“Acolher, escutar e discernir”. Aprofundando o tema do Sínodo dos Bispos “Por uma Igreja Sinodal: Comunhão, Participação e Missão”, que envolve toda a Igreja no Brasil e no mundo, a primeira edição do programa de evangelização da Diocese de Santo André “Apóstolos: Acolhida e Missão” aconteceu na tarde de quarta-feira (27/10) e recebeu como primeiro convidado, o bispo da Diocese de Santo André e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Dom Pedro Carlos Cipollini.

A iniciativa contou com a apresentação do coordenador diocesano do Departamento de Comunicação e assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB, Pe. Tiago Sibula, e transmissão ao vivo pelas mídias diocesanas: YouTube e Facebook.

Assista, na íntegra

Anote a data do próximo programa: 24 de novembro. O debate de ideias ocorrerá sempre ao vivo, na última quarta-feira de cada mês, às 17h, com abordagem de temas que envolvem a realidade diocesana, em comunhão com o Papa Francisco, e com toda a Igreja no Brasil e no mundo.

 

Cristo é o sol que ilumina a Igreja
No início do programa, Pe. Tiago fez uma breve introdução sobre a abertura do Sínodo dos Bispos (ocorrida neste mês de outubro), onde o Santo Padre convocou pela primeira vez, a Igreja inteira a participar da preparação de uma assembleia sinodal, que ao longo de dois anos ocorrerá de forma descentralizada e com um itinerário composto de três fases (diocesana, continental e universal), por meio de consultas e discernimento do povo de Deus (leigos, sacerdotes, missionários, consagrados, bispos, cardeais), que culminará com a XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, a ser realizada em outubro de 2023, em Roma, na Itália. Recorde aqui como foi a abertura diocesana

“Descrevo como um momento iluminador, momento no qual toda a Igreja  brilha e busca não ser uma Igreja diferente, mas a mesma Igreja de sempre com um brilho diferente,o brilho de Cristo. Alguns padres fazem uma analogia de que Cristo é o sol e a Igreja, a lua; e a Igreja recebe a luz do sol para transmiti-la. O que a Igreja demonstra com esse processo é que ela quer receber cada vez mais à luz deste sol, que é Cristo, para iluminar o mundo. Daí vem o nome Lumen Gentium (um dos mais importantes do Concílio Vaticano II). Nós somos privilegiados em participar deste momento”, avalia Dom Pedro

 

Experiência vivenciada na Diocese
Sem dúvidas, o primeiro Sínodo Diocesano (2016-2017) foi uma experiência única de diálogo e escuta com todo o povo de Deus na Diocese de Santo André, trazendo novas diretrizes para os rumos da Igreja Católica na região do Grande ABC, por meio da Constituição Sinodal, lançada em abril de 2018, que contém os oito itinerários do 8º Plano Diocesano de Pastoral norteadores da ação evangelizadora da Igreja Particular de Santo André durante o quinquênio (2018-2022). “Além de todo o processo de escuta nas comunidades, foi um processo   educativo, pedagógico que formou a nossa Igreja nessa linha sinodal”, destaca o bispo diocesano, ao recordar como ocorreu a sugestão para a realização do Sínodo.

“Naquela época tivemos que providenciar novas diretrizes, pois havia vencido o 7º Plano Diocesano de Pastoral. Sentamos para pensar o que fazer, daí surgiu a ideia numa reunião: por que não fazer um sínodo diocesano? Vamos aproveitar a visita do Espírito Santo que nos dá essa ideia, essa iluminação, que está prescrita no Código de Direito Canônico, das Igrejas particulares de realizar o Sínodo. Sabíamos que teríamos muito trabalho, mas traria muitos benefícios. E o nosso lema do Sínodo foi tirado da Evangelii Gaudium (primeira Exortação Apostólica pós-Sinodal escrita pelo Papa Francisco e publicada no dia 24 de novembro de 2013), a Alegria do Evangelho, para que o evangelho chegue a todos (o sonho missionário de chegar a todos). Foi um processo muito bonito envolvendo toda a Igreja”, relembra Dom Pedro.

