A separação conjugal traz mudanças que vão além do fim da convivência entre duas pessoas. São histórias, sonhos e projetos de vida que precisam ser reorganizados, muitas vezes acompanhados de sofrimento e incertezas. Foi a partir dessa realidade que a Pastoral Familiar da Diocese de Santo André promoveu, no dia 27 de outubro, uma formação com o tema Separação conjugal: um caminho de escuta, fé e acolhimento, realizada no auditório da Cúria Diocesana.
O encontro teve início com um momento de oração e contou com a presença do assessor diocesano da Pastoral Familiar, Padre Wilton Maximiliano Mota, e dos coordenadores diocesanos, Tatiane e Renato. A reflexão foi conduzida pelo Padre Douglas de Freitas Ferreira, sacerdote da Diocese de Santo Amaro (SP), doutor em Matrimônio e Família e assessor da Pastoral Familiar da Sub-Região Pastoral São Paulo.
Ao iniciar a palestra, padre Douglas partilhou sua experiência como filho de pais separados, reconhecendo que o assunto também toca profundamente sua história pessoal. A partir do Evangelho de Mateus (19,6), refletiu sobre a indissolubilidade do matrimônio e a necessidade de compreender as diferentes situações familiares à luz dos ensinamentos da Igreja.
“Ninguém se casa para se separar”, afirmou o sacerdote, lembrando que o rompimento da convivência pode ser vivido como um luto, marcado por perdas e pela necessidade de reorganizar a própria vida.
Ao desenvolver os três pilares da formação, escuta, fé e acolhimento, padre Douglas chamou a atenção para uma dificuldade comum no trabalho pastoral: a pressa em oferecer soluções, quando muitas vezes o primeiro passo é simplesmente ouvir.
“Uma Pastoral Familiar bem estruturada é uma pastoral que ganha tempo, não é que gasta tempo. Que ganha tempo escutando. Não o problema, escutando a pessoa”, explicou.
O sacerdote também abordou situações em que a separação se torna necessária para preservar a dignidade e a segurança dos envolvidos, especialmente nos casos de violência doméstica. Reforçou que a proteção da vida deve ser prioridade e que os agentes precisam conhecer os caminhos de encaminhamento e apoio especializado.
Com base na exortação apostólica Amoris Laetitia, do Papa Francisco, recordou que a fidelidade aos ensinamentos da Igreja deve caminhar junto à atenção às circunstâncias concretas de cada família.
“Você não pode abandonar os princípios. Isto não te impede de acompanhar, de caminhar com o outro”, afirmou.
Na continuidade, a coordenadora diocesana Tatiane explicou que esta foi a primeira formação direcionada especificamente aos casos especiais da Pastoral Familiar. Ela anunciou que o aprofundamento terá continuidade na primeira formação de 2027, com uma reflexão sobre a nulidade matrimonial.
Tatiane também apresentou um itinerário para pessoas separadas e divorciadas, lançado durante o Simpósio Nacional da Pastoral Familiar, em Aparecida. O subsídio propõe encontros que ajudam a reconhecer os sentimentos decorrentes da separação, compreender a própria história e encontrar caminhos para seguir vivendo a fé.
“Não podemos deixar esse nicho de pessoas sem esse acompanhamento”, afirmou a coordenadora, lembrando que o trabalho pastoral também acontece nas conversas reservadas e nos pequenos gestos que nem sempre são percebidos pela comunidade.
A formação contou ainda com a apresentação das Comunidades Nossa Senhora da Esperança, movimento que reúne pessoas viúvas, solteiras e separadas para momentos de convivência, formação e espiritualidade. Representantes partilharam suas experiências e explicaram que a Diocese de Santo André conta atualmente com quatro comunidades, além de uma quinta em formação, em Diadema.






