cidades, observando como a exclusão se agrava quando a cidade passa a ser tratada como mercadoria, e não como casa compartilhada. Falou sobre a pressão da especulação, a precariedade que empurra pessoas para as ruas e a urgência de políticas públicas capazes de garantir dignidade, lembrando que o direito à moradia sustenta outros direitos e ajuda a conter o crescimento do desespero e da violência.
Na parte final, ao retomar o lema bíblico, Dom Pedro recordou o nascimento de Jesus em Belém como imagem que ilumina a reflexão cristã sobre teto, acolhida e dignidade, e reforçou a necessidade de respostas concretas e articuladas. Antes de concluir, entregou aos vereadores exemplares do texto-base da Campanha da Fraternidade 2026, propondo que o material sirva de subsídio para diálogo e encaminhamentos, organizado no método Ver, Julgar e Agir.
A fala do bispo terminou com um convite simples: que a cidade trate a moradia como prioridade e que esse debate não fique restrito ao papel. O texto-base, entregue aos parlamentares, foi apresentado como ponto de partida para estudo e para ações que alcancem, na prática, quem mais sente a falta de um lar.