 

O processo de escuta e diálogo
Pe. Tiago também perguntou para Dom Pedro sobre como deve ocorrer uma processo de escuta e diálogo que mobilize todo o povo de Deus. O bispo citou três palavras: acolher, escutar e discernir. “Daí surgem as coordenadas para a missão. A sinodalidade é uma das características da Igreja, o caminhar juntos. O objetivo do Sínodo é a unidade na Igreja. Mas não é a missão? Sim, mas para fazer a missão é preciso a unidade. O próprio Jesus diz no Evangelho  (Jo 17, 21).”Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste”. Então, a motivação é para que toda a comunidade seja unida, na comunhão e na participação, em vista da missão em favor do reino”, explica.

 

A missão da Igreja
Durante a entrevista, Pe. Tiago ainda mencionou dois eixos importantes propostos pelo Vade-mécum do Sínodo dos Bispos para a fase diocesana: o diálogo na Igreja e na sociedade; e partilhar a responsabilidade pela Casa Comum. Dom Pedro disse que a missão da Igreja não é apenas espiritual, mas que deve acompanhar as diferentes realidades no mundo em que vivemos. “A Igreja tem que sair em missão e saindo em missão, ela tem que evangelizar as realidades . O contato do homem com a natureza. A ecologia, a crise antropológica, a desvalorização daquilo que é humano, a miséria, a fome, todas essas realidades devem ser tocadas pelo evangelho. Na bíblia não há separação entre a fé e a vida, entre o espírito e a matéria”, sintetiza.

Dom Pedro ainda citou a Evangelii Nuntiandi, exortação apostólica publicada pelo Papa Paulo VI em 8 de dezembro de 1975: “A evangelização da Igreja deve ser sempre acompanhada da promoção humana, porque a promoção humana é sinal de ressurreição, da vitória do Reino, quando o ser humano é restaurado na sua dignidade.”

 

Escutar é um grande aprendizado
Uma experiência bonita contada por Dom Pedro foi escutar alunos durante 25 anos lecionando no Curdo de Teologia da PUC Campinas (Pontifícia Universidade Católica). No entanto, o bispo relembrou uma iniciativa que produziu frutos e deixou grandes marcas em sua vida presbiteral: durante os dez anos em que atuou na Basílica Nossa Senhora do Carmo, no Centro de Campinas, a instituição do serviço de escuta cristã trouxe muitos benefícios para as pessoas que buscavam a igreja como última esperança de suas vidas. “Como a igreja ficava aberta o dia todo, bem no centro da cidade, surgiu essa ideia maravilhosa. As equipes eram divididas em duas pessoas, cada. Passaram por treinamento de um ano e depois começaram o atendimento, que muitas vezes era simultâneo com os padres realizando as confissões no presbitério. Dessas duas pessoas, uma ficava numa sala e outra circulando pela igreja. Observava uma pessoa chorando, encaminhava para a escuta na sala. Muitas histórias de pessoas que queriam se matar, não tinham mais esperanças, e que buscaram na igreja o último recurso. Então, esse processo de escuta deu muito resultado”, conta.

Dom Pedro ainda recordou ações na Diocese de Santo André, frutos do Sínodo Diocesano, como a criação do Vicariato Episcopal para a Caridade Social, organismo diocesano que visa a promoção humana e uma rede de solidariedade nos sete municípios, e a instalação de novas paróquias nas periferias, diante do crescimento demográfico na região, para atendimento das comunidades, principalmente as mais pobres e carentes de recursos.

Na reta final do programa, o bispo respondeu perguntas dos internautas, divulgou o livro: Sinodalidade: Tarefa de Todos, agradeceu o convite e abençoou a todos.

 

Sobre o Programa Apóstolos: Acolhida e Missão
Pe. Tiago adianta que o objetivo do novo programa é apresentar um caminhar pastoral da Igreja, por meio de entrevistas e debates, envolvendo os principais protagonistas das pastorais e movimentos que compõem a ação evangelizadora na região do Grande ABC. “Desejamos conectar nossos diocesanos e nossas diocesanas, às experiências, às ideias e aos processos encarnados em nossa realidade pastoral. Como apóstolos, eu e você, somos convidados a caminhar juntos com o 8º Plano Diocesano de Pastoral e ser uma Igreja que fortaleça a cultura e a espiritualidade em permanente ação missionária “, complementa Pe. Tiago, ao mencionar o legado do Sínodo Diocesano (2016-2017) para a Diocese de Santo André.

 

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