Os agentes do Serviço de Escuta Cristã da Diocese de Santo André participaram, na manhã de sábado, 24 de outubro, de um encontro de aperfeiçoamento realizado no auditório da Cúria Diocesana. A formação reuniu momentos de reflexão, oração e atividades práticas, ajudando os participantes a aprofundar uma missão que exige sensibilidade, respeito e disponibilidade para acolher quem precisa ser ouvido.
Na abertura, o Padre Francinald Justino, assessor do Serviço de Escuta Cristã, acolheu os agentes e deu início à programação formativa.
A primeira reflexão foi conduzida pela coordenadora Adriana Baleiro, que abordou a importância da escuta orante. Ela lembrou que muitas pessoas carregam dores, preocupações e angústias que nem sempre encontram espaço para serem compartilhadas. Por isso, o serviço precisa oferecer mais do que atenção às palavras, acolhendo também os sentimentos e os silêncios de cada pessoa.
Inspirada na passagem dos discípulos de Emaús, Adriana recordou a maneira como Jesus se aproximou daqueles homens, caminhou com eles e permitiu que expressassem suas inquietações.
“Jesus não começa oferecendo uma explicação, ele começa oferecendo presença”, afirmou.
A coordenadora também orientou sobre a importância da oração antes dos atendimentos, do respeito ao silêncio e do reconhecimento dos próprios limites. Recordou ainda o apoio oferecido pelas psicólogas que acompanham o serviço nas foranias.
“Existe uma diferença grande entre escutar e tentar resolver a vida do outro. O nosso papel não é resolver a vida do outro, o nosso papel é escutar”, explicou.
Logo após essa reflexão, a coordenadora e psicóloga Aubrey Abreu conduziu uma dinâmica em duplas, convidando os agentes a experimentarem, na prática, a diferença entre simplesmente ouvir e oferecer uma escuta verdadeiramente acolhedora.
Durante a atividade, cada participante teve a oportunidade de falar e de escutar. Quem ouvia precisava permanecer atento, sem interromper, aconselhar ou apresentar respostas. A experiência foi conduzida a partir de duas perguntas: “O que faz você se sentir verdadeiramente acolhido quando alguém escuta você?” e “O que você acredita que uma pessoa precisa encontrar quando procura o Serviço de Escuta Cristã?”.
Ao final, Aubrey convidou os agentes a partilharem suas percepções. A conversa trouxe à tona a dificuldade de permanecer em silêncio quando alguém fala sobre suas preocupações, especialmente diante da vontade de oferecer conselhos ou compartilhar experiências pessoais.
A dinâmica também ajudou os participantes a perceberem a importância de estar inteiramente presentes, sem distrações ou julgamentos. Mais do que encontrar as palavras certas, a proposta foi experimentar como a atenção, o silêncio e o respeito podem fazer alguém se sentir acolhido.
Na continuidade da formação, a psicóloga Cíntia Viana apresentou a reflexão Quando o amor se transforma em escuta, relacionando conhecimentos da psicologia à espiritualidade cristã. A partir de princípios da logoterapia, abordagem desenvolvida por Viktor Frankl, ela convidou os participantes a reconhecerem a dignidade e a singularidade de cada pessoa, compreendendo que ninguém pode ser reduzido aos próprios sofrimentos ou dificuldades.
Cíntia ressaltou que a boa vontade é importante, mas precisa estar acompanhada de formação, autoconhecimento e disposição para compreender o outro. Nesse sentido, a escuta amorosa exige suspender julgamentos e abandonar a necessidade de oferecer respostas prontas.
A psicóloga convidou os agentes a “sair dessa posição de dono da verdade para uma escuta amorosa”, permitindo que a pessoa encontre espaço para expressar suas experiências e reconhecer suas próprias possibilidades.
O encontro também contou com a participação da coordenadora e psicóloga Wilma Pereira, que integra o trabalho de acompanhamento e formação dos agentes do Serviço de Escuta Cristã.
Ao longo da manhã, as reflexões e a experiência prática ajudaram a recordar que escutar é também uma forma de viver a caridade cristã. Uma missão que não consiste em resolver todas as dificuldades de quem procura ajuda, mas em oferecer presença, respeito e acolhimento, seguindo o exemplo de Jesus no cuidado com cada pessoa.

