O Tribunal Penal Especial de primeira instância e o Tribunal de Apelação chegaram à “certeza moral” da culpabilidade do sacerdote argentino por fatos enquadrados “em um delito contra o sexto mandamento, cometido com violência contra várias pessoas”. A notícia foi divulgada em uma nota assinada pela prefeita do Dicastério para a Vida Consagrada, irmã Brambilla, e pelos dois delegados pontifícios que, desde 2025, acompanham os ramos masculino e feminino da família do Verbo Encarnado.
Salvatore Cernuzio – Vatican News
Culpado “por fatos enquadrados em um delito contra o sexto mandamento, cometido com violência contra várias pessoas”. Os tribunais eclesiásticos determinaram definitivamente a culpabilidade do padre Carlos Miguel Buela, sacerdote argentino — falecido em Gênova, em 2023 —, fundador do Instituto do Verbo Encarnado (IVE) e das Servas do Senhor e da Virgem de Matará (SSVM), por múltiplos delitos em violação ao cânon 1395 § 2 do Código de Direito Canônico, que se refere a delitos contra a moral sexual.
Certeza moral
Tanto o Tribunal Penal Especial de primeira instância quanto o Tribunal de Apelação chegaram à “certeza moral” quanto à responsabilidade do religioso. A decisão foi divulgada por meio de um comunicado assinado pela irmã Simona Brambilla, prefeita do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, por dom José Antonio Satué Huerto, bispo de Teruel e Albarracín, e pela irmã Clara Echarte. Dom Satué e irmã Echarte são os dois delegados pontifícios nomeados para essa função em janeiro de 2025, com a missão de acompanhar os dois “jovens” institutos — dom Satué, o ramo masculino, e irmã Echarte, o feminino — da congregação religiosa fundada na Argentina, na década de 1980, pelo próprio padre Buela. Os dois institutos, ambos de direito diocesano e fundados na Diocese de San Rafael, na Argentina, têm sua sede principal na Diocese de Velletri-Segni, na Itália. Ao longo dos anos, expandiram-se para mais de 25 países nos cinco continentes.
Decisão comunicada aos superiores
A confirmação da responsabilidade penal do religioso, um dos sacerdotes mais conhecidos da América Latina, acusado de abusos sexuais por cerca de vinte seminaristas já a partir dos anos 2000, representa a conclusão de um processo que passou por dois graus de julgamento no âmbito da Igreja. Os dois delegados pontifícios comunicaram oficialmente a decisão aos superiores e às superioras provinciais de ambos os Institutos durante um encontro realizado em Roma, no último dia 14 de setembro, do qual participaram também alguns responsáveis do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada.
Justiça, transparência e renovação
Trata-se, portanto, de um ato de justiça para com as vítimas, mas também de um ato de transparência e de um impulso à reforma e à renovação. A nota divulgada nesta terça-feira, 29 de setembro, afirma que “esse esclarecimento pretende contribuir para o restabelecimento da verdade, como ato de justiça para com as pessoas que sofreram danos em decorrência do comportamento do sacerdote Carlos Miguel Buela, bem como para a necessária informação dos membros de ambos os Institutos e para o caminho de releitura do carisma e de revisão, renovação e purificação da espiritualidade, da formação e do apostolado próprios de cada Instituto, distinguindo entre o dom do Espírito concedido para a edificação da Igreja e os limites ou as condutas pessoais do Fundador”.
Desde a fundação, a Santa Sé acompanhava com particular atenção os acontecimentos relacionados aos dois Institutos. Em especial, o cardeal Santos Abril y Castelló havia recebido a delicada missão de comissário pontifício do Instituto masculino do Verbo Encarnado, em razão de graves problemas internos relacionados à gestão do governo do Instituto e de acusações de abuso de poder e de natureza sexual contra o fundador. O cardeal espanhol, após enfrentar diversas dificuldades — também relatadas em uma carta de 2023 dirigida aos membros do IVE —, concluiu seu serviço em 2025, com a nomeação dos dois delegados pontifícios que, ao longo deste último ano e meio, acompanharam as duas realidades religiosas nos âmbitos da formação, da disciplina religiosa, do apostolado e do governo.
