Homens das dez foranias da Diocese de Santo André se reuniram no sábado, 19 de setembro, na Paróquia Santa Maria, no bairro Demarchi, em São Bernardo do Campo, para o VI Encontro Diocesano do Terço dos Homens. Com o tema “Terço na mão, Maria no coração”, o dia teve Santa Missa, formação, testemunhos e oração mariana.
Missa e acolhida
A manhã começou com a Santa Missa votiva de Nossa Senhora, presidida pelo bispo diocesano, Dom Pedro Carlos Cipollini. No início da homilia, ele pediu a proteção de Maria para todo o dia. Recordou que a missão dela é mostrar Jesus ao mundo, como fez nas bodas de Caná ao dizer “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Mencionou ainda que setembro é o mês da Bíblia e incentivou os homens a ler, refletir e rezar a Palavra de Deus todos os dias.
A partir da parábola da semente, fez uma pergunta direta aos participantes: “Que tipo de terreno você é?”. Convidou-os a assumir a responsabilidade de quem acolhe a Palavra e a pedir a Maria o dom da perseverança. “Perseverança se mede nos tempos difíceis”, afirmou. Segundo ele, quando os problemas chegam, só permanece firme quem tem amor e confiança em Deus.
Ao falar do Terço dos Homens, o bispo não escondeu a alegria. “Que maravilha! Que coisa mais boa que surgiu na Igreja. É o Espírito Santo que inspira essas coisas”, disse. Dom Pedro explicou que o terço é uma oração bíblica: o Pai-Nosso foi ensinado por Jesus, e a Ave-Maria nasce da saudação do anjo e das palavras de Isabel. Ao rezá-lo, contemplam-se os mistérios da vida de Jesus e de Maria. O bispo pediu que os homens perseverem nessa missão e ajudem a expandir a oração pela Diocese, e lembrou que só reza quem tem fé.
No fim da homilia, deixou uma recomendação com bom humor. Contou que, em algumas comunidades, o terço vai ganhando tantos acréscimos que fica comprido demais, com atos e orações a cada mistério. Para ilustrar, falou de um frade que conheceu quando era padre novo: ao rezar a Via-Sacra, ele chegava à 14ª estação e seguia inventando a 15ª e a 16ª. “O Terço dos Homens não pode ser espichado. Vamos ficar no que Nossa Senhora ensinou”, orientou o bispo. Ele também citou a palavra de Jesus que pede para não multiplicar palavras na oração.
Ao final da celebração, o pároco, Pe. Luis Carlos Francisco, acolheu os participantes em nome da comunidade e agradeceu a presença dos homens, em sua maioria pais de família, que assumem o compromisso da oração. Ele os animou a não rezar apenas por si mesmos: “Rezem, sobretudo, por aqueles que não rezam”.
Formação
Depois do café, a formação ficou a cargo do vigário paroquial, Pe. Guilherme Castro. Ele começou com uma lembrança comum a muita gente: a casa da mãe, com seu cheiro, sua comida e a sensação de voltar a um lugar onde se é conhecido e acolhido. A partir dessa imagem, falou da proximidade com Maria e observou que quem reza o terço precisa carregar em si o sinal da presença da Mãe.
A reflexão chegou então à vida familiar. Pe. Guilherme ressaltou que a responsabilidade do homem não se resume a colocar comida em casa ou pagar as contas. “Você é o guardião da tua casa como homem de Deus”, disse. Mencionou também uma catequese silenciosa, que acontece quando filhos e netos veem o pai ou o avô ajoelhado em oração. Para ele, a masculinidade vivida à luz do Evangelho não se mostra pela força ou pelo autoritarismo, mas no gesto contínuo de amar e servir.
Ao retomar o tema do encontro, o sacerdote recordou que o terço é cristocêntrico, porque Maria sempre conduz ao Filho. E resumiu o desafio proposto aos participantes: “O terço na mão é fácil. O difícil é ter Maria no coração”. Na visão dele, ser devoto de Nossa Senhora significa buscar uma vida parecida com a dela: simples, humilde, fiel e perseverante.
Perto do fim, pediu que cada homem segurasse o próprio terço e pensasse nas pessoas por quem reza: filhos, esposas, netos, pais, irmãos. Assinalou que as famílias não precisam de homens perfeitos, mas de homens presentes, capazes de pedir perdão, de amar e de se ajoelhar. Foi nesse momento que deixou uma das frases mais fortes do dia: “Quando um homem se ajoelha diante de Deus, ele não se torna menor. Mas ele finalmente reconhece de quem vem a sua força”.
Momento mariano e testemunhos
Depois do almoço preparado pela comunidade, a entrada da imagem de Nossa Senhora abriu o momento mariano da tarde. Alguns participantes partilharam testemunhos sobre a reza do terço em suas comunidades e contaram como a oração os ajuda a permanecer firmes, a aproximar outras pessoas da Igreja e a sustentar a própria família.
O dia terminou como começou: em oração. Diante de Nossa Senhora e com o terço nas mãos, os homens rezaram por suas famílias, comunidades e intenções, retomando o que atravessou todo o encontro: o terço pode estar nas mãos, mas precisa também aparecer na vida.
Próximo encontro
Durante a manhã, Dom Pedro, ao lado do assessor diocesano, Pe. Clemilson Pereira Teodoro, anunciou que o VII Encontro Diocesano do Terço dos Homens será realizado no dia 18 de setembro de 2027, na Paróquia São Sebastião, em Rio Grande da Serra.







