A comunidade São José Operário viveu, na tarde de 1º de maio, um momento de gratidão e pertencimento. No dia dedicado ao santo trabalhador, a capela que leva seu nome foi reinaugurada em Diadema, reunindo fiéis da Paróquia Maria Mãe dos Pobres em uma celebração marcada pela bênção, pela memória dos que colaboraram com a reforma e pelo reconhecimento da vida comunitária construída com a participação de muitos.
A Santa Missa foi presidida por Dom Pedro Carlos Cipollini, bispo diocesano de Santo André, e concelebrada pelo administrador paroquial, Padre Jorge Luiz Gomes Bonfim. No início da celebração, Dom Pedro realizou a bênção e a aspersão da água, percorrendo a capela e aspergindo as paredes e os fiéis, gesto que recorda o Batismo e expressa o desejo de que aquele espaço continue sendo lugar de oração, encontro e celebração da fé. O altar também foi aspergido, preparando a mesa onde a comunidade celebraria o memorial da Páscoa do Senhor.
Em seguida, a celebração prosseguiu com a Liturgia da Palavra. Na homilia, Dom Pedro recordou que a capela cheia era também sinal da caminhada do povo de Deus. Ao olhar para a comunidade reunida, o bispo disse que, enquanto aspergia as paredes e via todos presentes, pensou em como seria bonito se o céu também estivesse cheio. A partir da liturgia do dia, ele conduziu a reflexão sobre São José Operário e o valor do trabalho na vida cristã.
O bispo explicou que Jesus, ao ser conhecido como o filho do carpinteiro, também assumiu a simplicidade da vida de trabalho. Para Dom Pedro, esse detalhe revela algo profundo: Deus quis que seu Filho vivesse entre os pobres e aprendesse um ofício, mostrando que o trabalho não é castigo, mas participação na obra criadora de Deus.
“O trabalho não é uma maldição. O trabalho é um modo de colaborar com a criação de Deus”, afirmou Dom Pedro, ao recordar que a pessoa, por meio do que realiza com honestidade e amor, coloca-se a serviço da construção de um mundo melhor.
Ao falar de São José, Dom Pedro também chamou a atenção para o silêncio ativo do santo. José não deixou palavras registradas nos Evangelhos, mas falou com a própria vida. Serviu a Jesus e Maria no cotidiano, sustentando a Sagrada Família com o trabalho de suas mãos e com a fidelidade à missão recebida de Deus.
“São José não falou muito, não tem uma palavra dele. Ele falou com a vida dele”, disse o bispo, convidando os fiéis a viverem suas responsabilidades diárias com amor, mesmo quando ninguém vê ou reconhece.
A reinauguração da capela também foi lembrada por Dom Pedro como fruto do cuidado concreto da comunidade com a casa de Deus. O bispo elogiou a reforma e a beleza dos novos elementos presentes no espaço celebrativo, especialmente a representação dos sete sacramentos, ressaltando que o templo é casa de Deus e também casa dos filhos e filhas que ali se reúnem para celebrar a Eucaristia.
Após a comunhão, a celebração foi marcada pelo depósito de Jesus Eucarístico no sacrário. O momento foi acompanhado pela incensação, sinal de adoração e reverência à presença real de Cristo na Eucaristia, confiada à guarda da comunidade.
Nos ritos finais, Padre Jorge Bonfim dirigiu-se à comunidade e explicou o sentido do novo retábulo, que apresenta São José ensinando Jesus no trabalho da carpintaria. Ele também mencionou a frase em latim “Ite ad Joseph”, expressão que significa “Ide a José”, recordando que, ao procurar São José, os fiéis são conduzidos sempre a Jesus.
Padre Jorge também anunciou que os presentes receberiam como lembrança um pedaço da madeira da antiga cruz que ficava no presbitério da capela. O Crucificado foi restaurado e uma nova cruz foi preparada para permanecer sobre o altar, mas parte do madeiro antigo foi preservada como memória da caminhada da comunidade.
Em nome do Conselho Administrativo Econômico Paroquial, Vera Lúcia agradeceu a todos os que colaboraram com a reforma. Ela recordou que, à luz do testemunho de São José Operário, a comunidade pôde contemplar a beleza da reinauguração como resultado de trabalho, união e generosidade.
“Na Igreja não existe o meu ou o seu. Na Igreja existe o nosso, e tudo isso é nosso”, afirmou Vera, ao prestar contas à comunidade sobre o investimento realizado. Segundo ela, a reforma contemplou banheiros, cozinha, sacristia, despensa, telhado, parte elétrica, sistema de som, templo e pátio.
Vera também ressaltou que ainda faltam a pintura lateral da igreja, com o devido acabamento, e a colocação do piso externo. Mais do que números, porém, ela recordou que a capela renovada está a serviço da missão, da evangelização e do cuidado com os pobres, especialmente por se tornar também uma referência para acolher iniciativas da paróquia e fortalecer o trabalho da Pastoral do Povo de Rua.
Antes da bênção final, Dom Pedro agradeceu e parabenizou Padre Jorge, o conselho e toda a comunidade pela conquista. O bispo também ressaltou a importância da prestação de contas, recordando que aquilo que pertence a todos deve ser cuidado por todos com responsabilidade e transparência.
“Tudo aquilo que vocês fizeram para que a casa de Deus ficasse bonita, Ele recompensará, certamente”, afirmou Dom Pedro, ao reconhecer o esforço comunitário que tornou possível a reforma da capela.
Após a bênção final, Dom Pedro e Padre Jorge seguiram com a comunidade até a área externa, onde foi descerrada a placa comemorativa da reinauguração. O registro homenageia os operários, benfeitores, dizimistas e doadores que, com o trabalho das mãos e a generosidade do coração, contribuíram para que a reforma se tornasse possível.










