Diocese de Santo André

Por que não se entendem?

Esta pergunta ouvimos frequentemente ao constatar a dificuldade crescente que as pessoas têm para conviverem pacificamente. Viver na sociedade sempre foi difícil, um desafio, porém, hoje, a impressão que se tem é que a convivência pacífica está se tornando impossível. São significativos os dados que indicam a infelicidade causada pela incapacidade de conviver que as pessoas provam, com consequente corolário de desentendimentos, brigas, vinganças, crimes, mortes.

A época moderna que tanto progresso trouxe à humanidade começou sob o signo da valorização do indivíduo. Penso, logo existo! Ouse pensar, portanto, faça a crítica e coloque-se no centro do Universo. O antropocentrismo trouxe muitos benefícios, porém, quando o homem se coloca no centro, como se fosse Deus, sente a vertigem do poder, da autossuficiência. Instala-se o individualismo, marca da cultura do consumo que é a cultura da globalização. Essa cultura funda-se no ter e não no ser, portanto, relacionar-se não tem valor, o que vale é possuir, então, é a guerra.

A dificuldade para se entender com os outros é consequência desse estado de coisas. O outro é sempre ameaça, compete comigo, é alguém a ser vencido. Já dizia Sartre, corifeu do existencialismo ateu: “o inferno são os outros”. Cresce especialmente entre os jovens a ideia de que “ser feliz é amar a si mesmo o suficiente para não precisar de ninguém”. Nossa cultura favorece a proliferação de narcisistas que no dizer de Theodore Rubin, “são pessoas que se tornam o próprio mundo e acabam crendo que são o mundo inteiro”. Assim, o conceito de liberdade, palavra chave para se entender a cultura moderna, se torna sinônimo de falta de limites.

Não é de se estranhar que os desencontros se agudizem, desde a dificuldade de conviver com o vizinho até a dificuldade de se entender, existente entre as nações. Tome-se como exemplo o desentendimento entre países ricos e pobres numa questão tão urgente como a questão climática. Questão abordada pelo papa Francisco na sua Encíclica Laudato Si’. Por que não se entendem?

Porque falta diálogo. Isso dificulta o entendimento entre as pessoas, grupos, nações. Diálogo que é característica própria do ser humano, animal racional. Diálogo que é escuta, respeito, consideração, acolhida. Quantos conflitos não foram desarmados e resolvidos com o convite: “vamos conversar?”. O ser humano não é só indivíduo, o ser humano é também pessoa, e pessoa é “um nó de relacionamentos” como ensina o pensamento personalista de Emanuel Mounier.

O exemplo consumado de diálogo nos é dado pelo próprio Deus. Na Bíblia, temos os relatos da busca que Ele faz do homem, que por sua vez também o busca. Não é só o relato de uma busca, mas de um encontro maravilhoso entre o céu e a terra: em Jesus Cristo, Deus vem ao encontro do ser humano, não para condená-lo, mas para salvá-lo num sublime diálogo de amor.

Sem diálogo ninguém se entende, sem diálogo não há solução para nenhum problema humano. Sem saber dialogar uns com os outros, não se é capaz de dialogar com o grande Outro: Deus. E nessa incapacidade de dialogar, surge a violência como opção, uma opção que não é solução para nada, ao contrário do diálogo. É destruição da qual pedimos: Deus nos livre!

*Artigo de Dom Pedro Carlos Cipollini para o jornal “Diário do Grande ABC”

Compartilhe:

POR QUE CALAR O PAPA?

“Acolho com alegria a missão de estar entre vocês”, diz Padre Cassiano na Paróquia Nossa Senhora do Paraíso

Pe. Josemar Inácio da Rocha toma posse como pároco da Paróquia Nossa Senhora das Vitórias, em Mauá

Bispos do Brasil concluem 62ª Assembleia Geral com aprovação das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora

MUNDO SEM DEUS?

A misericórdia tem rosto: Vicariato para Caridade leva cuidado e alimento aos irmãos em situação de rua

“A misericórdia é um compromisso”, afirma Dom Pedro na Festa da Divina Misericórdia

nomeacoes

Nomeações e provisões – 08/04/2026

No Domingo de Páscoa, Diocese de Santo André é entregue à proteção de São Miguel Arcanjo

“Em Cristo nós somos vitoriosos”: Domingo de Páscoa reúne fiéis e representantes das 106 paróquias