Diocese de Santo André

Externato Santo Antônio celebra 95 anos com Missa presidida por Dom Pedro

O Externato Santo Antônio, em São Caetano do Sul, celebrou na manhã do dia 13 de junho, os 95 anos de sua criação. A Missa, realizada no dia de Santo Antônio, padroeiro da instituição, foi presidida por Dom Pedro Carlos Cipollini, bispo diocesano de Santo André, concelebrada pelo Paulo Borges, pároco da Matriz Sagrada Família, e pelo Monsenhor Gulherme Melo Sanches.

A escola é conduzida pelas Irmãs da Providência, congregação fundada por São Luís Scrosoppi. A presença das irmãs em São Caetano do Sul atravessa gerações e faz parte da memória de muitas famílias que passaram pela instituição como alunos, professores, colaboradores ou pais.

Na homilia, Dom Pedro recordou que a missão educativa sempre esteve ligada à vida da Igreja. Ao comentar o Evangelho, o bispo explicou que evangelizar é anunciar que Deus ama cada pessoa e deseja para todos uma vida com sentido, liberdade e dignidade.

“A educação para a Igreja Católica tem um sentido muito grande de evangelizar, de comunicar a Boa Nova do amor de Deus”, afirmou.

Ao falar de Santo Antônio, Dom Pedro apresentou um aspecto que nem sempre aparece na devoção popular. Lembrou que o santo, conhecido por tantos como casamenteiro, também foi um homem de estudo, de formação profunda e de dedicação ao ensino.

“Santo Antônio foi professor universitário. Ele teve uma formação de elite, entrou para a Congregação dos Frades Agostinianos, que eram pessoas cultas, e era doutor em Escrituras”, contou o bispo.

Dom Pedro também recordou a passagem em que Antônio, depois de ter vivido de forma simples em um convento, foi chamado para falar diante de um bispo. Ninguém esperava muito dele. Até então, muitos o conheciam apenas como aquele frade que ajudava nos serviços da casa.

“Ele fez um sermão tão eloquente, tão bonito, que mudou a vida dele”, disse Dom Pedro.

A partir dali, Santo Antônio passou a ser reconhecido por sua pregação e recebeu a missão de anunciar o Evangelho em várias regiões da França e da Itália. Mais tarde, São Francisco confiou a ele a tarefa de lecionar Teologia, tornando-o o primeiro professor universitário franciscano.

O bispo também falou da ligação de Santo Antônio com a justiça social. Segundo Dom Pedro, o título de santo casamenteiro tem relação com a atuação de Antônio em favor de uma mudança na lei que impedia o casamento entre ricos e pobres, por causa da exigência do dote.

“Ele sabia que precisava promover uma sociedade mais justa”, afirmou.

Ao trazer a reflexão para os dias de hoje, Dom Pedro falou sobre os desafios da educação. Reconheceu os avanços, a presença da tecnologia e os recursos disponíveis, mas lembrou que nada disso substitui o cuidado humano.

“A educação precisa de coração. A criança, o jovem, quer acima de tudo sentir-se gente, amado”, disse.

E completou com uma lembrança simples, daquelas que todo mundo entende: muitas vezes, o professor que fica na memória não é apenas aquele que ensinou melhor o conteúdo, mas aquele em quem o aluno percebeu humanidade.

“Num processo educacional, é o coração que fala ao coração. A questão intelectual é necessária, mas não é suficiente”, afirmou Dom Pedro.

Depois da homilia, o Monsenhor Guilherme, ex-aluno do Externato Santo Antônio, dirigiu algumas palavras aos presentes. Ele recordou sua história com a escola e falou da alegria de voltar à instituição em uma data tão significativa.

“O Externato não é para si, é para servir”, disse.

O monsenhor lembrou ainda que a escola não formou apenas alunos para a vida profissional. Muitas pessoas que passaram por ali também colaboraram, de diferentes formas, com a vida da Igreja Particular de Santo André.

“Quando a gente agradece a missão do Externato, a gente está agradecendo o bem que vai se derramando, que vai se espalhando por todas as obras assistenciais das irmãs”, afirmou.

A Irmã Marinalda, Madre Provincial das Irmãs da Providência, também falou ao final da Missa. Em nome da congregação, agradeceu a presença de Dom Pedro, dos padres concelebrantes, das autoridades, famílias, alunos, professores, colaboradores, ex-alunos e antigas pessoas ligadas à instituição.

“Celebrar 95 anos desta escola não é apenas contabilizar o tempo, mas é, em primeiro lugar, contemplar a fidelidade de Deus”, afirmou.

A madre provincial recordou as primeiras irmãs italianas que chegaram ao Brasil e, depois, a São Caetano do Sul. Segundo ela, a escola nasceu de uma confiança profunda na Providência Divina e da certeza de que educar também é uma forma de amar.

“As primeiras Irmãs da Providência plantaram esta semente, sabendo que educar é, antes de tudo, um ato de esperança, de fé e de total abandono nas mãos do Criador”, disse.

Funcionárias da instituição também partilharam suas memórias. Uma delas contou que chegou ao Externato ainda criança e que hoje, atuando na escola, sente alegria e responsabilidade por fazer parte dessa mesma história.

“Agradeço a Deus por ter me acolhido desde os meus quatro, cinco aninhos. Minha família escolheu essa escola para ser a minha escola e hoje estar aqui é motivo de muito orgulho, responsabilidade e alegria”, testemunhou.

Ela recordou ainda uma festa junina antiga, quando encontrou uma medalha de Nossa Senhora Aparecida na saída da escola. Para ela, aquele momento ficou guardado como sinal de confiança em Deus.

“Nunca sabemos o que Deus sonha para a gente. A gente precisa confiar, fazer a nossa parte e confiar que Deus tem um sonho muito bonito para cada um de nós”, disse.

Ao final da celebração, Dom Pedro abençoou os pães de Santo Antônio. A tradição remonta à devoção popular ao santo e ao cuidado com os pobres, pois ele distribuía pão aos necessitados, e o gesto, repetido até hoje, é sinal de partilha e intercessão. Alunos, famílias, funcionários, irmãs e convidados presentes receberam o pão bento ao deixar a celebração.

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