Celebramos hoje o dia dos professores. O dia dos apaixonados pelo saber. Ser professor, para nós cristãos, não é apenas uma profissão, mas uma vocação que o próprio Criador nos confiou. Ser professor é reviver as mesmas atitudes e sentimentos do Divino Mestre Jesus como: a disciplina, a determinação, o amor e a compaixão.
A nossa pedagogia é o amor de Deus. Nossa força e nossa esperança estão na vontade de ensinar e se apaixonar pela vida. Somos entusiastas da vida e do saber, pois o conhecimento é um dos dons mais precioso que o Senhor nos deu.
Mas também nesse dia tão especial, não podemos nos calar e nos omitir da nossa vocação profética que herdamos no batismo. A educação em nosso país está passando por uma grave crise. Em muitos lugares vemos colegas educadores doentes, fadigados e muitos afastados da sala de aula por conta de um sistema opressor e desumano. Muitos jovens já não sonham mais com a vocação de ser um professor. Em muitos lugares, lembra-nos o Papa Francisco:“os educadores não são bem remunerados e valorizados.”
A Igreja Católica, como nos lembra Concílio Vaticano II no documento Gravissimum Educationes: “sempre incentivou uma educação integral do ser humano” e não um ensino fragmentado como estão querendo implantar no ensino médio brasileiro. Sabemos e temos consciência que é necessário uma reforma do ensino médio, mas isso deve ser feito dentro de um quadro democrático ouvindo a população, as famílias, alunos e principalmente os professores numa conversa ampla e bem elaborada.
O problema da educação brasileira não está apenas no ensino médio, mas precisamos valorizar e repensar a educação infantil e principalmente o ensino fundamental I e II, que na maioria das nossas cidades estão sucateados e com uma grande defasagem. Não adianta uma reforma apenas nas séries finais do processo educacional, pois o problema é gritante também nas séries iniciais e intermediárias da educação.
Retirar a obrigatoriedade do ensino das disciplinas de Filosofia e Sociologia no Brasil nos faz lembrar os anos de chumbo da ditadura que silenciou boa parte dos filósofos e sociólogos do nosso país. E como nos lembra o grande professor do seminário franciscano de Petrópolis, Dom Paulo Evaristo Arns: “Esse Brasil, não queremos ver nunca mais”. Não podemos retirar, dos nossos alunos, o acesso ao direito do senso crítico e dos meios para se fazer uma análise da conjuntura social que estão a sua volta.
Retirar a disciplina de educação física do ensino médio brasileiro é contrapor todo o legado olímpico que o nosso país acabou de proporcionar. Os últimos levantamentos do Ministério da Saúde apontam que o número de obesidade entre os adolescentes vem crescendo a cada ano. Como entender a retirada dessa disciplina tão importante?
Com toda a riqueza cultural e artística do Brasil retirar a disciplina de Artes do currículo do ensino médio é negar um direito que os nossos adolescentes tem de conhecer a beleza da arte, da música e de nossa cultura. A Arte, como nos ensina o santo artista São João Paulo II, “é um meio de contemplar a beleza do Criador”.
Não podemos, portanto, nos calar diante desse cenário. Mas também não podemos desistir, pois como nos ensina o nosso grande Professor e Mestre Jesus: “No mundo há de haver tribulações, mas coragem, pois eu venci o mundo” (cf. Jo 16,20).
Que Santa Teresa de Ávila, interceda à Deus por nós hoje, amanhã e sempre amém!
Escrito por: Prof. Renan Evangelista Silva (Coordenador diocesano da Pastoral da Educação e do Ensino Religioso)