Diocese de Santo André

Ecologia e defesa da vida

O desenvolvimento sustentável está na base de iniciativas de várias empresas e governos pelo mundo afora. Isto porque as consequências nefastas do progresso humano são sentidas, em primeiro lugar, pela natureza, que não consegue se refazer diante da tamanha degradação promovida pelo ser humano.

A este respeito, em sua última encíclica, o Papa Bento XVI afirmou que “o tema do desenvolvimento aparece, hoje, estreitamente associado também com os deveres que nascem do relacionamento do homem com o ambiente natural” (Caritas in Veritate, 48).

Em 2017, a Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil foi uma oportunidade de refletir sobre esta temática no contexto brasileiro. “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” será o tema da iniciativa, com o lema “Cultivar e guardar a Criação”. Depois de uma campanha que tratou especificamente da Amazônia, em 2007, e outras com temática ecológica, agora a CNBB amplia a reflexão para todos os biomas brasileiros, ligada também à defesa da vida.

Tal reflexão tem bons fundamentos na encíclica do papa emérito. Em Caritas in Veritate, ao explicar que a natureza é expressão de um desígnio de amor e de verdade, Bento XVI ensina que ela nos precede, pois nos foi dada por Deus como ambiente de vida, como dom.

“O homem interpreta e modela o ambiente natural através da cultura, a qual, por sua vez, é orientada por meio da liberdade responsável, atenta aos ditames da lei moral. Por isso, os projetos para um desenvolvimento humano integral não podem ignorar os vindouros, mas devem ser animados pela solidariedade e a justiça entre as gerações, tendo em conta os diversos âmbitos: ecológico, jurídico, econômico, político, cultural” (cf. Caritas in Veritate 53-67).

Na Laudato Si, Papa Francisco aprofunda tal relação, ao afirmar que é a humanidade que precisa mudar para que o desenvolvimento ocorra com respeito à vida humana e à natureza. “Falta a consciência duma origem comum, duma recíproca pertença e dum futuro partilhado por todos. Esta consciência basilar permitiria o desenvolvimento de novas convicções, atitudes e estilos de vida. Surge, assim, um grande desafio cultural, espiritual e educativo que implicará longos processos de regeneração” (Laudato Si, 202).

Que cada cristão se comprometa com o cuidado com a vida e a defesa de nossa casa comum.

Fonte: A12

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